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RESUMOS DO 15 e 16 de Agosto de 2003 Hotel Four
Points-Sheraton Dia 15 de agosto de 2003 14:00 hs. GENÉTICA E
BIOLOGIA MOLECULAR 14:00 hs. - T1. TTR ALA71: MUTAÇÃO de novo CAUSANDO POLINEUROPATIA EM PACIENTE BRASILEIRO Wilson Marques Jr,
Vanessa Daccach Marques, Aline Pinheiro, Amilton Antunes Barreira. Ribeirão Preto, SP. Objetivo: Apresentar um paciente com polineuropatia amiloidotica causada pela mutação TTR Ala71 Fundamentos: Mutações no gene da transtirretina (TTR) são as causas mais freqüente de amiloidose hereditária, conhecendo-se mais de 60 diferentes, sendo a mais freqüente a TTR Met30, disseminada pelo mundo pelos portugueses. Outras mutações podem resultar em quadro clinico semelhante, embora a correlação genotípica/fenotípica possa mostrar variabilidade. Material/Métodos: O Paciente LAD, foi visto pela primeira vez aos 37 anos, relatando parestesias em mãos e pés desde os 35 anos. Aos 36, observou que os pés estavam pesados, tinha dificuldade para se levantar de uma cadeira e a sensibilidade dos pés estava diminuída. O membro inferior E parecia mais acometido. Queixava-se, ainda, de perda acentuada de peso (30 kg), atribuída a inapetência e vômitos. Negava alterações do hábito intestinal e vesical. Havia sido tratado com prednisona por 30 dias, sem melhora. A ENMG sugeriu uma neuropatia desmielinizante, assimétrica, associada a perda axonal acentuada. Resultados: O teste para TTR Met 30 foi negativo, mas como a biópsia de nervo mostrou infiltrados amiloides, o gene foi seqüenciado, tendo sido encontrada a substituição da trinca GTG pela GCG na posição 71 da proteina TTR. Nenhum outro membro da família apresentava doença semelhante, e todos os testados para a mutação, não a apresentavam. O quadro clínico inicial do paciente era compatível com a neuropatia clássica da amiloidose, mas o aparecimento de fraqueza proximal, o emagrecimento sem alteração do hábito intestinal, a ENMG sugestiva de doença desmielinizante e a ausência de história familiar sugeriam outra etiologia, provavelmente uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica, para a qual já havia sido tratado. Contudo, o paciente não respondeu ao tratamento com corticosteroides e a biópsia mostrou infiltrado amiloide, justificando o sequenciamento da TTR. A mutação encontrada foi descrita apenas 2 vezes, em uma família espanhola e outra francesa, nas quais havia historia familiar bem definida, o que não ocorreu com o nosso paciente, cuja doença provavelmente decorre de uma mutação “de novo”, que ainda não havia sido descrita em descendentes de portugueses. Ao contrário do paciente francês, disautonomia do trato intestinal e do controle da pressão arterial não foram uma manifestação importante no início da moléstia. Conclusões: 1. O seqüenciamento do gene TTR está justificado em pacientes com quadro clínico compatível com amiloidose, principalmente na presença de biópsia característica; 2. A ausência de história familiar não deve afastar esta possibilidade, uma vez que mutações de novo podem ocorrer; 3. As manifestações clínicas podem ser variáveis e nem sempre são comprimento dependentes e simétricas; 4. As manifestações eletrofisiológicas podem simular uma neuropatia desmielinizante. 14:20 hs – T2. ESTUDO DAS EXPANSÕES CAG PARA CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DA DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH Aline A. Freund, Hélio
A. G. Teive, Rosana Herminia Scola, Lineu Cesar Werneck. Curitiba - Pr Objetivo: Analisar o número de repetições do trinucleotídeo CAG em um grupo de pacientes com suspeita da doença de Machado-Joseph (DMJ). Fundamentos: A DMJ é uma degeneração espino cerebelar, cujo padrão de herança é autossômico dominante. Pacientes com DMJ possuem repetições CAG expandidas na região 5’ da seqüência codificadora. Estas repetições serão traduzidas em um resíduo de glutamina. O número de repetições CAG que caracteriza pessoas normais é de até 36. Os pacientes suspeitos ou portadores para DMJ apresentam maior número de repetições CAG. São considerados suspeitos se possuem entre 37 e 60 repetições. Acima deste número são considerados diagnóstico. Material/Métodos: Foram analisados 34 pacientes com ataxia cerebelar progressiva, sendo 12 com a suspeita de DMJ. A extração de DNA foi realizada a partir de sangue total através da técnica descrita por Lahiri e Nuremberg, 1991. A análise das expansões CAG foi realizada amplificando a região de interesse por PCR (Kawaguchi e cols.,1994; Maciel e cols., 1995). As amostras foram submetidas a corrida eletroforética em gel de poliacrilamida 7% e as bandas, referentes aos alelos, foram visualizadas após coloração com nitrato de prata. O tamanho das bandas em pares de base (pb) foi definido através da comparação com um marcador utilizando o programa Kodak 3. O número de repetições CAG foi calculado pela fórmula N= (S-170)/3 (Método A) e pela fórmula N=(S-121)/3 (Método B), onde N é o número de repetições CAG e S é o tamanho em pb dos alelos presentes na amostra. Resultados: Os 34 indivíduos com suspeita de ataxia, perfazem um total de 68 alelos. Estes alelos foram analisados e calculados pelos dois métodos. Os resultados obtidos estão mostrados na tabela.
Conclusão: Pelo método B encontramos muito mais suspeitos que o método A e portanto, acarretando em um erro de análise e interpretação dos resultados. O método A foi o originalmente descrito por Kawaguchi e cols. e reduz bastante o número de casos positivos. O método B é o utilizado por Maciel e cols. Esta variação na metodologia é fundamental na diferenciação entre os casos normais e suspeitos, não modificando muito o número de casos positivos. 14:40 hs – T3. AEC TIPO 10: DESCRIÇÃO DE 7 FAMÍLIAS Hélio A. G. Teive,
Tetsuo Ashizawa, Benjamin Roa, Salmo Raskin, Walter O. Arruda, Ylmar
Correa Neto, Lineu César Werneck. Curitiba, PR, Houston,
USA, Florianópolis, SC. Objetivo: Apresentar 7 famílias com ataxia espinocerebelar (AEC) tipo 10 com um diferente fenótipo. Fundamento: Até o momento 24 locus de AEC já foram identificados e entre estas a AEC tipo 10, que é de ocorrência bastante rara, tendo sido descrita apenas no México, sendo caracterizada por ataxia cerebelar e epilepsia. Material/Métodos: De um total de 150 famílias com ataxias hereditárias, 100 apresentam herança autossômica dominante. Entre estas encontrou-se 7 famílias com uma mutação no íntron 9 do gene da AEC tipo 10 (pentanucleotideo ATTCT), com técnicas de PCR e Southern blot. Todos os pacientes foram avaliados clinicamente e através de neuroimagem. Resultados: Todos os pacientes tinham ataxia cerebelar pura, autossômica dominante (fenótipo tipo III de Harding). A idade de início variou de 30 a 47 anos. Nenhum membro afetado tinha epilepsia e o quadro clínico incluiu disartria, nistagmo horizontal nos olhares laterais, reflexos profundos normais, ataxia de marcha e distasia. As TC/RM demonstraram atrofia cerebelar. A expansão do pentanucleotideo ATTCT variou de 1350 a 2600. Conclusões: As 7 famílias com AEC tipo 10 são as primeiras descritas fora do México, e com um fenótipo diferente, com ataxia cerebelar pura, sem epilepsia. 15:00
hs. CEFALÉIA E DOR 15:00 hs – T4. Abouch Valenty
Krymchantowski, Pedro Ferreira Moreira. Niterói, RJ. Objetivo: Comparar estratégias de suspensão ambulatorial do uso excessivo de MS em pacientes com MC. Fundamentos: Os pacientes com migrânea crônica (MC) freqüentemente usam medicações sintomáticas (MS) excessivamente. Essas medicações podem criar um ciclo de rebote, piora da cefaléia e perpetuação da dor em caráter diário. Além disso, o uso excessivo das MS pode antagonizar o efeito das medicações preventivas. Material/Métodos: Foram estudados prospectivamente 150 pacientes (125 M e 25 H), com idade entre 18 e 80 anos (média de 40,3) em atendimento em um centro privado especializado em cefaléias, que preencheram os critérios diagnósticos propostos por Silberstein e col. (1994; 1996) para a MC e uso excessivo de MS. Os pacientes foram divididos em três grupos que se submeteram à suspensão abrupta dessas drogas e a estratégias diferentes de tratamento durante os primeiros seis dias de abstinência. O grupo 1 utilizou prednisona nas doses de 60mg/dia por dois dias, 40mg/dia por dois dias e 20mg/dia por dois dias; o grupo 2 não fez uso de medicamentos regulares nesse período e o grupo 3 usou naratriptano na dose de 2,5mg 2x/dia por seis dias. Todos os pacientes iniciaram esquema de profilaxia com atenolol, nortriptilina e flunarizina a partir do sétimo dia e poderiam usar, se necessário, 100mg de indometacina por via retal no máximo uma vez por semana. Após cinco semanas os três grupos foram comparados quanto ao grau de adesão ao tratamento, comportamento da cefaléia, dos sintomas de abstinência e do consumo de drogas de resgate nos primeiros seis dias. A freqüência da cefaléia e a redução superior a 50% da freqüência semanal da cefaléia também foram avaliadas e comparadas entre os três grupos, após cinco semanas e semanalmente. Resultados: Entre os 150 pacientes estudados, 120 (80%) aderiram ao tratamento e não houve diferença entre os grupos quanto a essa adesão (p=0.072). A cefaléia nos primeiros seis dias também não diferiu significativamente entre os três grupos (p=0.311) os quais, no entanto, se comportaram de forma diversa com relação à presença de sintomas de abstinência (p=0.003) e ao consumo de drogas de resgate (p=0.006). Durante as cinco semanas avaliadas, a freqüência da cefaléia reduziu-se nos grupos estudados, mas isso não foi diferente em relação à estratégia adotada. Após o período de estudo esse parâmetro encontrava-se significativamente diminuído em todos os pacientes (p<0.0001), mas isso não diferiu entre os três grupos (p=0.275). Para toda a amostra, houve redução de 38,8% da freqüência de cefaléia e 62,5% dos pacientes apresentaram redução > 50% não tendo havido diferença entre os grupos (p=0.718). Conclusões: A suspensão ambulatorial abrupta de MS é possível na maioria dos pacientes, resulta em melhora da cefaléia e não varia, com relação à evolução, em função da estratégia empregada na fase inicial de abstinência. 15:20 hs – T5. UM ALGÔMETRO NACIONAL - DETALHAMENTO DE UM PROJETO. Pedro André Kowacs,
Elcio J. Piovesan, H. P. Da Silva, Lineu César Werneck. Curitiba, PR. Objetivos: Descrever as etapas de desenvolvimento de um algômetro nacional, projeto que trouxe o desenvolvimento de tecnologia local. Fundamentos: A algometria é um método de avaliação objetiva da sensibilidade individual à dor. Algômetros são intrumentos essenciais na pesquisa de limiares dolorosos, podendo utilizar diversos tipos de estímulo nociceptivo, entre eles a pressão. Até o presente momento, dispunhamos apenas de algômetros importados disponíveis. Este projeto visou desenvolver tecnologia local para a fabricação de algômetros. Material/Métodos: Foi utilizado um microcontrolador de alta performance, o qual recebe as informações captadas de um sensor. A célula de carga pode suportar até 20kg (20kg/0,5 cm = 400kPa). Foi inicialmente programado para uma resolução de 1kPa, passível de ampliação. Seu mostrador é de cristal líquido com duas linhas e 16 caracteres. Possui também duas portas seriais, as quais podem ser utilizadas para controle externo de periféricos e/ou para transmissão dos dados para um Notebook ou outro periférico. Pode funcionar a ligado na rede elétrica ou com baterias de 9V,apresentando baixo consumo. Conclusão: O projeto do algômetro mostrou-se não apenas factível quanto viável, resultando na aquisição de tecnologia, a qual poderá ser utilizada na área de pesquisa biomédica. 15:40 hs – T6. Elcio Juliato
Piovesan, Michael Oshinsky, Jia Luo, Stephen D. Silberstein. Curitiba,
PR; Philadelphia, USA. Objetivo: Com o objetivo de determinar quais são as mudancas neuroquimicas e neurofisiolgicas que ocorrem durante o processo desensitizacao central (aguda). Fundamentos: Diversos estudos tem mostrado que a estimulacão química sobre receptores durais apos produzirem uma ativação periférica do sistema trigeminal irão promover uma sensitização central dentro do núcleo caudalis do trigêmio (NCT). Acredita-se que o potencial excitatorio destes núcleos são controlados por neurotransmissores, tais como N-metil-D-aspartato e por receptores glutaminérgicos. das oscilacoes extracelulares (dentro do NCT) para alguns neurotransmissores. Material/Metodos: Através de técnicas de microdiálise nos dosamos os níveis de glutamato, glutamina, GABA, dentro do NCT. A sensitização central foi induzida com a utilização de uma sopa inflamatória colocada sobre dura-máter (meninges e sobre os seios longitudinal superior e transversos). A sopa era constituída por histamina, serotonina, bradicinina e prostaglandina E2. Testes neurofisiológicos foram realizados determinando a resposta de um único neurônio ("wide dynamic range" neurônios) dentro do NCT a estímulos dolorosos (pressão e dor) e não dolorosos (toque suave). Os resultados destes testes foram analisados com o programa "spike - 2". Resultados: Uma redução do glutamato foi observada apos 30 minutos da aplicação da sopa sobre a dura, seguida por um continuo aumento nestes níveis ate duas a três vezes o seu valor basal ao final de 4 horas. Os estudos eletrofisiologicos conduzidos paralelamente confirmam estas informações. Existe uma redução inicial na excitabilidade neuronal apos a aplicação de agentes inflamatórios (30 minutos) acompanhados de um aumento nos campos receptivos e uma redução nos limiares de percepção dolorosa 3 horas apos a aplicação da sopa. Nenhuma oscilação na glutamina ou nos níveis de GABA foram observados. Conclusão: Concluímos que neurotransmissores excitatorios (glutamato) estão envolvidos na sensitização do NCT. A sensitização central ocorre cerca de 3 horas apos a aplicação de agentes neuroquímicos sobre a dura. Entretanto, demonstramos eletrofisiologicamente e bioquimicamente, que precedendo esta sensitização ocorre uma transitória inibição. Esta inicial inibição pode estar associada com alguns achados clínicos como é o caso da aura durante crises de enxaqueca. 16:00
hs. Intervalo – Coffe Break 16:30
hs. MIOPATIAS E POTENCIAIS EVOCADOS 16:30 hs – T7. DISFUNÇÃO MUSCULAR PÓS-POLIOMIELITE:AVALIAÇÃO 32 PACIENTES Francisco Marcos
Cunha, Avelino Missialdes Júnior, Carlos Augusto Ciarlini, Gabriela Joça
Martins, Ibiapina Siqueira Neto, José Arnaldo Arruda, Márcia Maria
Martins, Nacha Henrique Cunha, Otoni Cardoso Vale, Rizolene Alencar Bitu,
Veralice Maria de Bruin, Wagner Goes Horta. Fortaleza, CE;
Campinas, SP. Objetivos: Avaliação clínica e laboratorial em um grupo de pacientes com diagnóstico de disfunção muscular pós-poliomielite. Fundamentos: A poliomielite foi a maior causa de mortes e paralisias em crianças e adultos jovens nos países em desenvolvimento durante os anos 40 e 50. Nos últimos 20 anos uma proporção significativa dos pacientes com sequela de pólio começaram a apresentar sinais e sintomas que foram caracterizadas em uma entidade nosológica referida como Síndrome pós-pólio, e, atualmente, Disfunção muscular pós-poliomielite. (DMPP). Halstead e Rossi, l987, estabeleceram critérios diagnósticos para essa condição: 1- Antecedentes definidos de polimiomielite; 2- Recuperação neurológica e funcional completa ou parcial; 3- Período assintomático de no mínimo 15 anos; 4- Presença de dois ou mais dos seguintes sinais e sintomas: fatigabilidade, dor muscular e/ou articular, atrofia, perda de função e intolerância ao frio; 5- Inexistência de outro diagnóstico que explique o quadro clínico. Na literatura a DMPP é descrita em até 80% dos pacientes pós-poliomielite em alguma fase de sua vida. Material e Métodos: Foram estudados 32 pacientes com história de poliomielite na infância no Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Prof. Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará e Clínica Privada. Todos os casos foram submetidos a um protocolo pré-determinado constando de anamnese, exame físico-neurológico, rotina laboratorial simples, eletroneuromiografia e LCR quando necessário. Nenhum dos pacientes foi submetido à biópsia de músculo. Os doentes estudados tinham uma história de poliomielite com sequela caractizada por fraqueza, atrofia, arreflexia sem alterações sensitivas em ou mais membros, apresentando queixas recentes de fadiga, dor e fraqueza progressiva. Nenhuma outra doença sistêmica ou neurológica foi encontrada que justificasse as queixas. Resultados: Dos 32 pacientes, 14 (43,8%) eram do sexo feminino e 18 (56,2%) do masculino. O tempo médio de início dos sintomas ao diagnóstico foi de 1,7 anos (2 meses a 6 anos). A idade média do início dos sintomas foi de 39,5 anos (23 a 58 anos). Os principais sinais e sintomas foram fraqueza muscular, mialgia e/ou dor articular e fatigabilidade fácil em dois terços dos pacientes. Intolerância ao frio foi relatada na metade dos casos. A rotina laboratorial simples, neurocondução sensitivo-motora e teste de estimulação repetitiva não revelaram anormalidades, inclusive enzimas musculares (CPK, LDH e aldolase).O eletromiograma de agulhas revelou sinais desinervação aguda e crônica em mais da metade dos doentes. Fasciculações foram vistas em 1/3 dos casos. Hiperproteinoraquia foi encontrado em 36,4%. Conclusão: Estudos sobre a Disfunção muscular pós-poliomielite devem ser realizados e ampliados com vistas ao diagnóstico precoce, técnicas de reabilitação mais eficazes e um estudo sistematizado com drogas sintomáticas. 16:50 hs – T8. DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE – AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA E COM POTENCIAL EVOCADO COGNITIVO (P300) Marcos Vinicius Della
Coletta, Rosana Hermínia Scola, Lineu Cesar Werneck, Gislaine RichterL
Minhoto Wienes, Claudia Nasser Fonseca. Curitiba – PR. Objetivo: Estudar as alterações cognitivas dos pacientes com distrofia muscular de Duchenne (DMD) e verificar se existe disfunção neurofisiológica cerebral aferida através do potencial evocado cognitivo P300. Fundamentos: A DMD é uma doença ligada ao cromossomo X, com deficiência da proteína chamada distrofina. No cérebro, como no músculo, a distrofina tem funções estruturais e de relação do citoesqueleto com a matriz extracelular. Alterações cognitivas e alterações nos testes neuropsicológicos têm sido relatadas em pacientes com DMD. Poucos testes neurofisiológicos são úteis na detecção destas alterações. Material/Métodos: De maio/2002 a maio/2003 foram avaliados 15 pacientes com diagnóstico de DMD através de clínica e análise de DNA (10 pacientes) ou biópsia com imunocitoquímica (5 pacientes). As idades variaram de 6 a 15 anos (média: 9.6a). Os pacientes eram submetidos à avaliação neuropsicológica com aplicação do WISCIII-R e seus sub-testes: informação, semelhanças, vocabulário, dígitos, completar figuras e cubos. Destes dados era determinado o QI geral (QIG). Em seguida eram realizadas as medidas de potencial evocado cognitivo (P300). Resultados: Os testes mostraram 11 pacientes com QIG menor que 80, variando de 45 a 78; 4 pacientes com QIG maior que 80 (de 81 até 95). A média do QIG foi 65,86. Os sub-testes do WISCIII-R mostraram grande variação de pontuação com o teste de informações com média de 4,4 (1 a 10); semelhanças 4,06 (1 a 9); vocabulário 3,7 (1 a 12); dígitos 6,4 (1 a 14); completar figuras 4,2 (1 a 9) e cubos 6,57 (1 a 9). Na análise neuropsicológica houve relação significativa (p< 0,05) entre informações com vocabulário, dígitos, completar figuras, cubos e QIG; semelhanças com dígitos e cubos; vocabulário com dígitos, completar figuras; cubos com QIG; dígitos com completar figuras, cubos e QIG; completar figuras com cubos e QIG; cubos com QIG. Os valores de P300 eram bilaterais, com valores médio a direita de 335 ms, (298 a 379); a esquerda média de 333 ms (265-402); houve valores aumentados de P300 em 10 (66.6%) dos pacientes e 5 (33.3%) mostraram valores normais. Os valores eram significativos para P300 dir e idade (p=0,012) não sendo significativas as demais relações de P300. Conclusões: Não há relação estatística entre P300 e os resultados dos testes psicológicos encontrados neste grupo. O P300 estava alterado na maioria do grupo testado, porém mostrou relação estatística apenas com a idade dos pacientes. Houve relação entre os testes neuropsicológicos aplicados. A maioria das crianças analisadas encontrava-se com valores de QIG abaixo do limite da normalidade. Uma amostra maior poderá trazer novas informações. 17:10 hs – T9. Sthella Zanchetta,
Luis Antônio Resende, Oscar Schelp, Cleide Enoir Trindade, Grasiela
Bossolan. Botucatu, SP. Objetivo: Comparar as latências absolutas (LA) e interpicos (LIP) dos registros do Potencial evocado auditivo de latência precoce (PEALP) realizado com fones supra-aurais (FSA) e com fones de inserção (FI). Fundamentos: Potenciais evocados auditivos (PEA) com fones de inserção apresentam latências muito prolongadas em relação aos obtidos com fones convencionais. A fim de poder utilizar na clínica, existe a necessidade de comparar o FI com FSA. Material/Métodos: Foram estudados 5 pessoas, todos do sexo masculino, com idade entre 15 e 35 anos, sem queixa auditiva e ou otoneurológica, distúrbio de comunicação e com ausência de comprometimento de orelha média. O equipamento utilizado foi da marca Nicolet, modelo Viking, com eletrodos de superfície com derivação fronte mastóide ipsilateral. O FSA foi um TDH – 39, e o FI um TIP ER, ambos com intensidade em dBNA. As demais características do estímulo sonoro, parâmetros de registro e de amplificação foram os mesmos para os dois fones. As variáveis de análise foram os valores das LA das ondas I, III e V, assim como as LIP,I – III, III – V e I – V. Resultados: Em relação à lateralidade não houve diferença estatisticamente significante das LA e LIP entre orelha direita e esquerda, para cada uma das duas condições de testagem. Para a análise das LA observou-se uma diferença estatisticamente significante entre os dois tipos de fones, sendo os valores obtidos com FI superiores aos com SFA. Este último foi concordante com os valores descritos na literatura internacional. Para a LIP não houve diferença estatisticamente significante entre os dois fones, sendo os valores também compatíveis com os descritos na literatura. Conclusão: Atualmente há uma preconização para o uso dos FI, em virtude de suas vantagens em relação ao FSA, entretanto é importante uma padronização quanto a análise de seus resultados a fim de evitar diagnósticos errôneos das neuropatias auditivas e ou perda auditiva. 17:30
hs. SONO e EPILEPSIA 17:30
hs – T10. Anna A. C. Crippa,
Rosana Hermínia Scola, Carlos Eduardo Silvado, , Luciano de Paola,
Duilton de Paola, Regina Maria Fernandes, Lineu Cesar Werneck. Curitiba, PR; Ribeirão
Preto, SP. Objetivos:
Determinar
o padrão do sono dos recém nascidos a termo, do Hospital de Clínicas da
UFPr., nos seus primeiros dias de vida. Mostrar as características do
ciclo completo do sono, predomínio de estado, definição da arquitetura
do sono. Quantificar os movimentos em cada fase de sono. Fundamentos:
Os parâmetros fisiológicos registrados na poligrafia neonatais requerem
avaliação simultânea do eletroencefalograma (EEG), do eletromiograma (EMG),
dos movimentos oculares, ou eletrooculograma (EOG), do padrão respiratório
e do eletrocardiograma (ECG). Tais parâmetros são essenciais à análise
do ciclo vigília sono, o qual exibe no recém nascido variações dinâmicas
em curto período de tempo. Para a análise do EEG neonatal, deve-se
caracterizar de cada estado do ciclo vigília-sono por meio de registros
poligráficos, uma vez que o EEG sofre profundas variações, de acordo
com os diferentes estados neste ciclo. Ainda, uma avaliação das proporções
de cada tipo de sono durante o tempo de registro é útil na discriminação
entre neonatos normais e anormais. Materiais/Métodos: O comportamento foi analisado quanto aos movimentos do corpo, de acordo com o Índice Motor (IM). Foi atribuído como Índice Motor (IM) 2 quando há indícios de movimento em mais de 50% de uma época, IM 1 quando há movimentos em menos de 50 % da época e IM 0 quando nenhum movimento foi observado. Os dados dos movimentos foram obtidos através de anotações no traçado de movimentos dos pés, das mãos, da cabeça, de boca, de sucção, movimentos globais, entre outros. O eletromiograma auxiliou demonstrando um aumento na amplitude ou torna-se irregular. O eletrencefalograma pode ter sido impregnado por artefatos musculares e/ou de movimentos. Este comportamento foi aferido em cada fase do ciclo do sono - vigília. RESULTADOS:
A duração média do registro realizava-se de 57.45 minutos e a quantidade total
realizava-se de 1838.4 minutos. A duração média de M2 foi de 18.33
minutos, M1 de 16.36 e de M0 de 21.5 minutos. Durante o sono quieto
a duração média de M2 foi de 22.3 minutos e durante o sono ativo 323
minutos. A duração média de M0 no sono quieto foi de 446.33 e no sono
ativo foi de 171.6. No sono quieto a duração média de M1 foi de 134.33,
de 240 durante o sono ativo, de 84.6 minutos no sono transicional, e de
67.6 minutos no estado da vigília. A soma de M2 e M1 foi de 563 minutos
(30.6% do tempo total). Considerando a incidência de cada fase do sono, o
sono do quieto ocorreu em uma taxa de 3.1/exame (variando de 1 - 8/exame),
no sono ativo 3.3/exame (1 - 9/exame), no sono transicional 3.9/exame
(escala 0-9/exame) e vigília de 3.9/exame (escala 0-10/min). Quando o número
das fases é comparado com o de movimentos, o sono instável tem mais
movimentos. O teste estatístico usado foi a regressão múltipla, com
covariância tempo de registro do eletroencefalograma. Conclusão:
Em todos nossos exames os recém-nascidos
permaneceram a maioria do tempo no sono. Os movimentos são observados em
uma quantidade maior durante o sono ativo, predominando naqueles pacientes
os quais tiveram uma variação maior de fases no ciclo sono-vigília. Há
mais movimentos em neonato com sono instável Recém-nascidos a termo
normais podem ter sono instável. 17:50 hs – T11. CALOSOTOMIA NO TRATAMENTO DAS EPILEPSIAS CLINICAMENTE REFRATÁRIAS Francisco M. B.
Germiniani, Luciano De Paola, Carlos Eduardo Silvado; Marlus Moro, João Cândido
de Araújo, Maria Joana Mäder, C. D. Höpker, Rosana Hermínia Scola,
Lineu César Werneck. Curitiba, PR. Objetivos:Avaliar o grau de redução de crises epilépticas e satisfação familiar em pacientes submetidos a calosotomia anterior, posterior ou complementação. Fundamentos: Em pacientes com Síndrome de Lennox-Gastaut e crises de “drop-attack”, a realização de calosotomia permite uma desconexão inter-hemisférica e controle satisfatório das crises tônicas e atônicas, usualmente com melhora significativa da qualidade de vida. Material/Métodos: Entre setembro de 1995 e maio de 2003, 13 pacientes, sendo 11 homens e 2 mulheres, com idade média de 16,9 anos (9-43a), com Síndrome de Lennox-Gastaut, com duração média de 16,9 anos (6-39 a) e crises freqüentes e de múltiplos tipos,refratárias ao tratamento medicamentoso, foram submetidos a calosotomia anterior (2/3) ou posterior (1/3 até o istmo). Os pacientes foram submetidos à ressonância magnética de encéfalo e registro de crises em vídeo-EEG. Os dados pertinentes a idade do paciente, tipo e freqüência da crise epiléptica predominante e padrão ictal correspondente foram correlacionados ao seguimento pós-cirúrgico em todos os casos, com enfoque específico na melhora e/ou controle do principal tipo de crise e grau de satisfação familiar. Resultados: O seguimento pós calosotomia variou de 2 meses a 8 anos (média 2,3 a). Todos os pacientes apresentavam déficit cognitivo moderado a severo, e crises atônicas, tônicas, ausência atípicas e mioclonias. As crises de “drop-attack” foram consideradas pelos familiares e médicos como as mais graves e incapacitantes. Os EEGs intercríticos apresentavam atividade epileptiforme multifocal e/ou generalizada e alentecimento difuso da atividade de fundo. O registro ictal apresentava 2 padrões: 1) eletrodecremento seguido de atividade epileptiforme rápida (ED) e 2) ponta-onda lenta irregular generalizada (PO) associadas, respectivamente, a crises tônicas e ausências atípicas. A redução das crises de “drop-attack” foi maior que 50% em 8(61,5%) pacientes; de 50 a 24% em 3 (23%) e sem redução significativa em 2 (15,3%). Nenhum dos pacientes foi submetido a reoperação com ampliação da calosotomia. Os familiares de 11 pacientes (84,6%) consideraram bom o grau de melhora dos pacientes e recomendariam a calosotomia para outros pacientes em situação similar. Conclusões: Apesar do grau de controle de crises não ser elevado neste grupo de pacientes, a redução das crises de “drop-attack”, permite uma significativa melhora na qualidade de vida, facilitando significativamente o manejo dos mesmos. Por estes motivos, os familiares dos pacientes apresentam um maior grau de satisfação com os resultados da calosotomia que a equipe médica que indica e realiza o procedimento. 18:10 hs – T12. Edson José Amâncio. Santos, SP. Objetivo: 1) Demonstrar evidências de epilepsia em Dostoiévski; 2) Evidências de epilepsia nos personagens dostoievskianos; 3) Epilepsia em Dostoiévski segundo vários autores. Fundamentos: O escritor russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1822-1881), considerado pela crítica como um dos maiores escritores de todos os tempos, autor de vários romances de sucesso, entre eles Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamasov, era epilético. Sua epilepsia foi anunciada em numerosos textos da sua própria autoria. Talvez movido pela vivência e o sofrimento que suas crises lhe aportavam, Dostoiévski criou em todo a sua extensa obra personagens epiléticos. As minuciosas descrições que fez das crises, supostamente parciais complexas envolvendo o lobo temporal, despertou o interesse dos neurologistas desde a publicação das primeiras edições desse romance. Sigmund Freud, baseado nos parcos dados biográficos sobre Dostoievski disponíveis na época, escreveu o famoso artigo “Dostoiévski e o parricídio”, no qual classifica erroneamente as crises do escritor russo como histeria. Suscitou ainda entre os críticos, historiadores e neurologistas fértil polêmica quanto à verdadeira epilepsia de Dostoiévski que se estende até os nossos dias. Material/Métodos: Baseado na leitura sistemática da obra completa de Dostoievski editada no Brasil por José Olympio Editores em 10 vol, 1967; na leitura de Les Démons, tradução do russo para o francês por André Markowicz, Actes Sud, 1995, 3 volumes; Dostoievski Artista, Leonid Grossman, Ed. Civilização Brasileira, 1967; Dostoievski, L´Homme Et L´ouvre, Pierre Pascal, Ed. L´Âge d´homme. 1976; La poétique de Dostoiévski, Mikhail Bakhtine, Ed. Du Seuil, 1970; Dostoevsky, Joseph Frank, ed. Princeton University Press, 5 volumes. Theodor Alajouanine, “Litterature et épilepsie”, Le Nouveau Commerce, Cahier,2:114-133, 1963a;Theodor Alajouanine, “Litterature et épilepsie”, in Cahiers de L’Herne, Dostoiévski, Paris, 1973, p.309-324. “Fyodor Mikhailovotch Dostoyevsky’s involuntary contribution to the symptomatology and prognosis of epilepsy”, Henry Gastaut in Epilepsia 1978, 19: 186-201. Resultado: 1) Citações do próprio punho de Dostoiévski referindo-se às suas crises; citações da primeira e segunda esposas, testemunho do médico que o atendeu nas suas primeiras crises; testemunho do médico da prisão siberiana onde Dostoiévski esteve exilado durante 9 anos; testemunho de amigos e parentes. 2) enumera os principais personagens da obra de Dostoiévski com epilepsia; 3) relaciona os principais trabalhos de análise da epilepsia em Dostoiévski; 4) discute as equivocadas afirmações de Freud quanto à verdadeira natureza dos ataques de Dostoiésvki. Conclusão: 1) Dostoiévski sofria de epilepsia desde a sua mais tenra infância. As crises provavelmente eram parciais complexas com aura em êxtase e generalização secundária, envolvendo o lobo temporal; 2) Sua epilepsia provavelmente tinha origem familiar, pois seu filho primogênito também era epilético e morreu durante uma crise convulsiva; 3) Há indícios de que o artigo de Freud, reconhecidamente equivocado até mesmo pelos seus adeptos mais fervorosos, seja tendencioso. Dostoiévski precedeu Freud em algumas das suas mais importantes conclusões; 3) A obra literária de Dostoiévski foi produto da sua mente lúcida e não da sua doença e que, apesar da doença, criou obra genial. 21:00
hs – Jantar de Confraternização Dia 16 de Agosto de 2003. 8:30 hs NEUROPATIAS PERIFÉRICAS e ELETRONEUROMIOGRAFIA 8:30 hs – T13. BLOQUEIO DE CONDUÇÃO MOTOR E SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO Carlos Domenico
Marrone, Bianca Gervini. Porto Alegre, RS. Objetivo: Estimar, através de neurocondução motora do nervo mediano, a freqüência de bloqueio de condução motor e a sua relação com a falsa degeneração axonal na síndrome do túnel do carpo (STC). Fundamentos: A neurocondução motora do nervo mediano entre o punho e o cotovelo comumente utilizada não avalia adequadamente uma compressão no trajeto palma-punho, deixando de verificar bloqueio de condução decorrente de desmielinização focal, e, em determinadas situações, induzindo ao diagnóstico de degeneração axonal.Como há poucos relatos na literatura para elucidar tal situação, idealizou-se este trabalho. Material/Métodos: A neurocondução motora do nervo mediano com captação no Abdutor Pollicis Brevis (APB) e estimulações na palma, punho e cotovelo a distâncias determinadas foi realizada seqüencialmente em 02 grupos. O grupo I, controle, foi composto de 210 pacientes, 339 mãos, sem qualquer indício clínico para síndrome do túnel do carpo, sendo 80% de mulheres. Já os pacientes do grupo II, STC, preencheram critérios clínicos e neurofisiológicos para a referida síndrome, sendo composto por 303 pacientes, 606 mãos e 85% do sexo feminino. Resultados: Através de análise estatística, determinou-se o limite máximo aceitável de 30% para a diferença entre as amplitudes da palma e do punho, sem variação importante das durações (<15%) no grupo I. Excedendo-se tal limite, ou seja, amplitude do punho menor que 70% da amplitude da palma, houve caracterização de bloqueio de condução motor. A freqüência de bloqueio de condução foi de 18,18% dos pacientes com STC, não havendo diferença entre os lados e 3,3% dos pacientes mostraram bloqueios bilateralmente. Um bloqueio de condução poderia ser interpretado como degeneração axonal em 8,91% do total de pacientes e em 49% do total de bloqueios encontrados, caso não fosse utilizada a estimulação na palma. Conclusão: Existem poucas artigos que avaliam o bloqueio de condução motor no trajeto palma-punho na STC, sendo que, em nosso trabalho, os resultados alcançados (bloqueio de condução de 18,18% nos pacientes com STC) correlacionaram-se com os 16 a 20% da literatura. Além disso, 8,9% do total de pacientes com STC e 49% dos pacientes encontrados com bloqueio de condução poderiam ser confundidos como portadores de degeneração axonal. Portanto, com o uso da neurocondução motora do nervo mediano que englobe estimulações na palma, no punho e no cotovelo e captação no APB, há possibilidade clara e precisa de distinção entre comprometimento desmielinizante focal e degeneração axonal quando o potencial da estimulação no punho estiver com amplitude reduzida. Essa situação poderá ter implicação na conduta terapêutica e na reversibilidade da lesão nervosa, pois, no caso do bloqueio poderá haver possibilidade de reversão precoce e completa do problema. Já na degeneração axonal a recuperação poderá demandar mais tempo e/ou ser incompleta. 8:50 hs – T14 D.O.R.T. E SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO Cristiane Vasconcelos
Faria, Luiz Antonio de Lima Resende, Arthur Oscar Schelp. Botucatu ,SP. Objetivo: Estudar a síndrome do túnel do carpo (STC) bilateral em destros e sinistros, correlacionando-a com dominância motora. Fundamentos: A literatura atual contém várias publicações relacionando STC a trabalhos com esforços repetitivos (D.O.R.T. ou L.E.R.). Supondo-se que pacientes destros com STC bilateral usam bem mais a mão direita, esperaríamos maior prevalência de STC pior à direita nos destros, e vice-versa, STC pior à esquerda, nos sinistros. Material/Métodos: Foram estudados 100 pacientes com síndrome do túnel do carpo bilateral, classificados pela ENMG em mão direita pior que esquerda, e mão esquerda pior que direita. A dominância motora foi determinada nos 100 pacientes. Resultados: Encontrou-se alto percentual de mão esquerda com STC pior que direita, em pacientes destros, e mão direita com STC pior que esquerda, em sinistros. Conclusões: Neste trabalho não conseguimos reforçar a hipótese da relação entre STC e D.O.R.T. 9:10 hs – T15. Paulo André Teixeira
Kimaid, Luiz Antonio Lima Resende, Jacqueline Teixeira Caramori, Paschoal
Barretti. Botucatu ,SP. Objetivo: Estudar a alteração no padrão de recrutamento das unidades motoras em pacientes com asterix. Fundamentos: Muitos autores consideram a alteração no padrão de recrutamento das unidades motoras a responsável por um tipo de tremor freqüentemente observado nas encefalopatias metabólicas chamado asterix. Material/Métodos: Analisamos o padrão de recrutamento de 20 pacientes com insuficiência renal crônica terminal, com clearance de creatinina menor que 5, com 3 sessões semanais de hemodiálise, pressão arterial controlada, não diabéticos. Resultados: Encontraram-se alterações de recrutamento em 6 casos (30%). O padrão eletromiográfico interferencial era suprimido, de modo inconstante, em episódios irregulares de 10 a 100 milisegundos de duração, originando traçados em “surto-supressão”, correspondendo ao registro eletro-clínico do asterix, nestes pacientes. Observou-se que a postura tônica em extensão do antebraço e do carpo com abdução dos dedos acentuava o fenômeno. Encontraram-se alterações do recrutamento em 2 pacientes sem polineuropatia periférica, sugerindo patogênese no sistema nervoso central. Conclusão: Acreditamos que a intensificação destas alterações em posturas tônicas extensoras esteja relacionada ao sistema vetibulo-espinhal, cujas lesões já foram demonstradas em autópsias de pacientes com insuficiência renal crônica. 9:30
DOENÇAS VASCULARES CEREBRAIS 9:30 hs – T16. AVALIAÇÃO DA VASORREATIVIDADE CEREBRAL EM PACIENTES NORMAIS HIPERTENSOS E NÃO-HIPERTENSOS Viviane Flumignan
Zetola, Ayrton Roberto Massaro, Edison Matos Novak, Lineu Cesar Werneck,
Milberto Scaff. Curitiba, PR; São
Paulo, SP. Objetivos: Conhecer os valores normais da reatividade cerebrovascular na nossa população, bem como o de comparar tais valores entre indivíduos hipertensos leves e não hipertensos. Fundamentos: O Doppler Transcraniano (DTC) é um método de investigação não invasivo, de baixo custo e maior acessibilidade, cuja informação indireta sobre o fluxo sanguíneo nos possibilita conhecer a resposta funcional das artérias intracranianas diante de situações de instabilidade hemodinâmica (vasorreatividade cerebral), bem como nos informa sobre o uso de colaterais. A avaliação por DTC associado a um estímulo vasodilatador tem sido utilizada como parâmetro adicional na decisão terapêutica de portadores de estenose carotídea, uma vez que a literatura não define o manejo em pacientes sintomáticos abaixo de 70% ou nos assintomáticos, ainda que com estenose grave. Questões quanto à presença da hipertensão arterial sistêmica(HAS) e conseqüente alteração na autoregulação tem sido discutida com intuito de melhor interpretação deste teste. Material/Métodos: Estudamos 30 indivíduos, 17 femininos, idade média 62,8 + 7,1. Quinze eram hipertensos. Utilizamos o DTC para avaliação da velocidade média (VM) antes e após o estímulo vasodilatador de 1,0 grama de acetazolamida ao nível da artéria cerebral média (ACM) e artéria cerebral anterior (ACA). Analisamos o grupo dividindo entre hipertensos e não-hipertensos. Excluímos os portadores de HAS com uso de mais de um antihipertensivo, bem como excluímos pacientes com baixa fração de ejeção cardíaca. Critérios de inclusão com tomografia de crânio normal. Resultados: Obtivemos como resultados um aumento médio de 58%(+16,3) na VM da ACM e 56%(21,5) da ACA, diferente dos valores descritos em literatura. Não foi observada alteração estatisticamente significativa entre os grupos. Conclusões/Comentários:
Não foram observadas diferenças entre pacientes portadores de HAS em
relação aos não-hipertensos, sendo que provavelmente grupos heterogêneos
relacionados ou não ao uso de fármacos vasodilatadores devam existir.
Parâmetros adicionais nas decisões terapêuticas da estenose de carótida
são emergentes, e muito embora a principal etiologia descrita seja embólica
(artério-arterial), a doença vascular cerebral hemodinâmica tem sido
melhor reconhecida e responsável por pelo menos 1/3 das oclusões de carótida.
O não comprometimento da resposta autoreguladora e o uso de colaterais
parecem ser, em parte, critérios decisivos. A presença de outros fatores
que afetam essa hemodinâmica, como a HAS, deve ser considerada para a
avaliação da reserva funcional, porém a real influência não é
conhecida Estudos de validação nas populações devem ser realizados,
bem como avaliações de comparação entre hipertensos de diferentes
categorias. 9:50 hs – T17. DISFAGIA E TOPOGRAFIA DAS LESÕES APÓS ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS; RELEVÂNCIA DA LATERALIDADE Arthur Oscar Schelp,
Paula Cristia Cola, Ana Rita Gatto, Roberta Gonçalves da Silva, Lídia
Raquel de Carvalho, Renata Areza. Botucatu, SP. Objetivo: Avaliação de indivíduos pós Acidentes Vasculares Encefálicos (AVEs), isquêmico ou hemorrágico, com determinação do local e características das lesões associadas a disfagia. Fundamentos: A disfagia é reconhecida como um dos principais fatores de risco para ocorrência de pneumonia aspirativa, uma das complicações mais freqüentes dos AVEs que é a principal causa de morte no Brasil. Não está bem elucidada a relação entre topografia das lesões nos AVEs e presença de disfagia,tanto na fase oral como faríngea. A literatura não são é conclusiva. Robbins e cols demonstraram que as disfagias associadas a lesões do hemisfério cerebral direito comprometem a duração da fase faríngea de forma mais acentuada. Daniels e cols encontraram associação entre presença de incoordenação da língua e lesões de substância branca, peri/para ventricular. Ertekin e cols apontam o comprometimento das vias cortico-bulbares tanto inibitórias e facilitatórias, como responsáveis pela fisiopatogenia da disfagia. Hamdy e cols, que analisaram pacientes com lesões hemisféricas unilaterais e disfagia demonstraram que os pacientes com disfagia tinham latências (PEvs) mais prolongadas no hemisfério não lesado, quando comparados aos pacientes que não apresentavam disfagia. Ou seja, a representação cortical das vias cortico-bulbares do hemisfério contra-lateral à lesão é que determinaria a presença e gravidade de disfagia nos AVEs hemisféricos, uni ou bilaterais. Material/Métodos: Avaliação da deglutição de todos pacientes ingressos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP, com diagnóstico de AVE em um período de 12 meses consecutivos. Avaliação complementar incluiu exames de tomografia computadorizada de crânio e/ou ressonância nuclear magnética e videofluoroscopia da deglutição.Para estudo das associações entre as variáveis foi utilizado o teste qui-quadrado ou o Exato de Fisher. Para comparações de proporções foi utilizado o teste de Goodman. O nível de significância utilizado foi de 5%. Resultados: Houve
diferença estatisticamente significativa quanto a presença de disfagia
em lesões da cortex direita comparadas às lesões corticais bilaterais.
Obs: Percentuais seguidos
de mesma letra dentro de cada categoria da neuroimagem não diferem
estatisticamente. Conclusão: As lesões que comprometem a região cortical e cortical associada à para-periventricular, são estatisticamente associadas a risco de apresentarem disfagia. O estudo demonstrou também, que as lesões de predomínio cortical no hemisfério cerebral direito apresentaram maior associação com disfagia, comparada às lesões bilaterais. Ausência de significância quando comparada às lesões isoladas do hemisfério oposto, sugere que tal preferência pode ter ocorrido por falta ou presença de inibição do hemisfério esquerdo ou mesmo pequeno número de casos com lesão bilateral. 10:10
hs – Intervalo – Coffe Break 10:30
hs NEUROLOGIA EXPERIMENTAL 10:30 hs – T18. DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO PLASMÁTICA DE DIAZEPAM APÓS APLICAÇÃO INTRANASAL DE VALIUM EM COELHOS. Joseli Maito Lima, Sérgio
Antonio Antoniuk, Brás Heleno Oliveira, Bonald Figueiredo. Curitiba, PR. Objetivo: Determinar se a administração de valium por via intranasal ou bucal poderia alcançar concentração plasmática terapêutica para interromper crises convulsivas. Investigar os efeitos colaterais associados ao diazepam e/ou seu veículo. Fundamentos: O tratamento imediato das crises repetidas ou prolongadas em ambiente domiciliar é de vital importância para tentar evitar a progressão para o quadro de estado de mal epilético, devido sua morbidade e mortalidade. A administração de diazepam por via retal, em crianças, é uma opção efetiva e já amplamente utilizada. Outras vias alternativas no tratamento de crises podem ser a via intranasal e bucal Material/Método: Realizamos um estudo piloto ,selecionando a melhor via (intranasal ou bucal) ,em 2 coelhos jovens, com a administração de valium injetável 1 mg/kg/dose, nos tempos 0, 1, 5, 10, 15, 20 minutos A seguir, realizamos o estudo em 8 coelhos jovens, comparando as concentrações plasmáticas obtidas com a administração de valium (1 mg/kg/dose) por via endovenosa e pela via selecionada, nos tempos 0, 30 segundos, 1, 2,5 e 5 minutos. A quantificação sérica do diazepam foi realizado através do método de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Os efeitos colaterais após admnistração intranasal e endovenosa do valium injetável foram investigados, nas dosagens de 1m/kg/dose e 0,5 mg/kg/dose. Resultados: Na primeira fase do estudo, a via selecionada foi a intranasal. Na segunda fase, o pico de concentração plasmática de diazepam pela via intranasal foi aos 2,5 minutos, cerca de 2 minutos depois da maior concentração registrada pela via endovenosa. Não houve diferença estatisticamente significativa entre estes picos (p>0,05). Todos os animais que receberam dizepam intranasal foram a óbito devido a redução de ingesta hídrica e alimentar. Estes efeitos colaterais foram reavaliados e se repetiram. Conclusão: Pode-se concluir a partir destes estudos preliminares que a via intranasal se mostra válida para suprimir crises epilépticas no ambiente domiciliar. Entretanto, é recomendável a utilização de outra formulação. 10:50 hs – T19. ESCOLIOSE EXPERIMENTAL EM COELHOS COM COSTOTRANSVERSECTOMIA Lineu Cesar Werneck,
Vladimir Antonio Cousseau, Savier Soler i Graells, Rosana Hermínia Scola. Curitiba, PR. Objetivo: Estudar as alterações morfológicas que ocorrem na escoliose experimental no coelho, a fim de procurar relacionar com a escoliose idiopática. Fundamentos: A escoliose é uma deformidade ocasionada por alterações das forças que permitem o equilíbrio, movimento e deformidades da coluna vertebral. Nesse processo estão envolvidos doenças do sistema nervoso central, ligamentos, articulações e músculos esqueléticos. A grande maioria dos casos é de escoliose idiopática e existe a sugestão de processo patológico focal da coluna. Diversos trabalhos experimentais procuraram elucidar esse processo, utilizando estimulação elétrica e procedimentos cirúrgicos, retirando parte da estrutura da coluna vertebral. Material/Métodos: Estudados 28 coelhos com peso médio de 750 gr, sendo 22 submetidos a costotransversectomias (CTV) com a retirada de 6 processos transversos no nível torácico sem lesar os músculos ou feixes vasculo-nervosos. 6 animais foram utilizados como grupo controle, com procedimentos idênticos exceto pela retirada dos processos transversos. Todos os animais foram mantidos em um coelhário sob as mesmas condições. Os CTV desenvolveram escoliose, sendo que o ângulo médio no 7° dia era de 8.5°, no 30° dia 19.9° e no 60° dia 29.1° com o ápice localizado em T4 e T12. Nessa época todos os animais foram submetidos a biópsia dos músculos paraespinhais nos lados côncavos e convexos. As biópsia foram estudadas com hematoxilina-eosina, tricromo de Gomori modificado, ATPases 9,4, 4,3 e 4,6 e esterase inspecífica. Também foi realizado estudo morfométrico a fim de aferir o diâmetro mínimo e área das fibras dos tipos 1 e 2. Resultados: Ocorreram alterações em ambos os lados, sendo que as anormalidades do lado côncavo não foram estatisticamente significantes ao relação ao grupo controle. No lado convexo em relação aos controles, foi estatisticamente significante a proliferação de tecido conjuntivo, infiltração por tecido adiposo, excesso de núcleos centrais, reação inflamatória, fibrose segmentar, hipertrofia de fibras do tipo 1, hipertrofia de fibras do tipo 2 e fibras anguladas escuras atróficas na esterase. A fibrose segmentar, constituída de tecido fibro-conjuntivo e adiposo, com áreas de ocasionais fibras atróficas, atingia um segmento circunscrito de músculo, sugerindo fenômeno isquêmico. Houve relação estatística entre os controles e redução do diâmetro das fibras do tipo 1 no lado convexo. Os diagnósticos histológicos no lado concavo foram alterações inespecificas (atrofias e hipertrofias) em 13, miopatia em 3, desinervação em 3 e normal em 7. No lado convexo, miopatia em 14, desinervação em 8, mistas em 3 e normal 1. Conclusões: As alterações morfológicas no lado convexo indica desinervação ou miopatia possivelmente de origem isquêmica. Possivelmente a progressão da escoliose é devida a isquemia ou desinervação secundária. 11:10
hs. NEUROLOGIA COMPARATIVA 11:10 hs – T20. SEMIOLOGIA NEUROLÓGICA COMPARADA: RELATOS CLÍNICOS EM DIFERENTES ESPÉCIES Luiz Antonio de Lima
Resende, Alexandre Scorun Borges, Luiz Cláudio Nogueira Mendes, Diomedes
Barbosa Neto, Rogério Martins Amorim. Botucatu, SP; Araçatuba,
SP; Castanhal, PA. Objetivo: Apresentar casos clínicos com diferentes manifestações neurológicas em diferentes espécies animais. Fundamentos: O conhecimento de doenças semelhantes aos humanos em outros animais é importante para o estudos comparativos, principalmente na escolha de modelos experimetais para elucidar a patogenia e terapêutica. Material/Métodos: Foram selecionados seis grupos de afecções em caprinos, bovinos, eqüinos e bubalinos, atendidos pela disciplina de clínica médica de grandes animais da FMVZ-Unesp. Resultados: Descrevem-se 1- Bezerro com ataxia cerebelar e hipermetria e achados de necropsia de degeneração espino-cerebelar (3 casos necropsiados em prole com 7 acometidos); 2 - Síndrome paleo-cerebelar tóxica em caprinos; 3 - Fenômeno de Schiff-Sherrington em bovino; 4 - Paralisias faciais periféricas em diferentes espécies; 5 - Búfalos com crises de rigidez muscular e consciência provavelmente preservada, lembrando a hipereplexia humana; 6 - Distúrbio do movimento em bovinos. Conclusões: As diferentes alterações semiológicas apresentadas abrem importantes perspectivas para estudos de neurologia comparada. 11:30 hs – T21. APLICAÇÕES DE ELETRONEUROMIOGRAFIA EM MEDICINA VETERINÁRIA. I I – CASOS CLÍNICOS Ana Carolina Mortari,
Sandra Regina Torelli, Sheila Canevesse Rahal, Vanessa Souza Foloni,
Anayara Silgueiro Peixoto, Luiz Antonio de Lima Resende. Botucatu, SP. Objetivo: Ilustrar a importância de um laboratório de ENMG para diagnósticos de afecções neurológicas em faculdade de medicina veterinária. Fundamentos: A medicina veterinária lança mão de métodos diagnósticos idênticos às empregadas nos seres humanos, utilizando os mesmos critérios eletrográficos, a fim de correlacionar com os sintomas e doenças. Material/Métodos: De 2001 a 2003 o Laboratório de ENMG da FMVZ-Unesp atendeu a dezenas de pacientes em que a ENMG contribui para a definição do diagnóstico. Neste trabalho são apresentados relatos clínicos e ENMG, por grupos de patologias. Resultados: Grupo I – Lesões Traumáticas: Caso 1 – Cão, Springer spaniel, 4 anos, com atrofia pós-traumática do membro anterior direito. Achados clínicos e ENMG indicando axonotmese de grau moderado do plexo braquial direito. Caso 2 – Cão, Retriever do labrador, 7 anos, com achados clínicos e ENMG de provável neurotmese do nervo ciático esquerdo. Grupo II – Polirradiculoneuropatias: Caso 1 – Cadela, Shitzu, 4 anos, com quadro clínico e ENMG de polirradiculoneuropatia inflamatória aguda. Caso 2 – cão, Golden retriever, 7 anos, com quadro clínico e ENMG de polirradiculoneuropatia crônica. O estudo do liquor mostrou dissociação proteino-citológica (proteínas de 50mg/dl). Grupo III – Miastenia grave: Caso 1 - Cadela, Fila brasileira, 4 anos, atendida com tetraplegia flácida de instalação súbita. Após suspeita de miastenia grave, foi submetida a testes de estimulações repetitivas, que mostraram decremento de até 31%. Ocorreu melhora clínica após tratamento com Mestinon. Caso 2 – Cadela, Dog de Bourdeaux, 4 anos, tetraparesia flácida com evolução de 20 dias. Após suspeita de miastenia grave, os testes de estimulação repetitiva evidenciaram decrementos miastênicos. O animal foi a óbito no mesmo dia. Conclusões: Conduções nervosas e eletromiografias são de grande ajuda para diagnósticos em clínica veterinária. 11:50 hs – T22. Sandra Regina Torelli,
Sheila Canevese Rahal, Rodrigo Marucio, Silvio Henrique Santi Antunes,
Seizo Yamashita, Stélio Pacca Loureiro Luna, Luiz Antonio de Lima
Resende. Botucatu, SP. Objetivo: Procurar correlação entre os achados eletroneuromiográficos (ENMG) e neurorradiológicos em cães com doença do disco intervertebral. Fundamentos: As alterações produzidas por lesões dos discos intervertebrais em cães não são raras, mas de difícil diagnóstico, tendo em vista que o animal não fornece informações adequadas. Levantada a suspeita, os procedimentos diagnósticos são idênticos aos dos humanos. Material/Métodos: Foram estudados 6 cães, sob anestesia geral, com quadro clínico sugestivo de doença do disco intervertebral (paraparesia ou paraplegia de instalação súbita, freqüentemente associada a nível sensitivo e bexiga neurogênica). Foram realizados estudos de condução nervosa motora dos nervos ciáticos, incluindo onda F. Foi feita avaliação eletromiográfica bilateral, com eletrodo co-axial, nos músculos paravertebrais de T9 a L7 e nos músculos quadríceps da coxa, semitendinoso, tibial cranial e grácil. Foram realizados estudos neurorradiológicos da coluna tóraco-lombar (mielografia e ressonância magnética em 5 pacientes e mielografia em 1) . Resultados: Observaram-se ondas agudas positivas, fibrilações e/ou fasciculações nos músculos paravertebrais correspondentes aos níveis de lesão. Também foram observados achados similares em músculos paravertebrais, acima ou abaixo do nível principal de lesão. Os estudos neurorradiológicos mostraram degenerações do disco intervertebral, com hérnias discais, em vários níveis. As topografias mais freqüentes de lesão ocorreram de T10 a L2, com síndrome de compressão medular associada. Conclusões: A confrontação de dados clínicos, ENMG e neurorradiológicos, por ressonância magnética e mielografia, permite inferir que a ENMG é método sensível e de baixo custo para diagnóstico de compressões de raízes nervosas em cães. Entretanto, como as compressões radiculares em cães ocorreram em vários níveis, a ressonância continua sendo necessária na indicação do local exato para abordagem cirúrgica. 12:30
hs – DISCUSSÃO DE “POSTERS” – Lunch Box TERAPÊUTICA
E REABILITAÇÃO P1. Edison Matos Nóvak,
Lineu Cesar Werneck, Viviane H. Flumignan Zétola. Curitiba, Pr. Objetivo: Estudar a eficácia e segurança do monosialogangliosideo (GM1) em doses elevadas em pacientes com doença cérebro vascular isquêmica aguda (AVCI). Fundamentos: Apesar dos efeitos dos gangliosídeos terem sido demonstrado experimentalmente na regeneração de lesões no sistema nervoso central e periférico, o seu efeito terapêutico como neuroprotetor tem sido alvo de grandes controvérsias na redução de seqüelas do infarto cerebral agudo. Outro ponto que levantou dúvidas no passado, é a possibilidade de induzir a efeitos colaterais (polirradiculoneurite aguda inflamatória) Material/Métodos: Estudo duplo cego de 64 pacientes no primeiro AVCI admitidos antes de 48 horas do evento, com lesão localizada no hemisfério não dominante, ausência de afasia e de doenças sistêmicas incapacitantes. Um grupo recebia 1,0 gr IV de GM1 por ocasião da admissão. Do 2° ao 20° dia recebiam 200 mg e 100 mg do 21° ao 90° dia. O outro grupo recebia placebo nas mesmas condições. Ambos os grupos foram avaliados pelas escalas do NIH, índice de Barthel e escore de Rankin na admissão, aos 7, 21, 60 e 90 dias. A identificação dos grupos só foi feita após o término do estudo. Resultados: Completaram o estudo 50 pacientes (25 de cada grupo), sendo que o GM1 foi utilizado por maior número de casos do sexo masculino e o placebo pelo sexo feminino. Houve maior número de casos com antecedente de hipertensão, diabete e tabagismo nos casos que receberam o GM1. Os dois grupos melhoraram nas escalas do NIH, índice de Barthel e escore de Rankin, sem diferença estatística entre o início e final do estudo. No escore de Rankin, houve diferença estatística a favor do GM1 para o sexo feminino, mas o número de casos entre os grupos era diferente (6 e 14). Nos casos com TC revelando infarto recente (22 casos) houve diferença a favor do GM1 no escore de Rankin, mas essa diferença já estava presente na avaliação. Houve redução do número de plaquetas nos dois grupos, sendo maior nos que receberam o placebo. Conclusão: Não foram encontrados efeitos colateral ou terapêutico entre os dois grupos, mas pelo número relativamente pequeno de casos e tipo de estudo ocorreram “bias” que podem ter influenciado o resultado. P2. ANÁLISE DO CONTROLE DE TRONCO DA CRIANÇA PORTADORA DE PARALISIA CEREBRAL: Cleunice Siqueira Rodrigues, Marise B. Zonta, Edilson Forlin, Sergio Antonio Antoniuk, Isac Bruck, Lúcia Helena Coutinho dos Santos, Mônica Lima Cat. Curitiba, PR. Objetivos:
Observar o efeito do movimento do cavalo no controle de tronco em
pacientes portadores de Paralisia Cerebral submetidos à aplicação de
toxina botulínica do tipo A. Fundamentos: A literatura tem mostrado que a equoterapia contribui para a melhora do controle de tronco e equilíbrio em crianças com paralisia cerebral. Casuística e Metodologia: Dez pacientes portadores de Paralisia Cerebral Espástica com idade de 2 a 6 anos, avaliados pelo método GMFM antes e 8 meses após intervenções. Os pacientes foram submetidos a bloqueio com toxina botulínica do tipo A ( BotoxÒ ), com enfoque em adutores e ísquio tibiais mediais bilateralmente.Grupo 1 - Quatro pacientes foram atendidos na fisioterapia e Grupo 2 - Seis pacientes foram atendidos na Equoterapia. Na Equoterapia as sessões foram realizadas com uma média de duas vezes na semana, com duração de 30 minutos, utilizando um cavalo de 1,57 cm, em um solo de areia, mantendo um passo médio à alongado, trocando de direções,utilizando subidas e descidas, Zig Zag e mudanças de decúbito. Foram acrescentadas atividades para estimular dissociações de cintura, alongamentos, equilíbrio e fortalecimento de grupos musculares. Foi utilizada manta em vez de sela, dois laterais e um condutor do cavalo. Resultados: Observou-se que o grupo 2 apresentou melhora no controle de tronco, equilíbrio,coordenação e abdução de MMII. A porcentagem de ganhos do Grupo 1 após 5 a 7 meses não foi maior que 3%, enquanto que no Grupo 2 todos dos pacientes apresentaram ganhos superiores, exceto 2 pacientes. Um que abandonou a terapia após três meses e outro em que não se obteve a colaboração da família. Os pacientes do Grupo 2 conseguem manter-se sentados por mais tempo com os braços livres, observa-se maior controle de cabeça, mobilidade de tronco e dissociação de cinturas. Realizam mais atividades de pé e mudanças de decúbito. Conclusões: Observou-se melhor controle no controle de tronco no grupo submetido a equoterapia. P3. Silvana Maria
Blascovi-Assis, Beatriz de Oliveira Peixoto. Sorocaba, SP. Objetivo:
Este estudo teve como objetivo avaliar o período de amamentação natural
para um grupo de crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Fundamentos: O
aleitamento materno vem sendo incentivado em diversas campanhas,
enfatizando-se os amplos benefícios que dele decorrem. Mães em estado de
choque são muitas vezes levadas a interromper este processo, ocasionando
uma quebra no vínculo afetivo existente. No caso de diagnósticos neurológicos,
o fisioterapeuta é um dos primeiros profissionais que atende a criança,
podendo estabelecer com a mãe um vínculo de confiança, devido à
regularidade dos atendimentos. Portanto, é extremamente necessário que
haja conhecimento por parte do profissional sobre possibilidades de
aleitamento e relactação. Material/Método: Participaram
do estudo 20 mães que receberam o diagnóstico neurológico ou a informação
sobre o atraso do desenvolvimento de seus filhos até o sexto mês de
vida. Os dados foram coletados a partir de uma entrevista semi-estruturada
com perguntas sobre o período de aleitamento. Resultados: Os
resultados apontaram que 25% das crianças não foram amamentadas
naturalmente devido à internação de seus filhos, sendo que nenhuma
delas recebeu orientações no berçário quanto a essa possibilidade. Das
20 mães participantes, nenhuma teve qualquer conversa sobre amamentação
com seu fisioterapeuta durante as sessões de atendimento, demonstrando a
falta de interesse sobre o tema por parte dos mesmos. Apenas duas mães já
tinham ouvido falar sobre relactação, mas nenhuma teve esta experiência.
Conclusão: Considerando os benefícios da amamentação natural para o desenvolvimento global do lactente, pode-se concluir que há evidente necessidade na introdução desse tipo de conhecimento, para os profissionais da área terapêutica para que a informação das possibilidades e da importância do aleitamento materno seja considerada na relação entre família/terapeuta. O incentivo a essa prática, de forma ponderada, sem pressão e culpa, pode fortalecer o vínculo entre mãe/filho colaborando para a meta final que é o melhor desenvolvimento da criança com diagnóstico neuroló |