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RESUMOS DO
SÉTIMO ENCONTRO DA SBIN

29 E 30 DE JUNHO DE 2007

Hotel Stream Palace
Ribeirão Preto - SP
 

NEUROPATIAS PERIFÉRICAS / AMIOTROFIA ESPINHAL PROGRESSIVA

T1 Efeito da aplicação do laser terapêutico na regeneração do nervo isquiático em ratos.

Renata B Gonçalves1, Jucilene C Marques1, Leonardo C Carvalho1, Vanessa V Monte Raso1, Frademir Wouters1, Marcelo R Tavares1, Valeria S Fazan2

Introdução: Os nervos periféricos são alvos constantes de lesõesde origem traumática, como esmagamento e secções totais, que resultam em perda ou diminuição de sensibilidade e motricidade no território inervado por ele, trazendo enormes perdas funcionais, no que diz respeito às atividades de vida diária dos indivíduos acometidos. A terapia a laser de baixa potência vem sendo utilizada para minimizar os efeitos maléficos da inflamação, bem como para acelerar a cicatrização dos tecidos lesados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo observar, em ratos, o comportamento do nervo isquiático submetido ao esmagamento e tratado com a irradiação do laser 830nm. Material e Métodos: Foram utilizados 20 ratos machos da linhagem Wistar, divididos em dois grupos A e B, onde A correspondeu ao grupo tratado com laser e B o grupo controle.
Estes grupos foram subdivididos em subgrupos A1, A2, B1 e B2. Todos os animais foram submetidos a um esmagamento do nervo isquiático direito, com carga controlada de 5.000g e durante 10 minutos. O tratamento com laser foi iniciado, nos 10 animais dos subgrupos A1 e A2, 24 horas após a lesão, com a dose de 4 J/cm2.
Os outros 10 animais, dos subgrupos B1 e B2, não receberam a irradiação laser, formaram o grupo controle. Após 7 dias de aplicação do laser, ou seja, no 8° dia pós-operatório os animais dos subgrupos A1 e B1 foram sacrificados, e após 14 aplicações, no 15° dia pós-operatório, os animais dos subgrupos A2 e B2 também foram sacrificados. O nervo isquiático lesado tratado e não tratado foi cortado em secções transversais, coradas com Hematoxilina-Eosina (HE) e Tricrômico de Gômori (TG) e então submetidos a análise morfológica pela microscopia de luz.
Foram observados o infiltrado inflamatório, os fibroblastos, o grau de destruição da bainha de mielina e a degeneração axonal. Para a análise estatística foi realizado o teste estatístico não paramérico KrusKal-Wallis e post hoc de Dunn e os resultados foram considerados significantes quando p= 0,05. Resultados: Os resultados mostraram um aumento significativo da quantidade de fibroblastos e uma diminuição significativa do infiltrado inflamatório no subgrupo tratado com laser por 14 dias. Conclusão: Esses dados sugerem que os ratos do subgrupo tratado por 14 dias com laser apresentam menor reação inflamatória local que, associada a um maior número de fibroblastos, indica melhores condições de regeneração nervosa.

1. Universidade José do Rosário Vellano - UNIFENAS, Alfenas - MG, Brasil;
2. Universidade de São Paulo - USP-RP, Ribeirão Preto - SP, Brasil.

T2 Freqüência da mutação Ser72 em pacientes com a doença de Charcot-Marie-Tooth Tipo 1.

Silmara Paula Gouvea de Lima, Vinícius Horácio Stéphani Borghetti, Keity Cristina Bueno, Amilton Antunes Barreira, Wilson Marques Júnior

Introdução: Mutações de ponto no gene PMP22 resultam em neuropatias desmielinizantes com uma variedade de fenótipos como Charcot-Marie-Tooth 1 (CMT1A), Síndrome de Dejerine-Sottas (DSS), Neuropatia Congênita Hipomielinizante (CHN) ou Neuropatia Hereditária com Sensibilidade a Pressão Palpatória (HNPP). Muitas dessas mutações de ponto estão no segundo domínio transmembrânico, agrupando a Ser72, que é responsável por aproximadamente 26% das mutações encontradas neste gene e 0,6% das mutações de CMT1. A substituição mais freqüente é a Ser72Leu, encontrada em 14 de 17 mutações nesta posição. Este “hot spot” pode ser considerado uma estratégia para pesquisa de mutações de ponto em neuropatias hereditárias desmielinizantes.
Objetivo: O objetivo do presente estudo foi avaliar a freqüência da
mutação Ser72Leu em uma população de CMT1 que foi negativa para a duplicação do cromossomo 17p11. 2.
Pacientes e Métodos: Foram testados o DNA de 200 pacientes negativos para duplicação, no Laboratório de Neurologia Aplicada e Experimental do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, para a substituição Ser72Leu. O DNA foi extraído por método rotineiro. A mutação Ser72Leu foi inicialmente pesquisada por PCR seguida por digestão com a enzima TaqI. Mais recentemente, nós fizemos o screening desta mutação usando a técnica de DHPLC. Resultados: Nós encontramos somente uma mutação Ser72Leu dentre os 200 pacientes negativos para a duplicação. Ambas as técnicas apresentaram ser igualmente eficientes. Conclusão: A freqüência estimada da mutação Ser72Leu encontrada neste estudo apresentou resultados semelhantes à de outros trabalhos publicados. Embora, mais estudos serão necessários para confirmar estes números. Parece ser uma estratégia importante a pesquisa desta mutação se a duplicação é ausente e nenhuma mutação é presente no gene da conexina32, que é responsável no mínimo por 10% dos pacientes com CMT1.
Ambas técnicas que foram utilizadas são confiáveis, de fácil execução e de custo efetivo, além disso o DHPLC pode detectar outras mutações eventualmente presentes no exon 4 do gene PMP22. Como estes pacientes têm geralmente um severo fenótipo, a probabilidade de um resultado positivo aumenta significativamente se isto for também considerado. Apoio: Fapesp, Capes, CNPQ e Faepa.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, Ribeirão Preto - SP, Brasil.

T3 Estudos de condução nervosa sensitiva e motora na terceira idade – revisão de um conceito antigo.

Luiz Antonio de Lima Resende1, Heloisa A L Castro2, Marcelo F Z Bertotti1, Marco Antonio Zanini1, Alessandara S V Adamo1

Livros-texto de eletroneuromiografia e mesmo publicações recentes de nossa área informam que os diferentes parâmetros da condução nervosa sofreriam alterações com o passar do tempo, após os 60 e principalmente após os 70 anos de idade. Com o avançar da idade as latências ficariam cada vez maiores, as velocidades de condução cada vez menores. Tais conceitos foram emitidos em publicações antigas, e não foram revisados, o que se constitui em nosso objetivo neste trabalho. Até o momento foram estudadas latências, amplitudes e velocidades de 41 nervos sensitivos e motores de 14 pacientes, de ambos os sexos, com idades acima de 70 anos (total de 123 parâmetros analisados até o momento). Tais estudos de condução foram realizados por necessidade técnica, para diagnósticos em ENMG, preservando-se os aspectos éticos. Latências, amplitudes e velocidades de condução mostraram valores normais após os 70 anos de idade, levandonos à conclusão de que o avançar da idade não prolonga latências, tampouco reduz as velocidades de condução.

1. Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil;
2. Departamento de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.

T4 Hipótese sobre a patogenia da síndrome do túnel do carpo humana. Parte I – estudo histoquímico e ultraestrutural da membrana sinovial da ATM do coelho.

Luiz Antonio de Lima Resende1, Heloisa A L Castro2, Marco Antonio Zanini1, Alessandara S V Adamo1

O nervo mediano está dentro de uma articulação sinovial, que se distingue das demais articulações pela presença do líquido sinovial, produzido pela membrana sinovial. Na membrana sinovial são encontradas as células secretórias, ou S ou F, semelhantes a fibroblastos, e as células que absorvem o líquido sinovial, chamadas células M, por suas semelhanças ultra-estruturais com macrófagos.
Neste trabalho foram estudadas inicialmente 50 coelhas adultas da raça norfolk inglesa, a partir das quais só foi possível obter cortes da membrana sinovial da ATM de 6 animais. As amostras foram congeladas em n-hexana, coradas por diferentes reações histológicas e histoquímicas, incluindo tricrômico de Gomori modificado, NADH-TR, desidrogenase succínica, esterase inespecífica e PAS. Também foram realizados estudos ultraestruturais. A membrana sinovial mostrou forte positividade histoquímica nestas reações, sugerindo que os mecanismos de produção e absorção do líquido sinovial englobam reações complexas de química orgânica, e não apenas mecanismos de secreção ativa de sódio e potássio. Os autores sugerem que defeitos na reabsorção do líquido sinovial levariam a aumento de pressão na cavidade sinovial, e poderiam estar envolvidos na patogênese da síndrome do túnel do carpo humana.

1. Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil;
2. Departamento de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.

T5 Hipótese sobre a patogenia da síndrome do túnel do carpo humana. Parte II – subtipos eletrofisiológicos, com ênfase para diferenças entre homem e mulher.

Luiz Antonio de Lima Resende1, Heloisa A L Castro2, Marcelo F Z Bertotti1, Marco Antonio Zanini1, Alessandara S V Adamo1

A síndrome do túnel do carpo (STC) permanece controversa, sua relação epidemiológica com sexo feminino, gravidez, distúrbios hormonais, obesidade e doenças auto-imunes é bem conhecida, mas mal compreendida. Nosso objetivo no presente trabalho é expor diferenças de acometimento sensitivo-motor nos sexos feminino/masculino, numa tentativa de propor classificação da STC.
Foram estudadas latências, amplitudes, morfologias e velocidades dos potenciais sensitivos, e latência motora distal do nervo mediano, em 10 pacientes consecutivos do sexo masculino, cujos dados foram comparados com 10 pacientes consecutivos do sexo feminino. Outros 4 pacientes adicionais, com diferentes padrões de alterações, foram comparados aos 20 pacientes anteriores. Baseados nas alterações de condução nos 2 sexos, julgamos ser possível propor uma classificação da STC em 2 grupos principais:
I – STC predominantemente motora (que acomete mais o sexo masculino);
II – STC predominantemente sensitiva (que acomete mais o sexo feminino).
III – Um terceiro grupo inclui pacientes muito sintomáticos, com graves alterações clínicas, parestesias e disestesias intensas, com disautonomias evocadas pelos estímulos elétricos, durante o exame, sugerindo comprometimento das fibras ameilínicas, do tipo C, mas com discretíssimas alterações nos estudos de condução nervosa sensitiva e motora.
Julgamos que estes 3 subtipos de STC só poderiam ser explicados por diferenças de absorção pela membrana sinovial, em relação a metabólitos e turnover bioquímico dos neurônios sensitivos, motores, e das fibras amielínicas, do tipo C.

1. Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil;
2. Departamento de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.

T6 Aspectos Eletroneuromiográficos na Hanseníase

Gilberto Brown de Andrade, Wilson Marques Jr.

Introdução: A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa causada pelo Mycobacterium leprae, sendo uma das principais causas de neuropatia adquirida em muitos países do Terceiro Mundo, especialmente no Brasil. A eletroneuromiografia (ENMG) colabora significativamente para a definição dos diagnósticos sindrômico e topográfico, bem como do provável processo fisiopatológico das neuropatias periféricas. O objetivo deste trabalho é o de analisar os padrões eletroneuromiográficos e os nervos periféricos mais acometidos de uma população de pacientes com hanseníase cujo diagnóstico de neuropatia hansênica foi definida pela biópsia de nervo. Material e Métodos: Foram estudadas as eletroneuromiografias de 47 pacientes com diagnóstico estabelecido de Hanseníase através de biópsia de nervo. Trata-se de um estudo retrospectivo, tendo sido a extensão do exame determinado pelo médico eletromiografista. Resultados: Foram vistos 7 padrões neurofisiológicos, sendo o mais comum a neuropatia sensitivomotora assimétrica com alentecimento focal da condução- 26 pacientes (55,3%), seguido de neuropatia sensitivo-motora assimétrica com predomínio sensitivo - 8 pacientes ( 17%), neuropatia sensitivo motora axonal assimétrica- 7 (14,9%), mononeuropatia fibular-2 (4,25%), neuropatia sensitiva assimétrica- 2 (4,25%), neuropatia desmielinizante simétrica- 1 (2,12%) e múltiplos nervos em um mesmo membro simulando plexopatia lombo-sacra - 1 (2,12%). A análise percentual dos nervos acometidos foi realizada em 45 exames eletroneuromiográficos. Os estudos da condução sensitiva mostraram comprometimento dos nervos surais em 79,72% dos nervos pesquisados, seguindo-se os fibulares superficiais (79,41%), ulnares (75,90%), medianos (71,95%) e radiais (62,68%). Os estudos da condução motora revelaram alterações nos nervos peroneiros em 65,06% dos nervos avaliados, seguido dos tibiais posteriores (56,06%), ulnares (55%) e medianos (45,07%). CONCLUSÃO: Com uma única exceção, todos os pacientes estudados apresentaram um padrão de neuropatia assimétrica, de tal forma que a hanseníase é um diagnóstico diferencial importante dentre as neuropatias assimétricas ou mononeuropatias múltiplas. Dentre estas, merecem destaque as que apresentam também redução da velocidade de condução em alguns sítios preferenciais, tais como a região do cotovelo ou da cabeça da fíbula. Nesta amostra, nenhuma das eletroneuromiografias foi normal ou tinha o padrão de polineuropatia sensitiva ou sensiva-motora, já relatados em outros trabalhos. Os nervos mais acometidos foram os nervos sensitivos surais e fibulares superficiais, e os nervos motores peroneiros e tibiais posteriores. O paciente que apresenta polineuropatia desmielinizante simétrica deve ser analisado com cautela, pois um único caso não nos permite afirmar categoricamente tratar-se de um padrão decorrente exclusivamente da hanseníase. Outras possibilidades diagnósticas estão ainda em investigação, tendo sido afastado a duplicação da região 17p11.2

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil.

T7 Distúrbios Respiratórios do Sono em Pacientes com Neuropatia Hereditária Sensitivo-Motora Desmielinizante

Daniela Vianna Pachito, Regina Maria França Fernandes, Wilson Marques Júnior

Introdução: Estudo prévio de uma família com Neuropatia Hereditária Sensitivo-Motora Desmielinizante (NHSMD), ou Doença de Charcot- Marie-Tooth tipo I-a, suscitou a hipótese de que esta condição possa se associar com Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS).
Objetivos: 1) Avaliar a freqüência de DRS (ronco primário, aumento de resistência de vias aéreas superiores, apnéias obstrutivas, apnéias centrais, hipoventilação) em pacientes com NHSMD em seguimento no Ambulatório de Neurogenética do HCFMRP – USP; 2) Identificar características clínicas (sexo, idade, índice de massa corpórea - IMC, medida da circunferência do pescoço - MCP, avaliação subjetiva de sonolência diurna excessiva, presença de roncos) correlacionadas com a presença de DRS nesta população; 3) Estabelecer correlação entre a presença de DRS e a gravidade da polineuropatia; 4) Avaliar a arquitetura do sono nestes pacientes; 5) Avaliar a freqüência de Movimentos Periódicos de Membros Inferiores (MPMI) no sono nestes pacientes. Metodologia: Foram selecionadas aleatoriamente 15 pacientes de 8 famílias, submetidos a Polissonografia de noite inteira (PSG) e aplicação de questionário. O grupo-controle compôs-se de 14 pessoas, pareadas quanto a sexo, idade, IMC e MCP. Resultados: Em relação ao grupo-controle, os pacientes apresentaram maior freqüência de apnéias do sono (odds ratio=11,7), maiores índices de Apnéia-Hipopnéia, maior duração das apnéias/hipopnéias, maior grau de dessaturação e maior percentagem de tempo total de sono em respiração paradoxal. Houve grande predomínio de apnéias/hipopnéias obstrutivas entre os pacientes, apenas 1 apresentando apnéia central. Não se registrou padrão sugestivo de hipoventilação alveolar, porém, não foi feito registro com capinógrafo. Os pacientes referiram roncar mais freqüente e intensamente. Houve forte correlação entre a presença de DRS e a gravidade da neuropatia periférica, reforçando a hipótese de causalidade. Não houve diferenças significativas em relação à arquitetura do sono. Nenhum paciente apresentou MPMI. As características clínicas preditivas de apnéia  do sono foram: idade avançada, aumento do IMC e da MCP, além de relato de roncos freqüentes e de alta intensidade. Discussão: O acometimento de nervos faríngeos, interferindo com a função contrátil da musculatura dilatadora da faringe, pode ser mecanismo fisiopatológico para a maior freqüência de apnéia obstrutiva do sono em pacientes com NHSMD, acrescido da possibilidade de uma neuropatia vibratória relacionada com o ronco crônico. Tais pacientes devem ser avaliados em relação a sintomas sugestivos de DRS, especialmente os mais idosos, que apresentem ronco freqüente e alto, ou aumento de IMC e da MCP, para os quais a PSG é indicada, mesmo naqueles sem queixa de sonolência diurna excessiva. A detecção precoce e o tratamento de DRS em pacientes com NHSMD são importantes, pois a hipóxia intermitente crônica pode ser fator agravante da polineuropatia pré-existente, por induzir lesão axonal.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

T8 Comparação das técnicas de pcr quantitativa em tempo real (qrt-pcr) e cromatografia líquida desnaturante de alta performance (dhplc) na detecção da deleção homozigota e heterozigota do gene smn1.

Bueno, K. C.1, Lima, S. P. G.1, Oliveira, A. S. B. O.3, Werneck, L. C.2, Scola, R.2, Silva Jr, W. A.1, Barreira, A. A.1, Marques Jr, W.1

Introdução: A amiotrofia espinal progressiva infantil (AEPI) é uma doença autossômica recessiva resultante da degeneração e morte dos neurônios motores localizados no corno anterior da medula espinal. É a mais comum doença letal de origem genética afetando o sistema nervoso e a segunda mais letal dentre as doenças autossômicas recessivas. É, portanto, uma importante causa de morbidade e mortalidade, com incidência estimada de 1/25.000 nascidos vivos. Na ausência de um tratamento efetivo, a possibilidade de prevenção de novos casos, através do aconselhamento genético dos casais de risco, é de importância fundamental e a única forma de auxílio a essas famílias. Para que isto possa ser feito de maneira efetiva, o comportamento do gene mutado em nossa população deve ser estudado.
Objetivos: Determinar a freqüência de portadores para AEPI e determinar a freqüência de mutações “de novo” ou duplicações 2+0. Métodos e Resultados: Foram estudados: a) 100 indivíduos não acometidos pela Amiotrofia Espinal Progressiva (AEP) e em cuja família não havia história de doença neuromuscular, b) 28 pacientes com diagnóstico confirmado de AEP I, II ou III, através de achados clínicos, eletroneuromiográficos e teste de DNA e seus 48 pais. Foram colhidos 10 mL de sangue de todos os participantes do estudo para extração de DNA de leucócitos do sangue periférico. O número de cópias do gene SMN1 foi determinado através de sua relação com um gene de referência interno, albumina, inicialmente pelo método de QRT-PCR e em seguida pela técnica de DHPLC. As seqüências dos primers empregadas nos dois métodos foram as mesmas utilizadas por Lee et al. (2004). Dentre os indivíduos controle, 97 (97%) apresentaram duas ou mais cópias do gene SMN1 e três indivíduos (3%) apresentaram uma única cópia do gene. Dos 48 pais, 45 (93.8%) apresentaram uma única cópia do gene SMN1. Entretanto, três pais (6.2%) apresentaram dosagem normal do gene SMN1 (duas ou mais cópias), indicando a ocorrência de um evento de mutação “de novo” ou uma situação na qual o pai apresenta duas cópias do gene SMN1 em um cromossomo e nenhuma cópia no outro (2+0). Os resultados obtidos com as duas técnicas foram coincidentes e a sensibilidade e especificidade dos dois métodos foram equivalentes: uma freqüência de portadores de 3% e uma freqüência de mutações “de novo” ou duplicações 2+0 de 6.2%. Conclusões: A freqüência de portadores para AEPI I em uma população brasileira foi de aproximadamente 3% (1/33), enquanto a freqüência de mutações “de novo” foi de 6,2% (3/48). Estes dados mostram que o gene SMN1 tem uma apresentação populacional semelhante às demais regiões do mundo onde a proporção de casamentos consangüíneos não é muito elevada e que mutações “de novo” ou genótipos 2+0 estão presentes. Estes dados contribuem para o conhecimento do comportamento do gene SMN1 em nossa população e para um aconselhamento genético efetivo das famílias envolvidas com esta doença de início precoce, incapacitante e letal.

1. Universidade de São Paulo - USP, Ribeirão Preto, Brasil;
2. Universidade Federal do Paraná - UFPR, Paraná, Brasil; 3. Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, Brasil.

SEMIOLOGIA / LINGUAGEM

T9 Adaptação cultural e validação do inventário breve da dor para a língua portuguesa.

Flávia Oliveira Toledo, Patrícia de Sá Barros, Cássio Geraldo dos Reis, Claúdia Ferreira da Rosa Sobreira

Objetivo: traduzir e adaptar o Inventário Breve da Dor (IBD) para a língua portuguesa e validar a versão adaptada em uma amostra de brasileiros com doença muscular. Fundamentos: o IBD é um instrumento multidimensional de avaliação da dor que vem sendo usado e validado em vários países de diferentes culturas. É um questionário que consiste de três questões para intensidade da dor e seis para interferência da dor na atividade funcional do paciente. Avalia também aspectos importantes da dor como: localização, tratamentos e medicações que vem sendo utilizados e o quanto de alívio que o paciente recebeu. Em relação aos outros métodos utilizados para avaliação da dor, o IBD é um método mais completo, breve e de fácil entendimento para o paciente. Material e Métodos: a versão original do IBD foi traduzida para a língua portuguesa por dois tradutores com domínio da língua inglesa. Em seguida, foi realizado retradução para o inglês por um tradutor que não conhecesse a versão original. As duas versões em inglês foram comparadas. A versão final foi estabelecida por um consenso dos tradutores e aplicada em um grupo piloto de 40 pacientes com diagnóstico de doença muscular em seguimento no ambulatório de doenças neuromusculares do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Após a aplicação do instrumento na população piloto, algumas adaptações culturais foram feitas, sem que fosse modificada a versão original. Enfim, uma última versão foi estabelecida e aplicada em 88 pacientes seguidos nesta unidade. Inicialmente, foi respondido o teste do IBD, depois o Questionário de Qualidade de Vida SF – 36, a escala visual analógica e por último o reteste do IBD. Resultados: participaram do estudo 88 pacientes, sendo 46 (52,3%) do sexo feminino e 42 (47,7%) do sexo masculino, com média de idade de 44,6 anos (24-74 anos).
Para a validade do IBD foi realizada análise fatorial pelo método dos componentes principais: rotação do tipo Varimax. A estatística Kaiser-Meyer-Olkin que mede adequação dos dados para análise fatorial foi de 0,81, considerado razoável. Para análise da confiabilidade do IBD na versão para a língua portuguesa, o alfa de Cronbach foi calculado para cada fator: intensidade da dor e interferência da dor na atividade funcional do paciente. Os valores de alfa foram adequados, sendo 0,75 (intensidade da dor) e 0,80 (interferência com a função). As correlações teste-reteste com o coeficiente de correção de Pearson para as variáveis de intensidade da dor e interferência com a função foram significativas (p<0,01). As correlações dos domínios do IBD com os domínios do questionário de qualidade de vida SF – 36 usando o coeficiente de correlação de Spearman´s na maior parte foi significativa (p=0,05) e de boa magnitude. E por último, também a correlação das variáveis de intensidade da dor do IBD com a escala visual analógica foi significativa (p<0,01) e de boa magnitude. Conclusão: a adaptação cultural e validação do IBD na nossa língua permitiram determinar que o IBD é um instrumento válido e confiável para ser usado na avaliação da dor crônica na nossa população.

Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasil.

T10 Dermátomos do ser humano segundo livrostexto de anatomia e neurologia, estudos clínicos e experimentais. Análise crítica e revisão da literatura.

Antonio Tadeu de Souza Faleiros1, Marco Antonio Zanini1, Heloisa Amélia de Lima Castro2, Luiz Antonio de Lima Resende1

Introdução: Dermátomo é o território cutâneo inervado por fibras de uma única raiz dorsal e deriva do grego como “fatias de pele”. O estudo da topografia dos dermátomos é muito importante para a localização de lesões radiculares ou medulares e, para isso, existem mapas em que eles são representados nas diversas partes do corpo. A literatura registra grandes divergências entre os diversos autores clássicos dos livros-texto em relação à topografia exata dos dermátomos. Consequentemente, as interpretações diagnósticas em diferentes disciplinas, como neurologia, neurocirurgia ou ortopedia, podem ser induzidas a erros diagnósticos e/ou terapêuticos. Objetivos: Avaliar as diferentes representações dos dermátomos existentes na literatura apresentadas nos livros-texto de anatomia humana e de neurologia, bem como através de estudos clínicos e experimentais. Materiais e métodos: Através de levantamento bibliográfico de 28 livros-textos de anatomia e neurologia, compararam-se ilustrações dos diferentes mapas de dermátomos, com ênfase nas localizações dos dermátomos C5-C6 (membro superior) e L4-L5-S1 (membro inferior). Foi feita revisão da literatura dos principais estudos clínicos e experimentais que deram origem a estes mapas. Resultados: Foi observada grande variabilidade entre os diversos autores, que dificulta a localização precisa dos dermátomos para interpretações diagnósticas. Como exemplos, de acordo com Carpenter (1978), o dermátomo C5 restringe-se à região deltóidea. Para Testut (1902), está na face lateral do braço; para Barraquer (1976), se estende ao antebraço e polegar. O mesmo ocorre em relação a L4, L5 e S1 segundo diferentes autores. Conclusões: Há grandes diferenças entre os dermátomos humanos, segundo os 28 autores pesquisados. As divergências provavelmente resultam dos diferentes métodos por eles utilizados.

1. Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil;
2. Departamento de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.

T11 Estudo de diferentes dermátomos do membro superior do ser humano pelos métodos eletroneuromiográfico, neurorradiológico, clínico e achados cirúrgicos.

Antonio Tadeu de Souza Faleiros1, Marco Antonio Zanini1, Heloisa Amélia de Lima Castro2, Roberto Colichio Gabarra1, Luiz Antonio de Lima Resende1

Introdução: A literatura registra grandes controvérsias em relação aos dermátomos, provavelmente porque os diferentes métodos utilizados no passado eram falhos. Neste trabalho foram estudados diferentes dermátomos do ser humano, particularmente C5 e C6 (membro superior). Objetivos: Estudar os dermátomos C5 – C6 do membro superior do ser humano, através da confrontação dos dados clínicos, eletroneuromiográficos, exames de imagem (TC e RM) e cirúrgicos. Materiais e métodos: Foram confrontados dados clínicos, eletroneuromiográficos, estudos de imagem por tomografia computadorizada ou ressonância magnética com os achados neurocirúrgicos em 18 pacientes com radiculopatias C5 e/ou C6. Para diagnósticos topográficos do acometimento radicular motor foram utilizados os seguintes critérios de topografias dos miótomos: músculos deltóides e supra-espinhoso (C5); músculos bíceps braquial e córaco-braquial (C6). Os dados de ENMG, imagem e achados cirúrgicos foram confrontados com os dados clínicos, para definição dos prováveis territórios anatômicos dos dermátomos descritos (C5-C6). Resultados: Foi observada grande variabilidade clínica, de um para outro paciente. Entretanto, foi possível concluir, pela análise dos dados dos membros superiores, nos 18 pacientes, que o dermátomo C5 provavelmente esteja localizado na face lateral do braço, e o C6, na face lateral do antebraço e dedos I e II da mão.
Conclusões: O dermátomo C5 situa-se provavelmente na face lateral do braço; O dermátomo C6 situa-se provavelmente na face lateral do antebraço e nos dedos I e II da mão.

1. Depto de Neurologia - Fac. de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP;
2. Depto de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.


T12 Estudo de diferentes dermátomos do membro inferior do ser humano pelos métodos eletroneuromiográfico, neurorradiológico, clínico e  achados cirúrgicos.

Antonio Tadeu de Souza Faleiros1, Marco Antonio Zanini1, Heloisa Amélia de Lima Castro2, Roberto Colichio Gabarra1, Luiz Antonio de Lima Resende1

Introdução: A literatura registra grandes controvérsias em relação aos dermátomos, provavelmente porque os diferentes métodos utilizados no passado eram falhos. Neste trabalho foram estudados diferentes dermátomos do ser humano, particularmente L4, L5 e S1 (membro inferior). Objetivos: Estudar os dermátomos L4 – L5 – S1 do membro inferior do ser humano, através da confrontação dos dados clínicos, eletroneuromiográficos, exames de imagem (TC e RM) e cirúrgicos. Materiais e métodos: Foram confrontados dados clínicos, eletroneuromiográficos, estudos de imagem por tomografia computadorizada ou ressonância magnética com os achados neurocirúrgicos em 59 pacientes com radiculopatias L5- L5-S1. Para diagnósticos topográficos do acometimento radicular motor foram utilizados os seguintes critérios de topografias dos miótomos: músculo vasto lateral (L4); músculos tibial anterior e extensor longo do hálux (L5); músculos gastrocnêmio e sóleo (S1).
Os dados de ENMG, imagem e achados cirúrgicos foram confrontados com os dados clínicos, para definição dos prováveis territórios anatômicos dos dermátomos descritos (L4-L5_S1). Resultados: Foi observada grande variabilidade clínica, de um para outro paciente. Entretanto, foi possível concluir, pela análise dos dados dos membros superiores, nos 59 pacientes, que o dermátomo L4 provavelmente esteja localizado na face medial da perna, e o L5, na face lateral da perna e S1 na face plantar do pé.
Conclusões: O dermátomo L4 situa-se provavelmente na face medial da perna; O dermátomo L5 situa-se provavelmente na face lateral da perna e no dorso do pé; O dermátomo S1 situa-se provavelmente na região plantar do pé.

1. Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil;
2. Departamento de Morfologia - FOP - UNICAMP, Campinas - SP, Brasil.


T13 Aspectos da linguagem de crianças soropositivas para o HIV.

Guedes-Granzotti, R. B., Takayanagui, O. M.

Na infância, a infecção pelo HIV parece ser mais agressiva, com períodos de latência e de sobrevida mais curtos que na população adulta. Além disso, a ocorrência do comprometimento do Sistema Nervoso Central (SNC) numa fase de desenvolvimento acarreta manifestações clínicas variáveis e, na maioria das vezes, muito distintas daquelas observadas nos pacientes adultos. A incidência desses distúrbios neurológicos varia de 30% a 90% nos pacientes pediátricos considerando a idade, a gravidade e o comprometimento imunológico. Atualmente muitas são as teorias que favorecem o
ponto de vista de que a linguagem é inata; baseada na expressão genética de determinadas características do SNC e subordinada a fatores biológicos comuns à espécie humana. No entanto no início do desenvolvimento da criança, o potencial biológico sofre diferenciação e molda-se de acordo com o ambiente cultural ao qual o indivíduo pertence. A linguagem está, portanto, estritamente relacionada ao ambiente sócio-familiar em que a criança está inserida e à maturação cerebral (mielinogênese), principalmente das áreas envolvidas no processamento neural da linguagem que, de acordo com alguns modelos, atua de forma seriada e paralela. O objetivo desse trabalho foi verificar a competência lexical e aBN presença de distúrbios fonológicos na linguagem de crianças portadoras do HIV. A população estudada foi composta por 31 crianças com idades entre três anos e quatro meses e sete anos e onze meses que adquiriram o HIV por transmissão vertical. Na avaliação do vocabulário 100% das crianças apresentaram resposta inadequada para a idade em pelo menos dois campos conceituais distintos e na avaliação fonológica 67,7% das crianças avaliadas fizeram uso de algum processo não adequado para a idade, portanto, consideradas portadoras de distúrbio fonológico. Além disso, as crianças que apresentaram maior comprometimento da linguagem foram aquelas em estado mais avançado da doença.
Este trabalho demonstrou que o grupo estudado é de alto risco para alterações de linguagem e que o acompanhamento fonoaudiológico precoce e freqüente é fundamental para identificar essas alterações e instituir terapêutica adequada a fim de aumentar as possibilidades de superação das mesmas.

Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, São Paulo - SP, Brasil.


T14 Exame de afasia m1-alpha: uma proposta para readequação ao português.

Fabiane Couto Garcia, Osvaldo Massaiti Takayanagui

Tema: Desde meados do século XX vêm em contínuo crescimento as pesquisas em avaliação das afasias, sendo criados inúmeros

testes em diferentes países. Alguns desses instrumentos de avaliação foram traduzidos e adaptados à população brasileira, dentre eles o Protocolo Montreal-Toulouse de Exame de Afasia M1- Alpha. A partir de então, o M1-Alpha é uma das baterias de testes de afasia mais citadas e aplicadas no Brasil, entretanto, sofreu algumas críticas desde sua adaptação à língua portuguesa.
Objetivo: A presente dissertação teve como objetivo analisar as falhas do Exame de Afasia M1-Alpha expostas pela literatura, aplicar este instrumento de avaliação em indivíduos sem alterações neurológicas, avaliar a necessidade de readaptação cultural e linguística pela conjugação de todos os dados obtidos e sugerir modificações para o seu aprimoramento.
Método: Foram selecionados 35 sujeitos sem alterações neurológicas, os quais foram divididos em grupos de acordo com o gênero, faixa etária, nível de escolaridade, hábito de leitura e escrita. Após foi realizada a avaliação de linguagem com o M1-Alpha, sendo aplicadas as provas de acordo com as regras estabelecidas pelo teste e também foi solicitado aos participantes que descrevessem todas as figuras nele contidas. Resultados: 97,1% dos participantes cometeram algum erro nas provas do M1-Alpha, o maior número de erros ocorreu nas provas de expressão oral e compreensão escrita, houve ausência do aumento do grau de complexidade entre as provas de compreensão escrita com mais erros para palavras, observou-se mais erros para repetição que para leitura e denominação com diferença estatisticamente significativa, correlação entre escolaridade e compreensão escrita de frases complexas e cópia e falhas nas interpretações de algumas figuras.
Discussão: Foram analisadas as críticas e sugestões, conjugados os dados desta análise e dos resultados e direcionadas algumas sugestões para a readequação do Exame de Afasia M1-Alpha.
Conclusões: Comprovou-se a necessidade de readequação cultural e lingüística deste instrumento, tais como: modificação de algumas figuras, inclusão de avaliação das habilidades pragmáticas, exclusão do artigo na ordem dada nas provas de compreensão, criação de oposições grafêmicas, alteração em alguns estímulos das provas de repetição e leitura em voz alta e inclusão de nova forma de cotação.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto / SP, Brasil.

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL / EPILEPSIA / SÍNDROME ROMBERG


T15 Análise crítica do tratamento cirúrgico dos aneurismas cerebrais em instituição pública de ensino no
Interior de São Paulo. Resultados, dificuldades e perspectivas. Estudo de 466 aneurismas de 290 pacientes.

Marco Antonio Zanini, Antonio Tadeu de Souza Faleiros, Carlos Clayton Macedo de Freitas, Roberto Colichio Gabarra, Luiz Antonio de Lima Resende

Introdução: O tratamento cirúrgico através de clipagem dos aneurismas cerebrais teve seu desenvolvimento estabelecido nas últimas décadas. O conhecimento da anatomia microcirúrgica, treinamento em laboratórios, e instrumentação básica de microcirurgia não são dependentes de grandes aparatos tecnológicos, e permitem aos neurocirurgiões de países em desenvolvimento o manejo dos aneurismas cerebrais com recursos existentes nos hospitais públicos, com custos acessíveis.
Objetivos: O objetivo deste trabalho é analisar os resultados cirúrgicos dos aneurismas cerebrais realizados em uma instituição pública de ensino do interior.
Métodos: Foram analisados retrospectivamente os dados de 322 cirurgias consecutivas em 290 pacientes, para tratamento de 466 aneurismas, no período de 01/01/1998 a 31/12/2006, e informações como idade, sexo, condições clínicas segundo a escala de Hunt-Hess no momento da admissão e no pré-operatório imediato. Determinou-se o tempo decorrido entre HSA e chegada no Serviço de Neurocirurgia (T1), entre a admissão e a cirurgia (T2), e entre a HSA e a cirurgia (T3).
Avaliaram-se: a) quantidade de sangramento pela tomografia computadorizada, segundo a escala de Fisher; b) características angiográficas: localização do aneurisma, presença de outros aneurismas não rotos, multiplicidade, presença de vasoespasmo; tamanho dos aneurismas: pequeno (<7mm); médio (7 -14mm); grande (15-24mm); gigante (> 24mm); c) aneurisma principal, hemorragia intraparenquimatosa, hidrocefalia, ruptura intra-operatório, clipagem temporária do vaso principal. O resultado final do tratamento foi avaliado pela escala de alta de Glasgow (GOS), sendo considerado resultado bom GOS de 5 ou 4, ruim GOS 3 ou 2 e morte GOS 1. Resultados: No período de 9 anos, foram realizadas 322 cirurgias em 290 pacientes para tratamento de 466 aneurismas intracranianos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. Destas, 266 cirurgias para tratamento de aneurismas rotos (com hemorragia subaracnóidea) e 56 cirurgias para aneurismas não rotos (incidentais). Todas as cirurgias foram realizadas com Médicos Residentes durante seu treinamento microcirúrgico, acompanhados ativamente por um preceptor (MAZ) em mais de 90% dos casos. A maioria dos pacientes eram mulheres (3:1) e a idade variou entre 14 a 85 anos (média de 50,1 anos). A localização mais comum dos aneurismas principais foi na artéria cerebral média com 95 aneurismas operados (29,5%), seguidos da artéria carótida interna, segmento comunicante posterior (22,7%) e do complexo da comunicante anterior (21,1%). Na circulação posterior foi mais comum na artéria basilar com 11 casos (3,4%), seguido da artéria cerebelar posterior e inferior com 5 casos (1,6%). Quanto ao tamanho, 253 aneurismas (78,5%) eram pequenos ou médios, enquanto 69 eram grandes ou gigantes (21,4%). Dos pacientes com aneurismas rotos (266 pacientes), a maioria estava em boas condições clínicas (GOS 1 e 2) na admissão (58,6%) e no momento da cirurgia (69,1%), embora houvesse número relativamente alto de pacientes em péssimas condições clínicas (GOS 4 e 5), que foram operados (12,4%). Quanto ao momento da cirurgia em relação ao evento hemorrágico, 66 (24,8%) foram operados dentro de 3 dias da HSA, 98 (36,8%) entre 4 e 15 dias e 102 (38,3%) após 15 dias. Hemorragia intraparenquimatosa ocorreu em 42 pacientes (15,8%); hidrocefalia em 61 (23,7%); vasoespasmo cerebral em 55 (21,4%). Em toda casuística, ocorreu ruptura intraoperatória em 40 (12,6%) e clipagem temporária em 73 (23%). De acordo com a escala de alta de Glasgow (GOS), 70,2% com GOS 5, 13% com GOS 4, 5,9% com GOS 3, 1,2% com GOS 2 e 9,6% com GOS 1 (mortalidade cirúrgica). Conclusão: Grandes dificuldades são encontradas na rede pública de saúde que atrasam o atendimento precoce dos pacientes com aneurisma cerebral, particularmente nos encaminhamentos e nas condições intra-hospitalares. Apesar  disso, a análise da série cirúrgica em um hospital público de ensino, onde residentes participam ativamente nas microcirurgias vasculares para aneurisma cerebral, mostram que resultados similares ou melhores que as grandes séries apresentadas na literatura podem ser alcançados.

Departamento de Neurologia e Psiquiatria - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil.


T18 Tratamento profilático intermitente da crise febril: estudo com o Clobazam e o Clonazepam

Francini Cruz Gomes da Fonseca Sepulcri, Luciana Midori Inuzuka, Marlene Aparecida Turcato, Carolina Araújo Rodrigues Funayama, Regina Maria França Fernandes

Introdução: A Crise Febril (CF) é evento característico da primeira infância, estimando-se que 2% a 5% das crianças abaixo de 5 anos apresentarão pelo menos uma crise epiléptica na vigência de febre. Apesar do grande número de trabalhos sobre este tema, persistem questionamentos referentes a fatores de risco de recidiva e à melhor abordagem terapêutica da CF. Objetivos: 1)Avaliar a eficácia do tratamento profilático intermitente da CF com benzodiazepínicos; 2) Comparar a eficácia do Clobazam (CBZ), a 0,5 mg/Kg/dia, e do Clonazepam (CNZ), a 0,1 mg/Kg/dia, na profilaxia intermitente da CF; 3) Avaliar a freqüência de recidiva de CF com a utilização destas medicações; 4) Avaliar a associação da presença de fatores preditivos de recorrência com a recidiva da CF; 5) Avaliar a freqüência de efeitos adversos do Clobazam e do Clonazepam durante sua utilização. Metodologia: Avaliação prospectiva de crianças submetidas a tratamento profilático intermitente de CF com CBZ (admissão no trabalho em dias pares) ou CNZ (admissão em dias ímpares), no período de abril de 2002 a outubro de 2004, no HCFMRP-USP, segundo critérios préestabelecidos de inclusão e exclusão. RESULTADOS: das 96 crianças inicialmente selecionadas, 69 mantiveram-se no estudo, 2 das quais submeteram-se à troca de medicação, respectivamente, CBZ para CNZ e vice-versa, por intolerância. Foram assim consideradas 71 crianças, 29 (40,8%), no grupo do CBZ, e 42 (59,2%), no do CNZ. RESULTADOS e CONCLUSÕES: O tratamento profilático da CF com benzodiazepínicos foi eficaz, tendo ocorrido recidiva das crises em apenas 2,9% dos episódios febris nos quais a medicação foi administrada contra 56% de recidiva naqueles em que esta não foi usada (p<0,01), tanto com uso do CBZ (2,5% contra 60%), quanto do CNZ (3,4% contra 54,3%). As eficácias do CBZ e do CNZ na profilaxia da CF foram estatísticamente semelhantes. Em 25% das crianças, ocorreu uma falha do tratamento profilático intermitente pela falta de tempo hábil para a administração da medicação, antes de ocorrência da CF. O tratamento profilático intermitente mostrou-se eficaz mesmo na presença de fatores estabelecidos na literatura como predisponentes à recidiva de CF. Os efeitos adversos mais comuns foram irritabilidade (28,5%), ataxia (14,3%) e agitação psicomotora (11,9%), com o uso do CBZ, e agitação psicomotora (13,8%), irritabilidade (13,8%), vômitos (10,3%) e sonolência (10,3%), com o uso de CNZ. Tais efeitos foram transitórios, limitando o uso das drogas em apenas 1,4% das crianças. A freqüência de efeitos adversos foi semelhante entre crianças que utilizaram CBZ (41,3%) e CNZ (59,5%), com predomínio de vômitos, no grupo do CBZ, e de ataxia, no grupo do CNZ.


T16 Aneurisma cerebral dentro de cisto de aracnóide: forma variante de displasia ? Relato de 2 casos.

Marco Antonio Zanini, Antonio Tadeu de Souza Faleiros, Carlos Clayton Macedo de Freitas, Roberto Colichio Gabarra, Luiz Antonio de Lima Resende

Introdução: Aneurismas intracranianos e cistos aracnóides são patologias comuns, mas associação entre ambos é rara. O objetivo deste trabalho é descrever 2 pacientes com aneurismas cerebrais dentro de cistos aracnóideos, com hemorragias intracísticas, cujas manifestações clínicas foram incomuns, de cefaléia fraca e transitória, sem vômitos ou alterações da consciência. Um paciente apresentava formato normal do crânio, o outro apresenta dismorfia fronto-temporal congênita, incluindo displasia óssea, caracterizando provável disembriogênese mista (provavelmente mesodérmica e ectodérmica). Estes 2 pacientes, juntamente com os outros 5 da literatura, e publicações recentes de malformações vasculares na síndrome de Romberg, incluindo aneurismas gigantes, sugerem a possibilidade da existência de um continum de dismorfias crânio-faciais, variando de formas mínimas, discretas e paucisintomáticas, a formas acentuadamente dismórficas e graves, que freqüentemente resultam em grandes síndromes neurológicas ou até óbito.

Departamento de Neurologia e Psiquiatria - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil.


T17 Acidente vascular cerebral em pacientes jovens. Análise de 333 casos.

Viviane de H F Zétola, Marcos C Lange, Juliano A Muzzio, Fábio Siquineli,Felipe Nóvak, Fernando Gonçalves, Edison M Nóvak, Lineu C Werneck

Introdução: o acidente vascular cerebral (AVC) tem sua maior incidência entre a 7ª e 8ª décadas de vida. Entretanto, pode ocorrer mais precocemente e ser relacionado a outros fatores de riscos, como os distúrbios da coagulação, as doenças inflamatórias, imunológicas e o uso de drogas. O estudo de AVC em pacientes jovens tem sido objeto de estudo e discussão principalmente pelo considerável impacto individual e sócio-econômico causado pela elevada taxa de morbi-mortalidade que pode causar nessa população economicamente ativa. No presente estudo, os autores têm como objetivo analisar as características epidemiológicas dos pacientes com AVC antes dos 50 anos de idade, caracterizando suas principais apresentações e fatores de risco relacionados para adequação no atendimento destes pacientes. Material e Métodos: foram selecionados retrospectivamente 333 pacientes com AVC entre 15 e 49 anos em acompanhamento no Ambulatório de Doenças Cerebrovasculares do Serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná entre janeiro de 1998 e março de 2006. Resultados: foram analisados a presença de hipertensão arterial (HAS), diabetes (DM), dislipidemia, tabagismo, alcoolismo e outros fatores de risco menos comuns. O AVCi foi o tipo mais comum ocorrendo em 79,5% dos pacientes, seguido pelo AVCh (21,5%). A idade média foi de 45 ± 11 anos, sendo 54,9% do sexo feminino e 45,1% do sexo masculino. A HAS esteve presente em 48,3% do pacientes, DM em 9,9%, dislipidemia em 24,9%, tabagismo em 46,2% e alcoolismo em 15%.
Conclusões: embora a população jovem possua determinantes diferentes e geralmente deva ter uma investigação etiológica mais abrangente, no grupo estudado foram prevalentes os fatores de risco conhecidos e potencialmente controláveis, sugerindo que campanhas de prevenção e detecção precoce devam ser incentivadas.

Universidade Federal do Paraná, Curitiba- PR, Brasil. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil.


T19 Revisão de literatura sobre a Síndrome de Romberg.

Luiz Antonio de Lima Resende, Alessandara S V Adamo

Este trabalho apresenta revisão de literatura sobre a Síndrome de Romberg, incluindo 128 referências bibliográficas contidas em tese de Livre-Docência sobre o tema, e as principais publicações sobre a doença nos últimos 5 anos. Após revisão de literatura e análise de vários pacientes atendidos com este diagnóstico nos últimos 25 anos, os autores propõem classificação em 4 grandes grupos: I – Síndrome de Romberg do tipo simpática; II – Síndrome de Romberg do tipo esclerodérmica; III – Síndrome de Romberg idiopática; IV – Síndrome de Romberg familial. Em alguns casos com a forma esclerodérmica foram encontradas evidências de neuropatias de nervos cranianos (incluindo-se 2 de nossos pacientes com biópsia de músculo e análise histoquímica). Nas publicações de casos familiais há pacientes com o tipo simpático ou com o tipo esclerodérmico. Após 160 anos da descrição de Romberg, a neurologia tem mais perguntas do que respostas para esta grave e controversa condição clínica.

Departamento de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil.


T20 Síndrome de Romberg: aspectos históricos e nomenclatura.

Luiz Antonio de Lima Resende

A síndrome de Romberg é denominada de várias formas, incluindose síndrome de Parry-Romberg, hemiatrofia facial progressiva, atrofia hemifacial, atrofia hemifacial progressiva, esclerodermia localizada na face, dentre outras denominações. Nosso objetivo no presente trabalho é apresentar documentos históricos que sugerem a existência da síndrome anteriores a Parry e a Romberg, incluindo-se obras de arte da pintura alemã do século XVI (Grünewald e Lucas Cranach, O Velho), o “Retrato de Gérard de Lairesse”, de Rembrandt, o retrato de Denis Diderot (Berthellemy), o “Retrato de William Baxter”, e a pitoresca descrição da síndrome existente no romance Moby Dick. Além do histórico, serão apresentadas argumentações de que a melhor denominação para esta controversa condição clínica seria “Síndrome de Romberg”.

Disciplina de Neurologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil.

DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO

T21 A novel missense mutation pattern of the GCH1 gene in dopa-responsive dystonia.

Rosana H. Scola1, Carla Carducci2, Vanise G. Amaral1, Paulo J. Lorenzoni1, Helio A.G. Teive1, Thereza Giovanniello2, Lineu C. Werneck1

Dopa-responsive dystonia (DRD) is an inherited metabolic disorder now classified as DYT5 with two different biochemical defects: autosomal dominant GTP cyclohydrolase 1 (GCH1) deficiency and autosomal recessive tyrosine hydroxylase deficiency. We report the case of a girl with progressive generalized dystonia and gait disorder. The condition was caused by compound heterozygous mutations in the GCH1 gene: the previously reported P23L mutation and a new Q182E mutation. The characteristics of the DRD and the new molecular genetic findings are discussed.

1. Universidade Federal do Parana, Curitiba-PR, Brasil; 2. University of Rome “La Sapienza”, Roma, Itália.


T22 Early-onset Parkinson´s disease and
depression.

Hélio AG. Teive, Délcio Bertucci Filho, Lineu Cesar Werneck

Background:Patients with Parkinson’s disease in whom symptoms start before the age of 45 years (EOPD) present different clinical characteristics from those with the late-onset form of the disease.The incidence of depression is believed to be greater in patients with EOPD than with the late-onset form of the disease, although there is no risk factor or marker for depression in patients with PD.
Objective: We studied 45 patients with EOPD to define the frequency of depression and to identify possible differences between the groups with and without depression. Patients/Methods: Patients diagnosed with EOPD according to the following criteria were studied. Inclusion criteria: 1) diagnosis of idiopathic PD (IPD) based on the presence of at least two of the following signs or symptoms: bradykinesia, tremor, muscular rigidity, and postural instability; 2) good response to levodopa treatment (> 30%); 3) progressive disease; 4) the absence of clinical signs characteristic of other alternative diagnoses; 5) the absence of significant early cognitive change; 6) the absence of a known etiological factor for parkinsonism; 7) the onset of symptoms before the age of fortyfive years. Patients were considered to have major depression if they had 5 or more of the 9 symptoms of the criteria of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders 4th Edition (DSM-IV); one of these symptoms had to include anhedonia or depressed mood for at least 2 weeks. We used the Hamilton scale with 17 items to quantify the severity of the depression. The DSM-IV and Mini Mental State Examination (MMSE) were used as criteria to diagnose dementia. The severity of PD was quantified using the Hoehn-Yahr scales, the Unified Parkinson Disease Rating Scale (UPDRS) motor examination and the Schwab and England activities of daily living.Forty-five patients were found to fulfill the above criteria.
The patients were divided into two groups after assessment: Group 1, which consisted of cases with depression, and Group 2, those without depression. For statistical analysis we used the Student one-sided ‘t’ test, the Mann-Whitney and Pearson and Spearman tests, the chi-squared test with Yates correction and the Fisher test. Results: Depression was diagnosed in 16 (35.5%) of the patients, a higher incidence than in the population at large but similar to the figure for late-onset Parkinson disease; 8 (50%) of the patients had mild depression, 4 (25%) moderate depression and 4 (25%) were in remission. Conclusions: There was no relationship between depression and any of the clinical characteristics of the disease, although the EOPD presented earlier levodopa-related complications and were more affected on the Hoehn-Yahr, UPDRS and Schwab-England scales.

Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curitiba- Pr, Brasil.


T23 Avaliação da Função Cognitiva em Doença de Parkinson Idiopática.

Mauro R. Piovezan, Helio A.G.Teive, Elcio J. Piovesan, Maria J. Mader, Lineu C. Werneck

A doença de Parkinson idiopática (DP) caracteriza-se pela redução da influência dopaminérgica nigroestriatal e cortical, com alterações em movimentos e posteriormente, comportamentais e cognitivas.Estudamos o comprometimento cognitivo de pacientes portadores de DP, avaliando 30 pacientes com Doença de Parkinson Idiopática(GP) com média de idade de 64,23 anos e os comparamos com um Grupo Controle (GC) de 30 pacientes. Todos os pacientes foram submetidos as seguintes avaliações: motora pela escala de UPDRS; estadiamento pela escala de Hoehn-Yahr (sómente GP); depressão pela escala de Montgomery-Asberg; comprometimento da atenção; fluência verbal (FAR e animais); função cognitiva pelo Mini Exame do Estado Mental; funções visuoespaciais e executivas e desenho do relógio. Concluímos que na DP os pacientes apresentam além das alterações motoras diferenças estatisticamente significativas a nível cognitivo, na função verbal, funções executivas, visuoespaciais e distúrbios de atenção.
Depressão foi mais prevalente no GP.

HC-Universidade Federal do Paraná, Curitiba-PR, Brasil.


T24 Clinical Correlates of Side-to-Side Symmetry in Parkinson s Disease.

Renato Puppi Munhoz2, Hélio G Teive1, Lineu C Werneck1

Background: Parkinson disease (PD) is characterized by resting tremor, rigidity, bradykinesia, and postural instability. Although symptoms of PD are initially unilateral, both body sides will eventually become affected with some degree of asymmetry remaining evident throughout the disease course. In cases of symmetric symptoms, the possibility of atypical forms of parkinsonism should be suspected. A minority of cases, however, will not fulfill criteria for diagnoses other than PD despite exhibiting symmetric symptoms. In this study we evaluated the clinical profile of PD patients with symmetric motor symptoms in comparison with those presenting more typical asymmetric parkinsonism. Design/Methods: A total of 909 patients with parkinsonism were assessed after a 12 hour dopaminergic drug withdrawal following a standardized protocol including clinical data, UPDRS-III, Hoehn &Yahr staging, assessment for the presence of dementia and psychosis. Subjects included were followed clinically for a minimum of 2 years. Differential diagnoses of parkinsonian syndromes were defined by specific criteria as established in the literature. Asymmetry was defined by specific differences in side-to-side comparison of each UPDRS III items related to tremor, rigidity and bradykinesia. Results: Overall sample was predominantly men (54,5%), with mean age 67,6 years and symptomatic disease duration 7,3 years (mean age of onset 60,4 years). Symmetric symptoms were detected in 240 (26.4%) subjects: 69 (28.7%) had PD, 56 (23.3%) drug induced parkinsonism (DIP), 40 (16.6%) vascular parkinsonism (VP), 25 (10.4%) Lewy body dementia (LBD), 22 (9.1%) multiple system atrophy (MSA), 20 (8.3%) progressive supranuclear palsy (PSP), 8 (3.3%) normal pressure hydrocephalus. 669 subjects had asymmetrical symptoms. Only 24 (3.5%) had non-PD diagnoses: 7 MSA, 4 each with VP, LBD and corticobasal degeneration, 3 with DIP and 2 with PSP. Mean age for patients with symmetrical PD (SPD) was 73 ± 9,1 years, with symptoms onset at mean age 66,4 ± 9,7 years (duration 6,5 ± 3,7). Mean age for patients with APD was 65,9 ± 11,8 years, with symptoms onset at mean age 57,4 ± 12,2 years (duration 8,4 ± 5,7). Differences for age, age of onset and disease duration were significant. H&Y staging scores were significantly worse for SPD cases (3,2 versus 2.2), as well as the score for postural instability (1,4 versus 0.8). Psychosis, dementia and REM sleep behavior disorder were significantly more common amond SPD patients. Rigid akinetic parkinsonism was found in 46% of SPD and in 13% of APD cases. Conclusions: PD is an unusual presentation of PD and usually indicates alternative diagnoses. SPD was associated with older age, later disease onset, worse disease severity despite shorter duration, rigid akinetic parkinsonism, worse postural instability and prevalences of psychosis, dementia and REM sleep behavior disorder.

1. Serviço de Neurologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR, Brasil; 2. Associação Paranaense de Portadores de Parkinsonismo, Curitiba - PR, Brasil.


T25 Distonia cervical: Aspectos clínicos e terapêuticos de 85 pacientes.

Hélio AG. Teive, Carlos Henrique F. Camargo, Nílson Becker, Rosana H. Scola, Lineu Cesar Werneck

Fundamentos: A distonia é definida como uma síndrome caracterizada por contração muscular sustentada causando torção, movimentos repetitivos ou posturas anormais. A maioria dos músculos voluntários pode ser afetada e quando atinge a musculatura do pescoço denomina-se distonia cervical. Há uma ampla variedade terapêutica para distonia cervical desde tratamento clínico até cirúrgicas periféricas e do sistema nervoso central. Contudo, a toxina botulínica é considerada como tratamento de primeira escolha. Objetivo: Os objetivos deste estudo são identificar o perfil clínico dos pacientes com distonia cervical atendidos no Hospital de Clínicas –UFPR e analisar a resposta ao tratamento com toxina botulínica quanto a severidade das alterações motoras e dor. Material/Métodos: Para identificar os aspectos clínicos e a resposta a toxina botulínica A (TxBA), 85 pacientes com distonia cervical (DC) foram submetidos a avaliação clínica, laboratorial e neuroimagem. Os critérios de inclusão foram: (1) apresentar distonia cervical focal ou segmentar; (2) apresentar distonia generalizada, hemidistonia ou distonia multifocal com indicação de tratamento com toxina botulínica A para distonia cervical.O tratamento clínico pré-inclusão foi mantido e nenhum paciente foi submetido a tratamento cirúrgico durante o tempo do estudo. Os pacientes foram submetidos a terapêutica com toxina botulínica A (Botox®, Allergan, Irvine, CA, USA).A escolha, localização e a quantidade de toxina botulínica por músculo foram determinadas por avaliação clínica com auxílio de eletromiografia.
Os pacientes foram avaliados na admissão e após aproximadamente 14, 30 e 120 dias do início do tratamento para comparação do grau de severidade, incapacidade e dor através de: Toronto Western Spasmodic
Torticollis Rating Scale (TWSTRS - Severity); Segmento cervical da Escala de Fahn-Marsden para distonia (FMS); Escala de incapacidade de Jankovic (JDS) e Escala analógica de dor (0=ausência de dor, 1-3 = dor leve, 4-6= dor moderada, 7-9= dor forte, 10= dor incapacitante). Toda a análise estatística foi realizada com o programa Statistica for Windows versão 99. As diferenças foram consideradas significativas quando p<0.05. Resultados: O tratamento com TxBA foi aplicado a 81 pacientes guiado por eletroneuromiografia. Quatro (4,7%) pacientes, com tratamento prévio, foram considerados em remissão. A média de idade de início dos sintomas de pacientes com distonia focal e segmentar foi maior que a encontrada em pacientes com distonia generalizada (p<0,0003). A severidade ocasionada pelas alterações motoras cervicais foi maior entre os pacientes com distonia generalizada que nos pacientes com distonia focal (p<0,001). Diferentes graus de dor na região cervical foram relatados por 59 (69,4%) dos pacientes. Não foi possível determinar a etiologia da doença em 62,3% dos pacientes e entre as etiologias encontradas distonia tardia foi a mais comum. Houve uma grande melhora dos sintomas motores e da dor cervical da DC com a aplicação de TxBA. O subgrupo de pacientes com distonia tardia não respondeu ao tratamento. Houve pouca complicação com disfagia sendo relatada em 2,35% dos pacientes. Conclusões: Conclui-se que apesar da distonia cervical se apresentar de forma heterogênea e complexa tem a toxina botulínica como uma forma eficaz e segura de tratamento.

Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curitiba- PR- Brasil.


T26 Diagnóstico Etiológico e Perfil Clínico de Pacientes com Parkinsonismo Atendidos no Ambulatório de Distúrbios do Movimento da Universidade Federal do Paraná.

Renato Puppi Munhoz2, Hélio G Teive1, Lineu C Werneck1

Introdução: Parkinsonismo é definido pela presença de pelo menos dois de quatro sinais cardinais: tremor de repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural. O termo parkinsonismo engloba qualquer condição que curse com esta combinação de sintomas. A diferenciação etiológica é importante por suas diversas implicações relacionadas a terapêutica e prognóstico. Os objetivos do presente estudo foram investigar os diagnósticos etiológicos de pacientes com parkinsonismo acompanhados num centro de distúrbios de movimento. Material e Métodos:
Foram analisados retrospectivamente os prontuários de todos os pacientes com diagnóstico sindrômico de parkinsonismo seguidos pelo ambulatório de distúrbios do movimento do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná entre julho de 2005 e julho de 2006. Os dados coletados fazem parte do protocolo usado pelo serviço para pacientes com parkinsonismo e incluiu: identificação, sexo, idade atual, idade de início dos sintomas, tempo de doença, presença de história familiar, dominância, sintomas de parkinsonismo, presença de demência, alucinações visuais e distúrbio comportamental do sono REM, tratamento, estadiamento e diagnóstico final.
Resultados: Um total de 834 prontuários foram analisados. Quatrocentos e cinqüenta e oito (54,78%) destes eram de pacientes do sexo masculino. A idade média foi de 67,47 (±11.98) anos, com idade média de início 59,85 (±13,13) anos e 7,68 (±6,04) anos de duração da doença. Seiscentos e cinqüenta e dois (77,99%) pacientes tinham diagnóstico de DP, 53 (6,33%) parkinsonismo medicamentos; 38 (4,5%) parkinsonismo vascular; 29 (3,4%) demência com corpos de Lewy; 24 (2,8%) atrofia de múltiplos sistemas, 17 (2%) paralisia supranuclear progressiva. Hidrocefalia de pressão normal e demência fronto-temporal foram detectados em 5 (0,6%) pacientes cada. Conclusão: Diferente de outros estudos, a população estuda em no estudo aqui descrito tem grande prevalência de parkinsonismo medicamentoso. Formas degenerativas tem frequência semelhante à descrita na literatura.

1. Serviço de Neurologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR, Brasil;
2. Associação Paranaense de Portadores de Parkinsonismo, Curitiba
- PR, Brasil.


T27 Bizarre Movement Disorders – Report of 3 Atypical Cases of MD.

Giorgio Fabiani, Hélio Teive, Lineu César Werneck

Movement disorder refers to several conditions that prevent normal movement. They are characterized by either lack of movement or excessive movement. We report three cases of atypical MD that caught our attention. CASE 1 A 37-year-old female, with palatopharyngo- laryngeal tremor that is an unusual variant of the palatal tremor that started 12 years ago suddenly with involuntary movements of the anterior neck, throat and soft palate; the involuntary rhythmic movements were visible and palpable at a rate from 60 to 180 times per second. Electromyography of neck muscles with electrodes placed on both sides, demonstrated continuous muscular “bursts” or myoclonus rates of firing ranging from 50 to 200 times per minute. Laryngoscopy revealed bilateral cyclical and rhythmic laryngeal muscle spasms, affecting the glotic and supraglotic regions. CASE 2 We report on an unusual presentation of dystonia, affecting the frontalis, corrugator and procerus muscles, without any involvement of orbicularis oculimuscles. The patient is a 46-year-old, Afro-American male, professional bus-driver. Neurological exam disclosed abnormal and involuntary movements of frontalis, corrugator and procerus muscles, bilaterally, without any compromising of orbicularis oculi muscles. He also presented oculogyric deviations (up). These movements disappeared completely when he closed his eyes and reappeared few seconds after opening them. A diagnosis of focal dystonia was done. A total dose of 200/IU (intramuscular botulinum toxin type A - Dysport) was injected in the frontalis, corrugator and procerus muscles. After 3 weeks he underwent a new neurological examination and the dystonic symptoms had vanished. To best of our knowledge, this is the first report of sole frontalis, corrugator and procerus dystonia. CASE 3 A 24-year-old male presented to us with a task-specific dystonia after beginning a singer-career of Brazilian country-music, at 18-year-old. He presented difficulties to keep the voice normally pitched when singing, as he presented a turning of the head to the left and when he tried to keep his head on the right position his voice changed to a high-pitched, coarse or strangled tone. Neurological exam at rest was normal, but when singing Brazilian country-music, demonstrated a left-torticollis with severe right sternocleidomastoid muscle(SCM) hypertrophy.Electromyography demonstrated prolonged bursts on the right SCM only when singing. A diagnosis of a task-specific cervical dystonia was done. A total dose of 450 IU (BT-A; Dysport) was injected. After 3 weeks he underwent a new neurological examination and the dystonic symptoms and also the SCM hypertrophy had vanished. To best of our knowledge, this is the first report of singing-activated cervical dystonia (Torticollis), with the patient being absolutely normal, except when singing. Bizarre movement disorders are not the rule but are far from being uncommon as reported here.


T28 Distúrbios do Movimento Complexo em paciente idoso, com demência por múltiplos infartos.

Hélio AG Teive, Nílson Becker, Renato P.Munhoz, Lineu Cesar Werneck

Fundamento: Distúrbios do movimento são tradicionalmente divididos em síndrome rígido-acinética (parkinsonismo) e hipercinesias (discinesias). A associação de vários distúrbios do movimento hipercinéticos e hipocinéticos em um mesmo paciente é de ocorrência rara. Estes quadros podem ser secundários a múltiplas lesões dos gânglios da base e suas conexões.
Objetivo: Apresentar um paciente idoso com quadro de hemi-coréia/balismo, associado a parkinsonismo (DPI), com epilepsia secundária (crises parciais complexas), associado a demência, decorrente de múltiplos infartos cerebrais. Relato de caso: Paciente feminina, de 81 anos de idade, interna no Serviço de Neurologia do HC da UFPR, com quadro de início súbito, com movimentos involuntários anormais em dimídio direito, caracterizados como hemi-coréia/balismo. Durante o exame clínico neurológico apresenta crise convulsiva tipo parcial complexa, com o desaparecimento da hemi-coréia/balismo(vídeo 1). A paciente foi hidantalizada (EV) e fez uso de valproato de sódio (VO), com melhora do quadro convulsivo e da hemi-coréia/balismo. Após, nova avaliação em 48 hs, percebe-se quadro de rigidez muscular, com tremor de repouso em mão esquerda e bradicinesia (no dimídio esquerdo) caracterizando-se quadro de parkinsonimo, por provável DPI (vídeo 2). A paciente tinha também demência, com MEEM= 15. O exame de tomografia computadorizada do crânio demonstrou múltiplas áreas de infartos cerebrais, com atrofia cortical difusa e hidrocefalia supra-tentorial (ex-vácum). Familiares confirmaram posteriormente a história de múltiplos acidentes vasculares encefálicos, com evolução para demência, doença de Parkinson, além de quadro de crises convulsivas eventuais, com tratamento irregular. Conclusões: Os autores apresentam um quadro de distúrbios do movimento complexo, com a associação de parkinsonismo, hemi-coréia/balismo, epilepsia e demência.

Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curitiba- PR, Brasil. Hospital de Clinicas da Universidade Federal do Paraná, Paraná, Brasil.

MIOPATIAS / ESCLEROSE MÚLTIPLA


T29 Segurança e efetividade da toxina botulínica tipo A no tratamento da miotonia da mão, em pacientes com distrofia miotônica.

Helio Teive, Nilson Becker, Renato Nickel, Renato Munhoz, Juliana Cardoso, Paulo Lorenzoni, Claudia Kay, Rosana Scola, Lineu C. Werneck

Fundamento: A distrofia miotonica (DM) é uma doença multisistêmica, considerada a forma de doença muscular hereditária mais comum em adultos, a qual não apresenta ainda tratamento efetivo. Objetivo: Testar e descrever a eficácia e a segurança do uso de injeções de toxina botulínica tipo A (TB-A) para o tratamento da miotonia da mão em pacientes com DM.
Pacientes e Métodos: Foi realizado um ensaio aberto e não controlado em seis pacientes (cinco homens e uma mulher) com diagnóstico estabelecido de DM clínica e eletromiograficamente. O estudo foi aprovado pela comissão de ética do HC da UFPR e todos os pacientes assinaram o termo de consentimento informado. Todos os pacientes foram avaliados por um protocolo standard que incluiu a escala de força musuclar (MRC: 0-5), com a avaliação da miotonia através de filmagem com vídeo, na visita inicial, e nas visitas realizadas nos dias 15 e 30 após uso de TB-A, por um examinador que não era o médico injetor de TB-A. A TB-A foi injetada intra-muscularmente nos musculos da mão (palmar longo, adutor do polegar, flexor radial do carpo e flexor ulnar do carpo) bilateralmente em 4 pacientes e unilateralmente em 2 pacientes. A doses variaram de 15 a 60 unidades por mão, para cada paciente (Botox= 100 Unidades).
Resultados: Cinco dos seis pacientes com DM apresentaram significante melhora sintomática e funcional da miotonia (TB-A foi efetiva em oito mãos e inefetiva em duas mãos). Um paciente apresentou excessiva fraqueza muscular como efeito colateral.
Conclusão: Apesar de serem dados preliminares e com uma pequena amostra de pacientes, este estudo piloto sugere que as injeções de TB-A podem ser um tratamento alternativo seguro e efetivo para a miotonia de mão em pacientes com DM.

Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curitiba- PR- Brasil.

 

T30 Genética das Síndromes Miastênicas Congênitas.

Bianca Lamas Gervini1, Rosana Hermánina Scola1, Lineu César Werneck1, Claudia Suemi Kamoy Kay1, Paulo José Lorenzoni1, Violeta Mihaylova2, Hanns Lochmãller2

Objetivos: Descrever os achados da análise genética de pacientes com síndrome miastênica congênita.
Fundamentos: As síndromes miastênicas congênitas (SMC) são doenças genéticas causadas por disfunção na transmissão neuromuscular, classificadas em subtipos pré-sinápticos, sinápticos e pós-sinápticos.
O quadro clínico, os achados neurofisiológicos e a resposta terapêutica são variáveis conforme a alteração específica da junção neuromuscular, sendo o diagnóstico do subtipo específico confirmado através da análise molecular. Materiais e Métodos: Foram avaliados 9 pacientes, de 6 famílias diferentes, com diagnóstico de SMC, em acompanhamento no Serviço de Doenças Neuromusculares do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Todos apresentaram diagnóstico confirmado por biologia molecular. Os achados clínicos, alterações eletrofisiológicas e os demais exames complementares também foram avaliados. Resultados: Em 7 pacientes foram detectadas mutações nos genes da porção epsilon do receptor da acetilcolina (mutações CHRNE 70insG, CHRNE S235L,  CHRNE R286M e CHRNE L11P). Em um paciente foi detectada mutação heterozigótica no gene da porço beta do receptor da acetilcolina. Por último, em um dos pacientes foram evidenciadas duas mutações heterozigóticas no gene DOK 7 (S45L e 1124_1127dupTGCC). Conclusão: A análise genética permite o diagnóstico do subtipo específico de SMC e a determinação do mecanismo fisiopatológico responsável pela disfunção da transmissão neuromuscular. A identificação adequada dessas alterações, em alguns casos, é de suma importância na escolha terapêutica.

1. Serviço de Doenças Neuromusculares da Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR, Brasil;
2. Molecular Myology Lab Friedrich-Baur-
Institute, University of Munich, Munique, Alemanha.



T31 MELAS: Clinical, Muscle Biopsy and Molecular
Genetics

Paulo José Lorenzoni, Rosana Herminia Scola, Raquel Cristina Arndt, Aline Andrade Freund, Cláudia S. Kamoi Kay, Lineu César Werneck

Introduction: MELAS is one of the most frequent mitochondrial diseases characterized by mitochondrial encephalomyopathy, lactic acidosis, and stroke-like episodes. Objective: The objective of this study was to analyze the clinical findings, serum muscular enzymes and lactate, electrocardiogram and electromyographic findings, brain images, muscular biopsy features and molecular analysis in a series of patients suffering from MELAS.
Method: A retrospective analysis of 4300 muscle biopsies performed at the Service of Neuromuscular Diseases, Division of Neurology, from January 1978 to March 2007 disclosed 8 patients with a diagnosis of MELAS.
Results: The sample consisted of 3 female and 5 male, aged 3 to 22 years, in 6 patients onset was before age 15 years. The strokelike episodes was present in 100% of our group and the others symptoms reported were vomiting, headache, seizures, weakness, dementia, hearing loss, short stature, ocular symptoms, ataxia and facial neuropathy. Serum creatine kinase levels varied from one up time normal levels in 12.5%. Blood lactate levels was increased in all patients. The EMG pattern was myopathic in 25%, neurogenic in 25% and normal in the remaining 50%. Electrocardiogram showed abnormalities in 40% of patients. Brain image study reveals strokelike pattern in all patients with unilateral lesion in 50% of patients and bilateral in 50%. Frequency above 2% of ragged red fibers was found in 62.5% of patients on modified Gomori-trichrome stain and in 100% on succinate dehydrogenase stain. The molecular analysis (possible in the muscle biopsy of the 4 patients) showed the point mutation A3243G in mtDNA in 3 (75%) patients.
Conclusion: Clinical features, serum levels of muscular enzymes and lactate, electrocardiogram and electromyographic features, brain images and, especially, muscle biopsy features and molecular analysis
are discussed.

Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR, Brasil.


T32 Comparação clínica entre pacientes com oftalmoparesia externa progressiva (peo) e deleções múltiplas do mtdna e pacientes com peo e mutações primárias do mtdna.

Elmano Henrique Torres de Carvalho, Cláudia Ferreira da Rosa Sobreira, Luciano Neder Serafini, Sílvia A. Escarso

Introdução PEO é uma forma comum de apresentação de uma miopatia mitocondrial. Pode estar relacionada a mutações primárias do mtDNA, manifestando-se em casos esporádicos ou com padrão de herança materna. Pode ainda estar relacionada a deleções múltiplas do mtDNA, secundárias a mutações do nDNA e, neste caso, apresenta-se com padrão de herança autossômica dominante ou recessiva. Objetivos Caracterização clínicolaboratorial de pacientes com PEO e deleções múltiplas do mtDNA, comparando com pacientes com PEO e mutações primárias do mtDNA. Pacientes e métodos Seis pacientes com PEO e deleções múltiplas do DNA mitocondrial (grupo I) e 17 pacientes com PEO e mutações primárias do mtDNA (grupo II) atendidos no Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital das Clínicas da FMRP–USP foram submetidos à análise clínica e laboratorial detalhadas.
Resultados A média da idade de início foi 35,1 anos (grupo I) e 13,4 anos (grupo II). No grupo I, 5 pacientes apresentaram padrão de herança mendeliana, AD em 1 e AR em 4. O outro paciente referiu consangüinidade parental. No grupo II, todos os pacientes eram casos esporádicos. Os achados clínicos mais associados à PEO com deleções múltiplas do mtDNA foram fraqueza muscular, distúrbio da condução cardíaca e disfagia. A comparação entre os dois grupos evidenciou distribuição mais difusa da fraqueza muscular nos pacientes do grupo II. Os distúrbios da condução cardíaca foram mais graves nos pacientes do grupo II. Neste grupo mialgia e redução da capacidade vital pulmonar foram freqüentes, tendo sido raramente relatados na literatura. Atrofia óptica e retinose pigmentar foram observadas cada uma em 1 paciente do grupo II. Observamos aumento de CK em apenas 1 paciente de cada grupo e o lactato sérico dosado após esforço físico foi aumentado em 5 pacientes do grupo I e em 9 pacientes do grupo II. ENMG demonstrou padrão miopático em 1 paciente do grupo I e em 6 pacientes do grupo II e polineuropatia axonal em 1 paciente de cada grupo. A avaliação anatomopatológica demonstrou proliferação mitocondrial subsarcolemal em várias fibras de todos os pacientes (RRF), a maioria delas evidenciando atividade ausente da COX. Foram observadas RRF COX + em um paciente de cada grupo e este achado aparentemente se correlacionou com maior proporção de RRF. Os achados anatomopatológicos não foram capazes de diferenciar as duas doenças. O estudo molecular demonstrou deleções múltiplas do mtDNA em todos os pacientes do grupo I e, nos pacientes do grupo II, mutação de ponto A3243G em 2 pacientes e deleções únicas em 15 pacientes, sendo em 10 deles, deleção de 4997bp, conhecida por deleção comum. Conclusões PEO com deleções múltiplas do mtDNA e PEO com mutações primárias do mtDNA são doenças clinicamente semelhantes, embora alguns achados clínico-laboratoriais tenham diferido entre os grupos. Uma melhor caracterização clínica destas doenças poderá auxiliar durante a investigação clínica e o aconselhamento genético desses pacientes.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, Ribeirão Preto, Brasil.

T33 Perfil de citocinas no líquor e soro de pacientes com Lupus Eritematoso Sistêmico. Estudo comparativo com Esclerose Múltipla.

Heloísa Helena Ruocco, Carlos Otávio Brandão, Simone Apenzeller, Alessandro dos Santos Farias, Celina Oliveira, Dannie Eiko Maeda Hallal-Longo, Sandra Regina Mirandola, Elaine Conceição Oliveira, Fernando Cendes, Benito Pereira Damasceno, Leonilda Maria Barbosa Santos

Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença multi-órgão caracterizada pela hiperatividade de células B, levando à produção excessiva de auto-anticorpos e Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica, inflamatória e desmielinizante do sistema nervoso central caracterizada por linfócitos T específicos ativados contra componentes da mielina. Semelhanças entre ambas concernentes à clínica e Ressonância Magnética foram descritas. Os níveis de citocinas e síntese intratecal de IgG foram dosados no líquido cefalorraquidiano (LCR) e soro de pacientes com LES e EM, com o objetivo de avaliar o perfil de atividade inflamatória entre esses pacientes para uma melhor compreensão dos aspectos fisiopatológicos dessas doenças. Foram estudados 30 pacientes com LES e 23 pacientes com EM na forma surto-remissão e na ausência de sintomas clínicos. Citocinas foram quantificadas por kits comerciais pelo método Elisa de Captura. IGG e albumina foram detectadas por nefelometria e bandas oligoclonais IGG foram mensuradas por focalização isoelétrica. Foram detectados níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias (TNFá e IFNã) no LCR e soro, sem alterações significativas na produção de IL12 e IL10, enquanto o padrão de citocinas mais expressivo no LES foi o aumento de TNFá e IL12 no LCR e soro. O perfil de produção das citocinas pró-inflamatórias estava associado ao aumento de leucócitos no LCR, assim como a presença de bandas oligoclonais IgG, sugerindo síntese intratecal de IgG na EM, mas não no LES. Estes resultados sugerem que, mesmo quando a doença está clinicamente silenciosa, a atividade inflamatória está presente nestes pacientes e que a avaliação de parâmetros inflamatórios no LCR pode ser uma alternativa na constatação de atividade da doença.

UNICAMP, Campinas-SP, Brasil.

 

T34 Distúrbios do movimento hipercinéticos complexos em esclerose múltipla.

Rosana H. Scola, Cláudia Suemi Kamoi Kay, Paulo José Lorenzoni, Hélio A. G. Teive, Lineu C. Werneck

Esclerose múltipla é uma doença crônica caracterizada patologicamente por múltiplas áreas de inflamação e desmielinização de substância branca no sistema nervoso central, disseminadas no tempo e espaço. Distúrbios do movimento são secundários a lesões dos gânglios da base e suas vias aferentes ou eferentes. Relatos de distúrbios do movimento, particularmente balismo e tremor, em pacientes com esclerose múltipla são incomuns. Descrevemos o caso de uma paciente diagnosticada como esclerose múltipla secundariamente progressiva, não responsiva a tratamento, que evoluiu com movimentos hipercinéticos complexos cuja associação foi raramente descrita na literatura.

Universidade Federal do Paraná, Curitiba - Paraná, Brasil.

T35 O grupo de alelo HLA-DRB1*15 é associado com esclerose múltipla na população brasileira, o alelo DRB*1501 em brancos e o DRB1*1503 em mulatos.

Doralina Guimarães Brum Sousa1, Amilton Antunes Barreira1, Paulo Louzada-Junior2, Celso Teixeira Mendes-Junior2, Eduardo Antônio Donadi2

Fundamento: Esclerose múltipla é uma doença inflamatória multifatorial que afeta o sistema nervoso central. Fatores genéticos e ambientais provavelmente interagem na susceptibilidade, evolução e gravidade da doença. Porém, seus papéis ainda precisam ser melhores esclarecidos. A avaliação do fator genético, por meio do gene HLA-DRB1, na população brasileira é de particular interesse devido à alta miscigenação de etnias e uma relativa baixa prevalência da doença. Objetivo: Analisar o HLA-DRB1 em uma população brasileira com esclerose múltipla.
Sujeitos e métodos: O gene HLA-DRB1 foi analisado, após tipificação de 113 pacientes com esclerose múltipla recorrente-remitente, segundo os critérios de Poser. Os pacientes foram referidos ao HCFMRP-USP, entre julho de 2002 e dezembro de 2005. Oitenta e quatro eram brancos e 29 mulatos. A idade variou entre 12 e 53 anos. Todos os pacientes que expressaram o grupo HLA DRB1*15 foram tipificados também em nível de alelo. Resultados: O grupo de alelo DRB1*15 foi o único que foi significantemente diferente entre pacientes (amostra total) e controles (p = 0.0001; OR = 2.67). Em pacientes brancos a associação com a doença foi confirmada para o grupo de alelo HLA DRB1*15 (p = 0.0155; OR = 2.17) e o alelo DRB1*1501 (p = 0.0028; OR = 2.90). Já os pacientes mulatos apresentaram associação entre a doença e o alelo HLA-DRB1*1503 (p=0.0244, OR=4.61). Os resultados sugerem que um dado alelo HLA DRB1 pode exibir diferentes comportamentos, isto é, conferir resistência ou susceptibilidade em resposta aos fatores ambientais e genéticos que caracteriza determinada população.

1. Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade do Estado de São Paulo;
2.Divisão de Imunologia Clínica do Departamento de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão, Universidade do Estado de São Paulo. End.: Av. Bandeirantes nº 3900 -CEP 14049-900, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

SNC + ATAXIAS

T36 Proposta de classificação dos higromas subdurais traumáticos do adulto: análise da patogênese incluindo modelo matemático de medidas ventriculares.

Marco Antonio Zanini, Antonio Tadeu de Souza Faleiros, Luiz Antonio de Lima Resende

Introdução: Higroma subdural traumático (HST) é o acúmulo de líquido céfalo-raqueano (LCR) no espaço subdural e é achado relativamente comum após traumatismo crânio-encefálico. Os mecanismos de formação e história natural não estão claramente definidos e muitas questões permanecem sem resposta. Este estudo propõe classificação baseada na patogênese dos HST, incluindo modelo matemático de medidas ventriculares.
Casuística e métodos: Foram estudados 34 pacientes adultas consecutivos clinicamente e com tomografia computadorizada evolutiva durante período de vários meses. O diagnóstico de HST foi baseado nos critérios da literatura de coleção subdural hipodensa póstraumática, sem relce após contraste e neomembranas, com distância mínima de 3 mm entre o a tábua interna e o córtex. Os tamanhos dos ventrículos foram analisados calculando o índice bicaudato (IBC) em 3 momentos: na admissão (M1), no momento do diagnóstico do HST (M2) e na última TC realizada (M3). Baseados nos dados clínicos e tomográficos, os 34 pacientes foram divididos em 3 grupos. Grupo I, HST sem evidente efeito de massa e grupo II com evidente efeito de massa. O grupo I foi subdividido em Ia, que incluem pacientes sem dilatação ventricular e grupo Ib, pacientes com dilatação ventricular. Para comparação estatística entre os grupos, foram usados os testes Kruskal-Walis e Anova e para testar a variação do tamanho dos ventrículos entre os momentos M1, M2 e M3 os testes de Wilcoxon e Mann_Whitney.
Resultados: Dos 34 pacientes, a maioria do sexo masculino, com idade que variou de 16 a 85 anos (média de 40).Acidente de trânsito foi a causa mais comum do trauma. O tempo médio para o diagnóstico foi de 9 dias. Vinte e um pacientes (61,8%) foram submetidos a tratamento conservador e treze (38,2%) tratamento cirúrgico. Pequenas efusões subdurais menores que 3 mm, no local onde se desenvolveram os higromas, puderam ser detectados em metade dos casos nas primeiras 24 horas após o trauma. Não houve diferenças estatisticamente significante no BCI entre os 3 grupos nos momentos M1, M2 e M3 (p = 0,602, 0,17 e 0,762 respectivamente). Porém, comparando a variação do tamanho ventricular dos grupos Ia e Ib nos momentos M2 e M3, foram estatisticamente significantes (p < 0,01 e p = 0,039, respectivamente). Conclusões: Todos HST foram divididos em 3 grupos de acordo com mecanismo fisiopatológico. Esses 3 grupos provavelmente representam um continuum de comprometimento de absorção do LCR. O grupo Ia representa o que a maioria dos autores considera como higromas simples, sem comprometimento da absorção do LCR; o grupo Ib representa uma forma de hidrocefalia externa, com diferentes graus de distúrbio da circulação do LCR, e o grupo II os casos que se apresentam com efeito de massa evidente e risco de vida iminente.

Departamento de Neurologia e Psiquiatria - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, Botucatu - SP, Brasil.


T37 Estudo neuroanatômico e neurofisiológico da conexão entre a substância cinzenta periaquedutal e a área pré-tectal anterior.

Andressa Daiane de Carvalho, Norberto Cysne Coimbra

A estimulação elétrica ou química do núcleo pré-tectal anterior (NPtA) produz intenso e duradouro efeito antinociceptivo em diversos testes algesimétricos. O objetivo do presente trabalho foi estudar a anatomia conectiva funcional entre o NPtA e a Substância Cinzenta Periaquedutal (SCP), utilizando técnicas neuroanatômicas de traçamento de vias e avaliar a implicação neurofisiológica dessa via nas respostas antinociceptivas decorrentes da estimulação elétrica do NPtA. O neurotraçador bidirecional biodextrana foi microinjetado no NPtA de ratos Wistar machos, pesando 240g; N = 8. O estudo revelou conexões neurais recíprocas entre o NPtA e a SCP. No estudo neurofisiológico foi realizada cirurgia estereotáxica para implantação de eletrodo no NPtA e cânula-guia na SCP. Foram administradas microinjeções de ácido ibotênico (1µg/0,5µl), N = 7; ou salina a 0,9% (0,5µl) na SCP, N = 9; e após 5 dias, realizada estimulação elétrica no NPtA. Um outro grupo controle (procedimento “sham”), N = 7, não recebeu estímulo elétrico e/ou administração de drogas. O estudo temporal do efeito da lesão da substância cinzenta periaquedutal sobre a analgesia induzida por estimulação elétrica do NPtA mostrou diminuição estatisticamente significativa dos limiares nociceptivos. Houve efeito estatisticamente significante do tratamento [F(2,20) = 31,17; p<0,001], do tempo [F(4,17) = 3,16; p<0,05], sem interação entre tratamento x tempo [F(8,32) = 2,19; p>0,05]. A análise de variância de uma via (“One Way ANOVA”) mostrou efeito estatisticamente significante da lesão da SCP comparada ao grupo que recebeu administração de salina a 0,9%; e ainda, do grupo salina quando comparado ao grupo sham; [F(2,20) variando de 5,78 a 31,54; p<0,05]. Com efeito, o teste post-hoc de Duncan mostrou que a lesão da SCP diminuiu a analgesia induzida pela estimulação elétrica do NPtA, registrada imediatamente após a estimulação elétrica dessa estrutura e nos demais períodos até os 60 minutos do experimento. A lesão da SCP, estrutura que mantém relações interconectivas com o NPtA, diminuiu os limiares nociceptivos após a estimulação elétrica do NPtA, sugerindo que a inibição de sensações dolorosas observadas após a estimulação elétrica do NPtA depende, em parte, do substrato neurônico presente na SCP e este núcleo pode, ainda, apresentarse como uma via de saída do substrato neural da área pré-tectal anterior, para a elaboração de sua função antinociceptiva.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto - SP, Brasil.


T38 Mapeamento da resposta hemodinâmica durante pausa respiratória utilizando Ressonância Magnética Funcional.

Kelley Cristine Mazzetto Betti1, Renata Ferranti Leoni2, Katia Cristina Andrade2, Dráulio Barros de Araújo1

Além de mapear as funções cerebrais, um grande número de estudos mostra como a imagem por Ressonância Magnética Funcional pode ser usada na avaliação da perfusão cerebral. O aumento do fluxo sanguíneo cerebral regional pode contribuir para a alteração do sinal BOLD (Blood oxygenation level dependent signal). Esta alteração pode ser aproveitada, a princípio, para mapear a perfusão cerebral, durante a inalação de CO2, injeção de acetazolamida ou pausa respiratória. O objetivo deste estudo é investigar quantitativamente alguns aspectos de alterações perfusionais no cérebro humano em resposta a hipercapnia induzida pela pausa respiratória. Este estudo envolveu oito voluntários assintomáticos, que foram instruídos a segurar a respiração em cinco intervalos de 14 segundos, intercalados por seis intervalos de repouso de trinta segundos após inspiração e após expiração.
As imagens foram adquiridas em um tomógrafo Siemens de 1.5T e os mapas estatísticos foram obtidos pelo programa Brain VoyagerQXtm. Para quantificar o atraso do sinal BOLD, foi utilizado um método auto-regressivo, BOLD latency Mapping, que é capaz de estimar alguns parâmetros de latência do sinal BOLD, baseado na forma média das respostas de um volume de interesse. Como resultados, foram obtidos mapas dos parâmetros estudados. Para o mapa de atraso do início da resposta, foi observado, para a inspiração e expiração, que o território irrigado pela artéria cerebral média (ACM) mostrou um atraso menor em relação à resposta hemodinâmica, seguido pelo território irrigado pela artéria cerebral anterior (ACA) e em seguida pela artéria cerebral posterior (ACP). Foi também observada diferença nas amplitudes do sinal entre as três áreas. Os territórios irrigados pela ACM e ACP mostraram a menor e a maior amplitude respectivamente, essa diferença foi mais pronunciada após a expiração (p=0.001). As diferenças na resposta hemodinâmica podem estar relacionadas com a reatividade das diferentes artérias e com o volume sangüíneo cerebral basal em cada artéria.

1. Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica - FMRPUSP, Ribeirão Preto-SP, Brasil 2. Departamento de Física e Matemática - FFCLRP - USP, Ribeirão Preto -SP, Brasil.


T39 Fenótipos neurológicos em mulheres portadoras de adrenoleucodistrofia ligada ao X.

Charles Marques Lourenço, Gustavo Novelino Simão, João Monteiro de Pina-Neto, Wilson Marques Jr.

Objetivo: Documentar e descrever fenótipos neurológicos associados a adrenoleucodistrofia em seis pacientes do sexo feminino. Fundamentos: A adrenoleucodistrofia ligada ao X (ALDX) é uma desordem peroxissomal causada por mutações no gene ABCD1 cuja alteração bioquímica consiste no acúmulo de ácidos graxos de cadeia longa (VLCFA) em diversos tecidos. Há uma ampla variabilidade clínica, englobando fenótipos infantis rapidamente progressivos em meninos a quadros de paraparesia espástica de início adulto em mulheres. Material/Métodos: Foram avaliadas seis pacientes do ambulatório de Neurogenética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) que possuíam alteração dos VLCFA compatível com heterozigose para ALD-X além de queixas neurológicas. As pacientes não possuíam qualquer grau de parentesco entre si. Duas pacientes possuíam história familiar positiva de adrenoleucodistrofia. Cada paciente foi avaliada clinicamente, sendo solicitados testes de função hormonal, eletroneuromiografia, cariótipo, exame oftalmológico, audiometria e neuroimagem. Resultados: Entre as seis pacientes avaliadas, três apresentavam deterioração cognitiva, sendo duas delas portadoras de dificuldade escolar antes do aparecimento das queixas neurológicas. O sintoma inicial apontado, independente da idade, observado em todas as pacientes, foi a dificuldade para deambulação. Três pacientes apresentavam quadro de paraparesia espástica isolada, enquanto as demais apresentavam paraparesia espástica associada à síndrome cerebelar e à deterioração cognitiva. Quanto à idade de aparecimento do quadro neurológico, observou-se que pacientes com quadro “puros” de paraparesia espástica relatavam os primeiros sintomas com média de 36 anos (idades variando entre 31 e 42 anos) enquanto nas pacientes com quadro clínico mais complexo, a idade média de início foi 18 anos (idade variando entre 8 e 22 anos). Alterações endocrinológicas, oftalmológicas ou audiométricas não foram observadas em nenhuma paciente. O cariótipo foi realizado nas pacientes com o fenótipo mais grave e precoce, no entanto não se detectou presença de anormalidades.Não se observou alteração nos achados da eletroneuromiografia em nenhuma paciente. Os exames de neuroimagem (RNM de encéfalo e medula) evidenciaram, em dois casos, áreas de hipersinal acometendo substância branca de regiões parietotemporo-occipitais bilateralmente com perda volumétrica, envolvendo o esplênio do corpo caloso e núcleos posteriores do tálamo; uma das pacientes apresentava desmielinização difusa com perda volumétrica mais acentuada em corpo caloso. Não se observou, no estudo de imagem, acometimento cerebelar ou medular nas pacientes. Conclusão: O espectro da adrenoleucodistrofia em mulheres é mais amplo do que se inicialmente se supunha e, mesmo na ausência de anormalidades cromossômicas, pode seguir um curso deteriorante semelhante ao acometimento neurológico da ALD-X clássica, embora mais brando.

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil.


T40 Relevância clínica de “Bulging eyes” para o diagnóstico diferencial das ataxias espinocerebelares.

Helio Teive, Renato Munhoz, Salmoi Raskin, Walter Arruda, Lineu Werneck

Fundamento: Na atualidade 30 loci tem sido descritos para as ataxias espinocerebelares (SCA) e os testes moleculares estão disponíveis para os tipos SCA1,2,3,6,7,8,10,12,14,17 e DRPLA. O espectro fenotípico das SCAs é pleomórfico e a presença de “bulging eyes” (BE) é uma característica distinta, classicamente descrita na SCA tipo 3 (doença de Machado-Joseph). Esate sinal, entretanto, tem sido descrito em outros tipos de SCAs. Objetivo: Investigar a relevância do achado de “bulging eyes” em uma grande coorte de SCAs e avaliar a sua importância no diagnóstico diferencial entre os diferentes tipos de SCAs. Pacientes/Métodos: 335 pacientes pertencentes a 136 famílias brasileiras com SCAs foram avaliados através de exame neurológico e testes de genética molecular para as SCAs dos tipos 1,2,3,6,7,8,10,12,14,17 e DRPLA. BE foi caracterizado pela presença de retração palpebral (pseudoexoftalmia). SCA tipo 3 geneticamente confirmada foi detectada em 116 pacientes, SCA tipo 10 em 34, SCA tipo 2 em 12, SCA tipo 1 em 7, SCA tipo 7 em 5 e SCA tipo 6 em 3 pacientes. Os 158 pacientes restantes permaneceram sem diagnóstico genético.
Resultados: BE foi detectado em 113 pacientes com SCAs (33,73%), sendo 97 pacientes com SCA tipo 3 (83,62%) e 12 nas outras formas de SCAs (19,67%), com 3 pacientes com SCA tipo 10, 4 pacientes com SCA tipo 2, 3 pacientes com SCA tipo 1 e 2 pacientes com SCA tipo 7. Não houve correlação entre a presença de BE e o tamanho da repetição nos diferentes genes. No grupo de 158 pacientes com SCAs, sem mutação conhecida, BE foi encontrado em 4 pacientes (2,53%). Conclusões: Nesta extensa série brasileira de pacientes com SCAs, BE foi detectado na maior parte dos pacientes com SCA tipo 3 e poderia ser utilizado como instrumento clínico para o diagnóstico diferencial das SCAs.

Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curiitba-PR Brasil.


T41 Análise de microssatélites de repetições (cag)n nos loci de ataxia espinocerebelar (sca1, sca2, sca3, sca6 e sca7) em indivíduos com suspeita clínica e em indivíduos não afetados da população do sul do Brasil.

Aline Andrade Freund, Rosana Hermínia Scola, Raquel Cristina Arndt, Hélio Afonso Ghizone Teive, Magda Clara Vieira da Costa-Ribeiro, Lupe Furtado Alle, Lineu César Werneck

Fundamentação: A análise da repetição (CAG)n nos loci SCA1, SCA2, SCA3, SCA6 e SCA7 foi realizada neste trabalho para definir o tamanho e as freqüências dos alelos tão bem como as escalas normais em cada locus. Esta análise é importante para compreensão molecular e utilidade diagnóstica. Método: A amostra consiste em 154 doadores de sangue da população do sul do Brasil e 115 pacientes com suspeita clínica de ataxia. Os produtos de PCR foram submetidos à eletroforese em capilar. Foram realizadas análises estatística e genética. Resultados: Em doadores de sangue a escala de alelos e os respectivos alelos mais freqüentes foram: SCA1- 19 a 36 com o alelo de 30 repetições (32,29%), SCA2 - 6 a 28 com o alelo de 20 repetições (86,44%), SCA 3 - 12 a 34 com o alelo de 12 e 20 repetições (54,53% juntos), SCA 6- 2 a 13 com o alelo de 8 repetições (39,50%) e SCA 7 - 2 a 10 com o alelo de 4 repetições (70,61%). Nenhum desvio do equilíbrio de Hardy Weinberg foi detectado. Nos pacientes o tamanho das repetições foram: SCA 1 - 23 a 36 com nenhum alelo expandido, SCA 2 - 14 a 56 repetições com 3 alelos expandidos, SCA 3 - 12 a 74 repetições com onze alelos expandidos, SCA 6 - 2 a 21 repetições com um único alelo expandido e SCA 7 - 2 a 50 repetições com dois alelos expandidos. A ataxia mais freqüente entre os pacientes é SCA3 (26,27%). A sensibilidade da metodologia foi 63,64%, a especificidade 93,33%, o valor preditivo positivo (VPP) 96,55% e o valor preditivo negativo (VPN) foi 46,67%. Comentários: Os dados estatísticos auxiliaram na definição dos alelos e freqüências e demonstraram reprodutibilidade e confiabilidade metodológica. A análise genética da população assegura a qualidade técnica além de demonstrar estabilidade alélica na população não afetada. A metodologia desenvolvida no atual estudo é útil em discriminar clinicamente indivíduos normais e afetados para o diagnóstico molecular, distinguindo geneticamente os cinco subtipos de ataxia.

Apoio: Fundação Araucária, CNPq e CAPES.

Disciplina de Neurologia/Neuromuscular, Departamento de Clínica Médica-UFPR, Curitiba-PR, Brasil.


T42 Ataxia cerebelar em paciente jovem como manifestação inicial da Doença de Alexander.

Hélio AG. Teive1, Salmo Raskin2, Marjo S. van der knaap3, Fabio Siquineli1, Carlos A. Twardowschy1, Salo S. Haratz1, Oscar Schelp1, Lineu Cesar Werneck1

Fundamento: A Doença de Alexander é uma desordem genética incomum, freqüentemente fatal, caracterizada por uma leucoencefalopatia que acomete predominantemente crianças e recém-nascidos, mas que pode, em alguns casos, manifestar-se inicialmente em jovens e adultos. Os pacientes comumente apresentam megalencefalia, convulsões, demência e espasticidade. Alguns indivíduos apresentam sinais e sintomas neurológicos inespecíficos, a forma de apresentação em adultos é a de maior variabilidade clínica, assim como a menos comum. O diagnóstico é baseado principalmente nos achados de neuroimagem e a confirmação pode ser obtida através do sequenciamento do gene GFAP, localizado no cromossomo 17. Objetivo: Apresentamos o caso de uma paciente do sexo feminino de 13 anos que apresentava inicialmente ataxia cerebelar e baixo rendimento escolar, assim como os achados de neuroimagem e a confirmação do diagnóstico através de teste genético. Relato de caso: Paciente feminina com 3 anos de idade com história de que apresentava desde os 4 anos de idade dificuldade de equilíbrio, com dificuldade de marcha e de coordenação motora. Evoluiu com piora progressiva do quadro, disartria, e desequilíbrio ao deambular. Realizaram várias consultas médicas, com a realização de vários exames, todos inconclusivos. Teve DNPM normal, com queixas de desatenção na escola, além de dificuldade escolar. Mãe com diagnóstico de EM (tonturas, desequilíbrio, com RM de crânio e de coluna cervical com alteração de sinal ao nível da substância brancaperi-ventricular, bulbo e medula cervical, redução volumétrica cerebelar). Ao exame: Dismorfismo (baixa estatura, com desproporção do tronco). Disartria (f. escandida), movimentos sacadicos hipométricos, nistagmo horizontal miradas laterais e vertical (para cima). Ataxia de marcha, incluindo tandem gait, hiporreflexia profunda MI, discreta dismetria em MS, distasia, disfunção cognitiva leve. Exames complementares: 1-RM crânio: leucoencefalopatia bilateral simétrica, 2-RM coluna cervical e torácica – normais, 3-Pesquisa de erros inatos do metabolimso (-), 4-Hemograma, Vhs, glicemia, creatinina, VDRL, TSH, ácido láctico, gasometria venosa, eletrólitos, anticorpos antigliadina e anti-GAD (-), biópsia muscular (-), biópsia de nervo sural (-), dosagem de ácidos graxos de cadeia longa (-), dosagem de beta-galactosidase (-), arilsulfatase(leucocitos) (-), 5- ENMG – normal. Exame de genética molecular (PCR), com análise da sequência de exons 1-9 do gene GFAP: Paciente heterozigoto para a mutação D157N no exon 2 e heterozigoto para a mutação M4151 no exon 8. Mãe heterozigota para a mutação M4151 no exon 8 do gene GFAP. Conclusões: Os autores apresentam um caso de doença de Alexander, comprovado através de genética molecular, manifestando-se em paciente jovem como ataxia cerebelar progressiva e disfunção cognitiva leve.

1. Serviço de Neurologia-HC-UFPR, Curitiba- PR, Brasil;
2.
Genetika,
Curitiba-PR, Brasil;
3. VU University Medical Center, Amsterdam, The Netherlands.


T43 Mutações Genéticas em Pacientes com Ataxia-Telangiectasia.

Walter O. Arruda1, Hélio A. G. Teive1, Salmo Raskin2, Vanessa Santos Sotomaior2, Maria Julia Bugallo1, Lineu C. Werneck1

Fundamento: A ataxia-Telangiectasia (AT) é uma associação rara de ataxia cerebelar e e telangiectasia causada por uma mutação no gene ATM - cromossomo 11q22-q23. O gene é composto por 3058 aminoácidos, 66 exons e seu DNA tem 13 kb, sendo que mais de trezentas mutações são conhecidas. Clinicamente caracteriza-se pelo aumento de vasos na conjuntiva (telangiectasia) e outros sintomas ataxia cerebelar progressiva, microcefalia, e retardo mental. Coreoatetose, sensibilidade para radiação iônica, instabilidade cromossômica, infecções freqüentes, envelhecimento prematuro e anormalidades endócrinas são outros potenciais achados. Objetivo: Os autores descrevem as mutações genéticas observadas em 6 casos probandos de AT.
Material e Métodos: Foram estudados 6 casos index provenientes de seis diferentes famílias, com análise dos dados clínicos, de neuroimagem e através de exames de genética molecular, para o gene ATM. Resultados: O número total de pacientes com AT foi de 10, sendo 6 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, com idades, no momento do diagnóstico, entre 2 e 18 anos de idade. Os principais dados clínicos e laboratoriais encontrados foram ataxia cerebelar progressiva,  com início entre 3 e 5 anos, apraxia ocular, coréia, telangiectasia ocular (em 3 casos), elevação da alfa-fetoproteína e deficiência de imunoglobulinas. O exame de ressonância magnética revelou sinais de atrofia cerebelar. O estudo com genética molecular, com análise do gene ATM, demonstrou a presença de várias mutações, tais como, Nt802C>T, Nt802C>T, Nt8372ins16, IVS56+1delG, 4002del4, entre outras. Do total de pacientes, 4 apresentaram na evolução clínica o diagnóstico de leucemia e linfoma.
Conclusões: A AT representa uma importante causa de ataxia cerebelar com início na infância precoce, por vezes, sem a presença de telangiectasia ocular. Diferentes mutações no gene ATM foram encontradas nesta série de pacientes.

1. Setor de Distúrbios de Movimentos, Hospital de Clínicas, UFPR, Curitiba, PR, Brasil;
2. GENETIKA, Curitiba, PR, Brasil.