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RESUMOS DO
QUINTO ENCONTRO DA SBIN

19 e 20 de Agosto de 2005 

Hotel Stream Palace
Ribeirão Preto - SP
 

DIA 19 DE AGOSTO DE 2005   

DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO / ATAXIA ESPINOCEREBELAR /       PARAPARESIA ESPÁSTICA HEREDITÁRIA


T1. (14:00 – 14:20 h)     

Análise de voz utilizando autocorrelação do sinal residual em pacientes com Doença de Parkinson

José Carlos Pereira, Arlindo Neto Montagnoli,  Arthur Oscar Schelp,  André Augusto Spadotto,   Ana Rita Gatto,  Lídia Raquel de Carvalho

 
A hipofonia é um sinal consistente da bradicinesia na Doença de Parkinson (DP). A redução da intensidade vocal ocorre pela redução na pressão da corrente de ar subglótica, alentecimento do aparato de ressonância e alterações na forma do trato vocal. As cordas vocais mantêm sua integridade. Foram estudados 25 pacientes com Doença de Parkinson, com gravidade entre II e III, na escala de Hoehn e Yarh, e um grupo de 25 voluntários normais. Foi feito registro da vogal sustentada /a/ em ambiente silencioso, com análise de diferentes parâmetros acústicos da voz, utilizando o programa de Análise de Voz 2.3. desenvolvido na USP, São Carlos, que inclui análise da autocorrelação do sinal residual da voz. O sinal residual é obtido através da filtragem inversa do sinal de voz e o máximo valor da autocorrelação é denominado “Amplitude de Pitch” (P/A) – um correlato do Índice de Vocalização. Na análise numérica dos dados houve diferença estatisticamente significante para o P/A quanto aos grupos de indivíduos. Para os normais, a média foi igual a 0,39 e para os com DP foi igual a 0,25 (p < 0,001). No grupo dos indivíduos com Parkinson 80,77% tiveram PA < 0,3, e no grupo normal somente 12,28%, demonstrando associação entre essas variáveis. Os autores sugerem novos estudos, longitudinais, com análise da P/A pré e pós tratamento ou mesmo após mudanças de procedimento, uma vez que os instrumentos de análise de voz habitualmente empregados para avaliação de hipofonia em DP não se mostraram adequados para demonstrar diferenças significativas para um mesmo indivíduo.

 

T2. (14:20– 14:40 h)     

0Mutação em SCA10 em indivíduo assintomático. Relato de caso com comprovação molecular Apresentador

Hélio G. Teive,   Walter O. Arruda Lineu Werneck, Tetsuo Ashizawa, Salo Raskin   



INTRODUÇãO: Pacientes com Ataxia espinocerebelar tipo X tem uma expansão do pentanucleotídeo ATTCT em 22q13. Indivíduos normais possuem entre 10 e 29 repetições, sendo que os afetados tem entre 800 e 4500 repetições. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é relatar o caso de um indivíduo com 55 anos de idade que tem mutação em SCA10 e é totalmente assintomático. MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizada a análise molecular de SCA10 pela técnica de PCR e Southern Blot no indivíduo-chave, em sua esposa e em sua única filha, que tem atualmente 30 anos e aos 12 anos de idade iniciou quadro de ataxia progressiva seguida de convulsão. RESULTADOS: O indivíduo assintomático e sua filha assintomática demonstrararam ter 1200 repetições do pentaucleotídeo ATTCT em 22q13. CONCLUSÕES: Por se tratar de doença de herança autossômica dominante, e ambos os pais da paciente serem assintomáticos, optamos por testar ambos os pais, análise esta que demonstrou que o pai da paciente tem o mesmo numero de repetições que sua filha afetada. A análise molecular desta família demonstra a presença de pentrância incompleta em SCA10, sendo que alguns indivíduos podem ter a mutação sem apresentar sintomas. Este achado tem importância para o raciocínio diagnóstico em casos de ataxias , assim como pode ser importante na compreensão da fisiopatologia de SCA10. Ressaltamos a importância do conhecimento da presença de penetrância incompleta em SCA10 para que a interpretação de exames de genética molecular para SCA10 e aconselhamento genético destas famílias possa ser  efetuado de maneira adequada.

 

T3 (14:40 – 15:00 h)      

Ataxia Cerebelar Idiopática de Início Tardio: Estudo evolutivo de 15 anos.

Hélio G Teive, Walter O. Arruda,  Renato P. Munhoz, Nílson Becker, Salmo Raskin,
Lineu César Werneck

Objetivo: Apresentar a evolução clínica de 15 anos de 55 pacientes com Ataxia Cerebelar Idiopática de Início Tardio (ILOCA. Fundamentos: ILOCA, como descrita por Harding (1984) representa provavelmente um grupo bastante heterogêneo de doenças, que incluem algumas formas de ataxias hereditárias (ataxias recessivas , como a ataxia de Friedreich), dominantes, como as ataxias espinocerebelares-AEC),a síndrome de ataxia-tremor associada ao X-Frágil, bem como formas de ataxias degenerativas e adquiridas (como a degeneração cerebelar paraneoplásica, ataxia cerebelar auto-imune-anti-Hu, anti-gliadina e anti-GAD) e a atrofia de múltiplos sistemas (AMS). Material e Métodos:Foram avaliados casos de ataxias de início tardio (após 20 anos de idade), progresivas, esporádicas, de um extenso grupo de ataxias hereditárias e esporádicas, estudados no Setor de Distúrbios do Movimento, Serviço de Neurologia, do HC-UFPR, num período de 15 anos. Foram encontrados 55 pacientes classificados como portadores de ILOCA. Esses pacientes foram investigados através de exames clínicos, neurológicos e laboratoriais, incluíndo, eletroneuromiografia, TC, RM, PCR (com testes para ataxia de Friedreich e para AEC: tipos 1,2,3,6,7,8,10,12,14,17 e ADRPL, além da síndrome de ataxia-tremor associada ao X-Frágil), exames de anticorpos para degeneração cerebelar paraneoplásica (anti-HU), ataxia por glúten (anti-gliadina), ataxia cerebelar e anti-GAD e outros marcadores autoimunes. Pacientes com conhecida história de alcoolismo crônico e atrofia cerebelar secundária ao uso de drogas ou causas secundárias de ataxia cerebelar (como AVE e esclerose múltipla) foram excluídos. Resultados: O diagnóstico nosológico foi estabelecido em 20 casos (36,37%). Cinco casos de AMS, dois casos de AEC tipo 3 (doença de Machado-Joseph),dois casos de ataxia na síndrome de Eaton-Lambert, dois casos de ataxia psicogênica, dois casos de ataxia auto-imune(um caso em um paciente diabético, sem anticorpo anti-GAD e uma paciente jovem, com ataxia-opsoclonus), um caso de ataxia de Friedreich, um caso de ataxia, mioclonia e lipomatose (síndrome de Ekbom), um caso de degeneração cerebelar paraneoplásica, um caso de ataxia cerebelar associada com neuropatia periférica e aumento de CK (possível ataxia com deficiência de coenzima Q10), um caso de ataxia em doença priônica (síndrome de Creutzfeldt-Jakob), um caso de ataxia cerebelar com provavel neuroferritinopatia e um caso de ataxia cerebelar com hipoceruloplasminemia. Não foram encontrados casos de ataxia cerebelar associada com anticorpos anti-GAD e a glúten, bem como ataxia-tremor e X-Frágil. Concluesões: Após 15 anos de seguimento de 55 pacientes com ILOCA, o diagnóstico nosológico foi estabelecido em 36,37% dos casos, enquanto que em 63,63% dos casos o diagnóstico permaneceu de ILOCA.

 

T4 (15:00 – 15:20)    

Doença de Huntington: manifestação motora atípica em sete pacientes


Hélio G Teive, Nilson Becker, Salmo Raskin, Lineu César Werneck 

Objetivo: Apresentar sete portadores de Doença de Huntington, cuja manifestação motora inicial foi diferente de coréia. Fundamentos: A Doença de Huntington (DH) é uma doença autossômica dominante, clinicamente caracterizada pela tríade de distúrbios de movimento (coréia em 90%), alterações psiquiátricas e demência. A mutação responsável pelos sintomas é uma expansão do trinucleotídeos CAG no gene da DH localizado no braço curto do cromossoma 4. O tamanho da expansão tem relação inversa com a idade de inicio dos sintomas. Materiais e Métodos: Foram avaliados 44 portadores sintomáticos de DH do Ambulatório de Distúrbios de Movimento da Universidade federal do Paraná. Estes indivíduos foram avaliados quanto ao tipo e idade de inicio dos sintomas motores. Todos foram submetidos após consentimento, a teste genético para determinação do número de expansões de CAG. Resultados: A idade média de inicio dos sintomas foi de 36,3 anos e o número médio de expansões de 46,5. Sete pacientes (15,9%) apresentaram manifestações iniciais atípicas (diferentes de coréia): parkinsonismo (04), distonia (02) e tiques (01). Este grupo com manifestações atípicas apresentou um maior número de expansões de CAG (50,1) quando comparados ao grupo com manifestação motora típica (p 0,007). Conclusão: Outros distúrbios de movimento, diferentes da coréia, podem apresentar-se como manifestação motora inicial na DH. Pacientes com sintomas motores atípicos tendem a ter um maior número de expansões de CAG quando comparados àqueles que se apresentam com coréia.

 

T5 (15:20– 15:40)

Ataxia espinocerebelar e hipogonadismo: descrição de 6 casos

Charles Marques Lourenço,  João Monteiro de Pina-Neto,  Ester Silveira Ramos,  Wilson Marques Júnior

Objetivo: Documentar e descrever a associação entre ataxia espinocerebelar e hipogonadismo (hipogonadotrófico e hipergonadotrófico) em seis pacientes, estabelecendo o diagnóstico diferencial com outros grupos de ataxia . Fundamentos: A associação entre ataxia e hipogonadismo, embora rara, já é conhecido há cerca de 100 anos quando foram descritos os primeiros casos por Holmes em 1907. Opitz e Neuhauser, em 1975, descreveram uma irmandade que apresentava hipogonadismo hipogonadotrófico, ataxia e distrofia retiniana, posteriormente Baroncini (1991) e Salvador (1995) descreveram outros casos e Rump ( 1997) revisou os 17 casos descritos até a época. Conquanto a associação entre hipogonadismo hipogonadotrófico já esteja bem definida na literatura, os casos de hipogonadosimo hipergonadotrófico com ataxia são bem mais raros com poucas descrições na literatura (Skre et al, 1976; Amor et al, 2001; Georgopoulos et al , 2004) . Nesses relatos, houve associação com surdez neurossensorial e o intelecto era preservado. Material/Métodos: Foram avaliados 06 pacientes dos ambulatórios de Neurogenética, Genética Médica e Doenças Neuromsuculares do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Cada paciente foi avaliado clinicamente pelo setor de neurogenética e ginecologia endocrinológica, sendo solicitados testes de função hormonal, eletroneuromiografia, cariótipo, exame oftalmológico, audiometria e neuroimagem ( TC e RNM de crânio), além de pesquisa molecular para ataxias espinocerebelares (SCAs) tipos 1, 2, 3 e 7. Resultados: Entre os 06 pacientes avaliados, cinco apresentavam ataxia e hipogonadismo hipergonadotrófico . Destes, dois eram irmãos, filhos de pais consangüíneos ( primos em I grau); nos demais casos, não havia relato de consangüinidade dos genitores. Quanto à idade de aparecimento do quadro de atáxico, cinco apresentaram início dos sintomas antes dos 20 anos de idade e, em duas pacientes, havia concomitância de atraso neuropsicomotor com posterior evolução para quadro de atáxico ainda na primeira década de vida. Alteração oftalmológica só foi observada em uma paciente com hipogonadismo hipergonadotrófico, consistindo de atrofia óptica. Em dois casos (um de hipogonadismo hipogonadotrófico e outro de hipogonadismo hipergonadotrófico) , observou-se surdez neurossensorial. O cariótipo foi realizado em todas as pacientes do sexo feminino. Foram analisadas 100 metáfases com bandamento GTG , sendo todos os casos compatíveis com a normalidade. Não se observou alteração nos achados da eletroneuromiografia nos dois pacientes submetidos ao protocolo de neuropatia periférica. Os exames de neuroimagem evidenciaram, em todos casos, atrofia cerebelar importante envolvendo tanto o vermis quanto os hemisférios cerebelares. A pesquisa de SCAs se revelou normal em cinco casos ( uma paciente não foi testada). Conclusão: A associação entre ataxias espinocerebelares com hipogonadismo consiste em um grupo bastante heterogêneo. Embora existam entidades nosológicas relativamente bem definidas como a síndrome de Boucher-Neuhauser, ainda se carecem de estudos que possam esclarecer a etiopatogênese dessas doenças, o que pode acarretar também novas descobertas quanto às inter-relações entre o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e disfunção cerebelar.

 

T6 (15:40 – 16:00 h)

Doença de Huntingto-like 2: apresentação de 1 caso

Hélio G Teive, Nilson Becker,  Renato Puppi Munhoz, Salmo Raskin, Lineu César Wermeck, Alexis Brice

 Objetivo: Apresentar o primeiro caso confirmado geneticamente de Doença de Huntington-Like 2 (DHL2) no Brasil. Fundamentos: A Doença de Huntington (DH) é uma doença autossômica dominante caracterizada pela tríade de distúrbios de movimento, distúrbios psiquiátricos e demência. O defeito genético relacionado à doença encontra-se em uma expansão do tripleto CAG no braço curto do cromossoma 4. Cerca de 1% de todos os casos clinica ou patologicamente definidos como DH não apresentam a expansão patológica do trinucleotídeo CAG.Várias fenocópias têm sido descritas incluindo as Doenças de Huntington–Like 1,2 3 e 4 (SACA17). Dentre estas raras doenças, famílias com HDL2 têm sido descritas nos Estados Unidos e na África. Materiais e Métodos: Faz-se o relato de caso de um paciente, pertencente a uma família com doença degenerativa do sistema nervoso, de transmissão autossômica dominante (até o momento três gerações acometidas), com fenótipo semelhante à DH. Relato de Caso: Paciente, branca, 58 anos, feminina, natural de Caçador (SC) e procedente de Curitiba (PR). Apresenta história de dez anos de evolução dos sintomas que se iniciaram com alterações comportamentais, evoluindo com movimentos discinéticos oromandibulares até o aparecimento de coréia generalizada. Durante períodos foram observados disartria e apraxia de marcha progressiva, que culminou num quadro rígido acinético. Os exames de imagem demonstraram atrofia cortiço-subcortical e alargamento dos cornos frontais dos ventrículos laterais (sugestivo de atrofia do núcleo caudado). Estudos genéticos para mutações em DH, SCA 1,2 e 3, Atrofia Dentatorubropalidoluisiana e SCA 17 foram negativos. A pesquisa por PCR para o gene da JPH3 apresentou 48 expansões (N=7-27). Conclusão: Apresentamos o primeiro caso confirmado geneticamente da Doença de Huntington-Like 2 no Brasil.

 

16:00 – 16:30  INTERVALO

 

T7 (16:30 – 16:50)

Paraparesia Espática Hereditária (locus SPG6) numa família brasileira: correlação genótipo - fenótipo

Hélio G Teive, Renato Puppi Munhoz,  Salmo Raskin, Toshitaka Kawarai, Peter H. St George-Hyslop, Ekaterina Rogaeva


Recentemente o gene causador de uma forma de paraparesia espástica hereditária autossômica dominante (PEHAD) foi identificado no locus 15q11.2 locus (SPG6). Até o momento, duas mutações diferentes foram encontradas em quatro familias de origem irlandesa, iraquiana, chinesa e britânica. Em nosso estudo relatamos o perfil clínico e genético da primeira família brasileira com 4 membros afetados com idade média de início 23.75 ± 2.98 anos. Sintomas iniciais envolveram invariavelmente os MMII com espasticidade e fraqueza muscular puras comprometendo incialmente a marcha e de progressão lenta. Analise de SPG6 revelou uma mutação heterozigótica G-A na posição 316 no exon 3. Esta mutação já foi descrita em duas famílias não relacionadas na China, assim esta mutação pode representar um "hot spot" no gene SPG6. Do ponto de vista clínico, nossos casos não diferem significativamente daqueles já descrito, apontando para uma forma de PEHAD pura.

 

CEFALÉIA

T8 (16:50 – 17:10)

Mensuração da Aceitação e da Rejeição de Possíveis Efeitos Colaterais de Profiláticos para Migrânea e Migrânea Crônica.

Pedro André Kowacs, Elcio Juliato Piovesan,  Ricardo William Genaro Rodrigues de Campos, Hudson Fameli, Lineu César Werneck

Introdução: É senso comum de que a prescrição de profiláticos para migrânea não se baseia apenas nos seus perfis de eficácia como também no possível impacto que seus efeitos colaterais mais freqüentes possam determinar. No entanto, a aceitação ou rejeição a estes possíveis efeitos nunca foi quantificada. Objetivos: Quantificar de forma prospectiva a aceitação e rejeição aos efeitos colaterais mais freqüentes dos profiláticos para migrânea mais utilizados. Casuística e Métodos: Foram selecionados de forma seriada 46 pacientes migranosos, 4 homens e 42 mulheres, com idade média de 32,7 ± 10,1 anos (19 a 65) anos, os quais nunca haviam sido submetidos a tratamento profilático previamente. Aos pacientes foi solicitado que preenchessem escala visual numérica bidirecional especificamente desenhada para esta finalidade (uma para cada efeito) conforme o quanto aceitariam ou rejeitariam os possíveis efeitos para que ficassem livres da migrânea. Resultados: Através da análise de comparações múltiplas de Tukey foi observado que o efeito colateral que apresenta maior aceitação é a perda de peso (p=0,002). Já os sintomas que apresentaram maior rejeição foram: perda de energia, lerdeza, aumento de peso, perda de memória e depressão. A aceitação e/ou rejeição a perda ou ganho de peso não mostrou relação com o índice de massa corporal. Outro parâmetro avaliado, tomada única da medicação teve igualmente aceitação significativa (p=0,002). Conclusões: O efeito colateral mais aceito de profiláticos para migrânea foi a perda de peso, e os mais rejeitados foram perda de energia, lerdeza, aumento de peso, perda de memória e depressão, reforçando percepções previamente subjetivas.

 

T9 (17:00 – 17:30 h)

Eficácia da Varfarina no Tratamento da Forma Crônica da Cefaléia em Salvas

 Pedro André Kowacs, Marcos Christiano Lange, Viviane Flumingham Zetola, Lineu César Werneck,  Elcio Juliato Piovesan, Ricardo Willian Genaro,  Rodrigues de Campos

Introdução: A forma crônica da cefaléia em salvas permanece refratária ao tratamento em pelo menos 30% de seus portadores. A falta de tratamentos médicos que sejam tão ou mais efetivos do que o carbonato de lítio faz que novos tratamentos sejam necessários para esta condição altamente incapacitante. Em 2003, foi relatado por Souza et al. caso responsivo a varfarina. Objetivos: Verificar eficácia da varfarina no tratamento da forma crônica da cefaléia em salvas. Casuística e Métodos: Três pacientes com a forma crônica e refratária da cefaléia em salvas receberam varfarina, por período que variaram de 3 três semanas a nove meses. Resultados: Dois permaneceram livres de salvas enquanto usando varfarina. O outro paciente, após apresentar um aumento na freqüência e intensidade das salvas, ficou livre dos episódios mesmo descontinuando a varfarina. Conclusões: O estudo atual reforça a evidência inicial da eficácia da varfarina no tratamento da forma crônica da cefaléia em salvas.

 

20 de agosto de 2005 – APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS -  II

NEUROLOGIA EXPERIMENTAL

T10 (8:20 – 8:40)

Estudo londitudinal do comportamento morfométrico dos capilares endoneurais do nervo vago de ratas Wistar-Kyoto de diferentes idades

Maria Cristina Lopes Schiavoni, Valéria Paula Sassoli Fazan

Objetivos: Nosso objetivo foi estabelecer os parâmetros morfométricos dos capilares endoneurais no nervo vago cervical de ratas da linhagem Wistar-Kyoto (WKY), e verificar o comportamento desses parâmetros no sentido longitudinal do nervo, bem como as mudanças desses parâmetros com o envelhecimento dos animais. Fundamentos: Os nervos são abundantemente vascularizados em toda sua extensão por intermédio de uma sucessão de vasos que, por suas consecutivas divisões e anastomoses no interior do nervo, formam uma rede vascular intraneural ininterrupta. Já está bem definido que o número de vasos nutrientes para um nervo em particular varia amplamente, não apenas de indivíduo para indivíduo como também entre os dois lados do corpo. Nervos maiores não necessariamente recebem mais vasos que nervos menores. Os nervos podem percorrer distâncias consideráveis sem receber um vaso nutriente e o calibre desses vasos varia em amplos intervalos. Desse modo, o número e o tamanho dos vasos, juntamente com a sua distribuição no interior dos nervos estão sujeitos a uma grande variabilidade, não apenas em vários segmentos do mesmo nervo como também no mesmo nervo em diferentes sujeitos. Estudos da vascularização endoneural são escassos na literatura e não encontramos relatos desses estudos em nervos de ratos WKY. Os ratos WKY são os controles normotensos dos ratos espontaneamente hipertensos (SHR), considerados um dos melhores modelos da hipertensão essencial humana. Material/Métodos: O presente estudo foi realizado em três grupos de animais, com idade de 30, 180 e 360 dias. Esses animais foram sacrificados e tiveram seus nervos vagos direitos preparados com técnicas histológicas de rotina para inclusão em resina epoxi. Secções transversais semifinas (0,4 µm) seriadas, obtidas a cada 100 µm de extensão longitudinal do nervo, até o esgotamento completo do bloco, foram analisadas em nível de microscopia de luz. A morfometria dos fascículos e dos vasos capilares endoneurais, foi realizada com o auxílio de um sistema analisador de imagens computacional. Foram comparados os valores de área fascicular e área total dos capilares endoneurais entre os diversos segmentos de um mesmo nervo, bem como entre os nervos dos animais de diferentes idades. Resultados: Nossos achados mostraram que a área fascicular aumenta com a idade, mas se mantém constante no sentido longitudinal do nervo. Em relação aos capilares, a área total dos mesmos diminui com o avançar da idade em todos os segmentos estudados. Nossos resultados também indicam uma diminuição na porcentagem da área fascicular ocupada pelos capilares, no sentido longitudinal, e uma diminuição acentuada dessa porcentagem nos nervos dos animais mais velhos, comparados aos jovens. Conclusões: Nossos resultados sugerem uma pior vascularização nos nervos vagos dos animais mais velhos, o que poderia deixá-los mais susceptíveis aos processos isquêmicos. Ainda, nossos resultados sugerem que os segmentos distais são menos vascularizados que os proximais. Esse achado implica em que estudos de isquemia nervosa possam apresentar resultados diferentes, dependendo do nível estudado. Apoio: CNPq 420105/00-0, 501230/2003-8, FAPESP 04/01390-8, 04/09139-2, FAEPA.

 

T11 (8:40 – 9:00)

Anatomia macroscópica do nervo vago de rats com hipertensão arterial desenvolvimento espontaneamente estudo morfológico e morfométrico


Valéria Paula Sassoli Fazan , Adriana Cristina Licursi de Alcantara , Helio Cesar Salgado

 
Objetivos: Descrever os parâmetros morfológicos e morfométricos do nervo vago de ratas da linhagem SHR, com 20 semanas de vida (adulto jovem) e hipertensão arterial bem estabelecida, investigando os diferentes segmentos (proximal e distal) e comparando ambos os lados (direito e esquerdo). Fundamentos: Desde o seu desenvolvimento por Okamoto e Aoki em 1963, o modelo de hipertensão espontânea no rato, o SHR (Spontaneously Hypertensive Rat) está entre os mais estudados. A sua importância tem sido creditada à similaridade da sua fisiopatogenia com a hipertensão essencial (primária) do homem. Como diferenças morfológicas significativas foram descritas para a alça aferente do barorreflexo (nervo depressor aórtico) quando comparados animais normotensos e espontaneamente hipertensos (Fazan e cols., 1999 e 2001), esse dado, juntamente com os dados funcionais descritos na literatura, sugerem a possibilidade da presença de uma diferença morfológica também na alça eferente desse reflexo (nervo vago), uma vez que ainda não existem relatos de descrições morfológicas do nervo vago de ratos espontaneamente hipertensos. Material/Métodos: Foram utilizadas 6 ratas da linhagem SHR, com 20 semanas de vida. Os animais foram sacrificados e tiveram seus nervos vagos cervicais, direito e esquerdo, retirados e preparados com técnicas histológicas de rotina para inclusão em resina. As secções transversais semifinas dos segmentos proximais e distais dos nervos retirados, foram analisadas em microscopia de luz e a morfometria dos fascículos foi realizada com o auxílio de um sistema analisador de imagens computacional. Resultados: Os resultados morfológicos mostram que o segmento cervical do nevo vago de SHR é monofasciculado e que a estrutura histológica desse nervo não difere daquela de outros nervos em geral. Nossos dados morfométricos fasciculares mostram uma simetria entre os segmentos proximais e distais do mesmo lado, embora uma tendência a redução dos parâmetros morfométricos pudesse ser observada nos segmentos distais, incluindo o número de fibras. Entretanto, ao compararmos os mesmos segmentos entre lados direito e esquerdo, nossos dados morfométricos mostraram uma assimetria lateral, sendo os nervos do lado esquerdo, menores que os do lado direito. Conclusões: Essa é a primeira descrição de parâmetros morfométricos dos nervos vagos de SHR. Esses dados fornecerão a sustentação morfológica e morfométrica para futuros estudos funcionais das eferências barorreceptoras.

Apoio: FAPESP 02/09406-5, 04/01390-8, 04/09139-2, CNPq 501230/2003-8, FAEPA

 

T12 (9:00 – 9:20)

Estudo das alterações do nervo laríngeo recorrente decorrentes do diabete experimental crônico em ratos

Maria Carolina Dal Bem de Barros Oliveti,  Juciléia Dalmazo, Valéria Paula Sassoli Fazan

Objetivos: Investigar a ocorrência de alterações dos aspectos morfológicos e morfométricos dos fascículos e das fibras mielínicas, nos nervos laríngeos de ratos Wistar machos, decorrentes do diabete crônico, induzido experimentalmente. Fundamentos: A neuropatia periférica é uma das mais freqüentes complicações do diabete humano. Em modelos experimentais de diabete, evidências morfológicas e funcionais de neuropatia periférica têm sido descritas. Diferentemente da neuropatia periférica humana, as alterações experimentais sugerem principalmente uma axonopatia e, as lesões na mielina são descritas como secundárias a alteração axonal. O diabete induzido pela estreptozotocina (STZ) é conhecido por causar redução tanto da velocidade de condução quanto do calibre do axônio. O presente estudo investiga a presença de neuropatia no nervo laríngeo recorrente, decorrente do diabete experimental crônico, induzido pela STZ. Em pacientes diabéticos, a lesão do nervo laríngeo recorrente pode ser sugerida naqueles casos de paralisia unilateral de cordas vocais, sem outras causas para essa paralisia. Entretanto, não existem relatos de investigação morfológica do nervo laríngeo recorrente, nem em pacientes diabéticos, nem em modelos experimental dessa doença. Material/Métodos: Segmentos proximais e distais dos nervos laríngeos recorrentes, direitos e esquerdos, foram avaliados, em ratos (N = 10) após 12 semanas da injeção endovenosa de STZ (40mg/Kg). Ratos controles (N = 5) foram injetados com tampão citrato. Os animais foram sacrificados por perfusão intracardíaca e os segmentos nervosos foram preparados para estudos de microscopia de luz, com técnicas histológicas convencionais, para inclusão em resina epóxi. A análise morfológica e morfométrica desses segmentos nervosos foi realizada com o auxílio de um sistema analisador de imagens (Axiophot, Carl Zeiss) e um programa de computador (KS 400, versão 2.0). Resultados: Nossos dados não mostraram diferenças entre os dados morfométricos fasciculares, nem intra-grupos, nem entre os grupos. Entretanto, o número de fibras mielínicas foi significativamente menor, nos segmentos distais dos nervos dos animais diabéticos, comparados aos segmentos proximais, sem diferença entre os segmentos nos nervos dos animais controles. Conclusões: Dados prévios do nosso laboratório mostraram perda de fibras mielínicas finas em nervos autonômicos (nervo renal), nesse modelo de diabete experimental crônico. Entretanto, nos nervos somáticos (frênicos) de ratos diabéticos submetidos a esse mesmo modelo, essa perda de fibras não foi evidenciada. Estudos da morfometria das fibras mielínicas no nervo laríngeo recorrente, em andamento no nosso laboratório, auxiliarão na elucidação das alterações decorrentes do diabete experimental crônico nesse nervo.

Apoio Financeiro: FAEPA, FAPESP 04/01390-8, CNPq 501230/2003-8

 

T13 (9:20 – 9:40)

Estudo Morfológico e Morfométrico das alterações do nervo renal em ratos diabéticos crônicos

Karina Laurenti Sato, Jussara Márcia do Carmo, Valéria Paula Sassoli Fazan

Objetivos: Avaliar, em ratos, o grau de comprometimento do nervo renal, decorrente do diabete experimental crônico, através da analise morfológica e morfométrica dos fascículos e das fibras mielínicas desses nervos, em nível de microscopia de luz. Fundamentos: Considerável atenção tem sido dada aos nervos renais de ratos, por causa da regulação fisiológica da eferência simpática renal, pelos reflexos eliciados por barorreceptores artérias, receptores cardiopulmonares, quimiorreceptores artérias, receptores somáticos, e mecanorreceptores renais. A neuropatia diabética acomete tanto o sistema nervoso somático, como o sistema nervoso autonômico, tanto em humanos como em modelos experimentais. Os estágios iniciais do diabete experimental já se apresentam com alterações na regulação autonômica cardiovascular, e na hemodinâmica renal. Material/Métodos: Os nervos renais esquerdos, de ratos Wistar machos (N = 14), tiveram sua atividade espontânea registrada, 12 semanas após a injeção endovenosa de estreptozotocina (40 mg/kg). Ratos controles (N = 20) receberam tampão citrato endovenoso. Após o registro, os nervos foram preparados com técnicas histológicas convencionais, para inclusão em resina epóxi. A analise morfológica e morfométrica desses nervos foi realizada com o auxilio de um sistema analisador de imagens e um programa de computador. Resultados: O número de fibras mielínicas dos nervos renais dos ratos controles, variou de 5 a 56, com média de 19,20 ± 4,15. Para os ratos diabéticos, o número de fibras mielínicas desses nervos, variou de 1 a 27, com média de 8,50 ± 1,97, com diferença significativa entre os grupos. A densidade das fibras mielínicas dos nervos renais dos ratos controles, variou de 620 a 16390 fibras/mm2, com média de 889,89 ± 4102,37 fibras/mm2. Para os ratos diabéticos a densidade de fibras mielínicas, variou de 130,91 a 3649 fibras/mm2, com média de 231,15 ± 1302,21 fibras/µm2, também com diferença estatística entre os grupos. O diâmetro médio das fibras mielínicas dos nervos renais dos animais controles foi de 3,36 ± 0,10 µm. Para os nervos renais dos ratos diabéticos crônicos, esse diâmetro foi de 4,28 ± 0,19 µm, sendo significativamente maior que nos controles. Os outros parâmetros morfométricos estudados para as fibras mielínicas também se apresentaram significativamente maiores nos nervos dos animais diabéticos crônicos. Os histogramas de distribuição do diâmetro mínimo das fibras mielínicas e dos respectivos axônios, mostraram-se bimodais em ambos os grupos, sendo desviados para a direita nos animais diabéticos crônicos. Conclusões: Nossos resultados sugerem que a principal alteração, causada pelo diabete, nos nervos extrínsecos renais de ratos, da linhagem Wistar, possa ser uma perda de fibras mielínicas finas, porque: (1) o número de fibras mielínicas foi significativamente menor, nos nervos renais dos animais diabéticos; (2) os parâmetros morfométricos médios das fibras mielínicas foram significativamente maiores nos nervos renais dos animais diabéticos; (3) os histogramas de distribuição de tamanho das fibras mielínicas e respectivos axônios, dos nervos renais dos animais diabéticos foram significativamente deslocados para a direita. Estudos de microscopia eletrônica de transmissão, em andamento em nosso laboratório, auxiliarão no entendimento das prováveis alterações morfológicas das fibras amielínicas, decorrentes do diabete experimental nesse modelo.Apoio financeiro: FAEPA, FAPESP 04/01390, CNPq 501230-2003-8

 

T14 (9:40 – 10:00)

O nervo laríngeo recorrente em ratos espontaneamente hipertensos . Estudo longitudinal, de simetria e comparação entre sexos.  .

Adriana Borges Genari, Hélio César Salgado, Valéria Paula Sassoli Fazan

Objetivos: O objetivo deste trabalho foi realizar uma descrição da morfologia e dos parâmetros morfométricos do nervo laríngeo recorrente (NLR) de ratos machos e fêmeas da linhagem SHR, com hipertensão bem estabelecida (20 semanas de idade), comparando-se os segmentos proximais e distais (estudo longitudinal), bem como as possíveis diferenças na simetria lateral do mesmo animal. Ainda, diferenças morfológicas e morfométricas entre os sexos foram investigadas. Fundamentos: Ratos espontamente hipertensos (SHR) são um dos melhores modelos da hipertensão essencial humana, cursando com alterações do sistema nervoso central decorrentes dos elevados níveis de pressão arterial. Entretanto, estudos sobre hipertensão e sua influência sobre o sistema nervoso periférico (SNP) ainda são escassos. Resultados prévios de nosso laboratório mostraram a existência de alteração morfológica nos nervos depressores aórticos de ratos SHR, sendo esses nervos a alça aferente do barorreflexo. A intenção de se investigar o NLR de SHR foi baseada na presença de atividade barorreceptora registrada neste nervo, na impossibilidade de se identificar o nervo depressor aórtico como um fascículo isolado, em ratos. Material/Métodos: Os SHR machos (N = 6) e fêmeas (N = 9) foram anestesiados e tiveram a pressão arterial aferida por via direta. Em seguida, os animais foram perfundidos com solução fixadora e os NLR preparados com as técnicas histológicas de rotina para inclusão em resina. Secções transversais dos nervos direito e esquerdo, segmentos proximal e distal, foram analisadas em microscopia de luz. As imagens fasciculares foram digitalizadas e a morfometria realizada com o auxílio de um sistema analisador de imagens computacional. Comparações estatísticas foram realizadas entre os segmentos proximal e distal do mesmo lado e entre segmentos iguais e lados diferentes no mesmo animal. Também foram comparados segmentos iguais entre os sexos. Resultados: Nossos resultados mostraram que o peso corporal dos machos foi significativamente maior que nas fêmeas, bem como a freqüência cardíaca e a pressão arterial média. Os dados morfométricos mostram que existem diferenças significativas entre os segmentos proximais e distais, quando analisados os parâmetros área fascicular, diâmetro mínimo e número de fibras. Tais diferenças apareceram em ambos os sexos. Existe também uma tendência à diferenciação dos mesmos segmentos entre sexos, o que está ainda sendo investigado. As demais comparações não apresentaram diferenças significativas entre segmentos e lados no mesmo sexo, bem como entre sexos. Conclusões: Nossos resultados mostraram diferenças importantes nos níveis de pressão arterial e freqüência cardíaca entre os sexos nos animais SHR. Nossos resultados sugerem que essas diferenças possam estar se refletindo na morfometria fascicular do nervo estudado. Estudos em andamento no nosso laboratório investigarão se tais diferenças também se evidenciam na morfometria das fibras mielínicas (barorreceptoras de condução rápida) desse nervo. Apoio Financeiro: FAEPA, FAPESP 02/09406-5, FAPESP 04/01390-8, CNPq 501230/2003-8

 

10:00 – 10:30  INTERVALO

 

T15 (10:30 – 10:50h)

Efeitos da administração crônica de substâncias doces nos limiares nociceptivos e no comportamento alimentar em Rattus norvergicus


E.N. Segato, E.C.C. Rebouças, R.L. Freitas,  M.P.T. Caíres,  A.V. Cardoso, G.C.C. Resende,  G. Shimizu-Bassi , D.H. Elias-Filho, N.C. Coimbra

 A investigação da influência da ingestão de substâncias adocicadas no comportamento alimentar, juntamente com substâncias não adocicadas, assim como a sensibilidade a estímulos nocivos em animais isolados e agrupados, foi o alvo do presente estudo. A latência de retirada de cauda no teste de "tail-flick" (um reflexo espinal) foi mensurado antes e imediatamente após o tratamento com água comum ou com sacarose (62, 125 ou 250 g/L). Nossos achados sugerem que: (a) os efeitos analgésicos da ingestão de substâncias doces depende da concentração da solução de sacarose, e é dependente do ciclo sono/vigília do animal; (b) a concentração mais efetiva de sacarose para os efeitos antinociceptivos foi a de 250 g/L, tanto em animais isolados como agrupados; (c) considerando os ratos individualmente acondicionados, a ingestão da solução de sacarose na mais alta concentração (250 g/L) foi a menor, quando comparada com o consumo de sacarose na soluções mais diluídas (62 e 125 g/L), mas tal solução mais adocicada foi seguida de antinocicepção; (d) animais tratados com solução concentrada de sacarose, em qualquer concentração, alimentaram-se menos que os animais tratados com água comum; (e) a administração tônica de substâncias altamente doces aparenta ser crucial para o aumento nos limiares nociceptivos em nosso modelo de antinocicepção induzida por substância doces.

 

DOENÇAS NEUROMUSCULARES / NEUROPATIAS PERIFÉRICAS

T16 (10:50 – 11:10)

Charcot-Marie-Tooth ligada ao X (CMTX): identificação de duas mutações no gene da conexina 32.

Silmara P. G. de Lima,  Vinícius H. S. Borghetti,  Amilton A Barreira, Wilson Marques Jr

Introdução: Mais de 100 diferentes mutações no gene da conexina 32 (Cx32) foram identificadas na variante de CMT associada ao cromossomo X, respondendo por aproximadamente 10% das famílias com CMT, sendo a segunda ou terceira causa mais freqüente da doença após a duplicação 17p11.2-p.12. Clinica e eletrofisiologicamente, predominam os pacientes com o fenótipo clássico de CMT, embora variações tenham sido descritas tais como pacientes com lesão piramidal ou VC assimétricas. Em geral, os homens são mais intensamente acometidos que as mulheres. Objetivo: No presente estudo relatamos duas mutações no gene Cx32 e os respectivos fenótipos. Material e Método: Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e eletrofisiológica. O DNA foi extraído por método rotineiro. Após a pesquisa da duplicação 17p11.2, o gene Cx32 foi seqüenciado nas duas direções com o método BigDye. Resultados: Foram identificadas duas mutações. Uma delas, ainda não descrita, W132R (T394C), foi encontrada em dois irmãos, tendo o caso índice 30 anos. Aos 12 anos iniciou quadro lentamente progressivo de dificuldade para marcha e tremor em membros superiores. Seu irmão mais velho e quatro primos maternos apresentam quadro clínico semelhante e duas primas maternas tinham apenas pés cavos. Ao exame apresentava tetraparesia, hipotonia e hipotrofia de predomínio distal, mais acentuada em membros inferiores e pés cavos. A sensibilidade profunda nos pododáctilos estava intensamente afetada. Os reflexos profundos estavam ausentes, exceto o patelar e o tricipital que estavam diminuídos. Havia, ainda, tremor postural e de ação nos membros superiores. A outra mutação, R164G (G491A), descrita apenas em uma outra família, foi encontrada em paciente do sexo masculino, avaliado aos 34 anos, que por volta dos 18 notou dificuldade progressiva na marcha e redução da força muscular nas mãos. Um irmão mais velho e um tio materno tinham quadro semelhante. Ao exame, apresentava tetraparesia, hipotonia e hipotrofia de predomínio distal, marcha escavante e reflexos profundos globalmente ausentes. Hipoestesia distal, em gradiente, com acometimento mais acentuado da sensibilidade profunda também estava presente. O exame eletroneuromiográfico de ambos evidenciou uma polineuropatia sensitivo-motora desmielinizante simétrica com moderada redução das velocidades de condução (VC mediano= X a 4).Discussão: Nos dois casos apresentados, chama a atenção o comprometimento exclusivo, ou predominante e mais grave, dos indivíduos do sexo masculino. Clinicamente, merece destaque a presença do tremor associado à mutação W132R, um achado incomum na CMTX. Eletrofisiologicamente VC intermediária parece ser uma característica marcante desta forma de NHSM.Conclusão: Apesar de uma grande variedade de fenótipos terem sidos descritos associados a mutações no gene da conexina 32, nossos achados confirmam que a presença NHSM afetando mais intensamente indivíduos do sexo masculino associado a VC intermediária são fortemente indicativos de CMTX. A nova mutação descrita expande ainda mais o já enorme contingente de mutações associadas ao gene Cx32.

 

T17 (11:10 -11:30)

Estudo eletrofisiológico das síndromes miastênicas congênitas

Ricardo Constante de Kalil,  Cláudia Suemi Kamoy Kay, Rosana Hermínia Scola,  Lineu César Werneck, Bianca Lamas Gervini, Paulo José Lorenzoni
 

Objetivos: Avaliar os achados eletrofisiológicos nas síndromes miastênicas congênitas. Fundamentos: As síndromes miastênicas congênitas compreendem um grupo heterogêneo de doenças, em que há disfunção na transmissão neuromuscular. Nos últimos anos, com avanços nas investigações por biologia molecular e estudo microeletrofisiológico, foram identificados vários subtipos, que são classificados de acordo com o local da alteração na junção neuromuscular, em pré-sinápticos, sinápticos e pós-sinápticos. O estudo eletrofiisiológico é um exame importante para confirmar o diagnóstico clínico de síndrome miastênica congênita e, em alguns casos, pode auxiliar na identificação do subtipo específico, assim como orientar o tratamento. Material/Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo, com pacientes que possuíam o diagnóstico de síndrome miastênica congênita e que fizeram acompanhamento no Serviço de Doenças Neuromusculares do Hospital de Clínicas nos últimos 30 anos. Foram avaliados os dados da neurocondução, teste de estimulação repetitiva e eletromiografia de agulha de 15 pacientes, de 11 famílias, dos quais 10 eram do sexo feminino e 5 do sexo masculino. As características clínicas dos pacientes e os exames laboratoriais também foram avaliados, assim como a resposta ao tratamento. Resultados: Dos 15 pacientes avaliados, 12 mostraram decremento de amplitude do potencial de ação muscular composto (PAMC) maior do que 10%, com freqüência de estímulos de 3 Hz. Em 3 pacientes a neurocondução motora evidenciou presença de PAMC repetitivo (dupla onda) nos músculos avaliados, sugestivos de deficiência de acetilcolinesterase ou síndrome do canal lento. Um caso mostrou PAMC de baixa amplitude em todos nervos pesquisados e decremento > 10% à estimulação c/ freqüência de 3Hz e incremento de até 878%%, à estimulação a 20Hz, compatível com o subtipo pré-sináptico Eaton-Lambert like. A eletromiografia de agulha foi realizada em 10 pacientes, sendo que em 6 evidenciou padrão miopatico. Todos os pacientes foram medicados com piridostigmina e apenas 1 entre os que seguiram o acompanhamento não notou melhora. Fluoxetina foi prescrita para 2 dos pacientes que apresentavam potencial repetitivo à neurocondução, sendo relatada como benéfica para o único paciente que seguiu o acompanhamento. Conclusões: O estudo eletrofisiólógico é de suma importância no diagnóstico diferencial das síndromes miastênicas congênitas, sendo possível, em alguns casos, diferenciar síndromes pré-sinápticas, sinápticas ou pós-sinápticas, e, assim auxiliar na escolha da terapêutica adequada.

 

T18 (11:30 – 11:50 h)

Estudo eletrofisiológico da maturação do sistema nervoso periférico de ratos Wistar


 Lucinéia Ap. de Figueiredo, Maria Cristina L. Schiavoni, Amilton Antunes Barreira, Wilson Marques Jr

Objetivo:
Estudar a maturação da condução nervosa dos nervos caudal, sural e ciático de ratos Wistar.Fundamentos: A padronização dos parâmetros da condução nervosa durante a maturação pode ser de grande importância no estudo experimental de neuropatias de início precoce e em experimentos envolvendo a mielina/mielinização. Estudos semelhantes são escassos. Material/Métodos: Foram utilizados ratos Wistar estudados a partir de 10 dias de idade. Tanto a estimulação como a captação, foram feitas com eletrodos de agulha subdérmicos. A temperatura foi sempre 33ºC. A avaliação do nervo caudal se deu com eletrodos de registro e de referência na 3ª e 1ª vértebras caudais, respectivamente e, a estimulação ocorreu 3 a 16 cm distalmente. Para o nervo sural, o eletrodo de registro foi colocado no maléolo lateral e o de referência entre 0,5 a 2,0 cm proximalmente e o de estímulo na parte lateral do 5º dedo. Para o estudo da condução motora, o eletrodo de registro foi colocado no dorso da pata posterior, no cruzamento de uma linha longitudinal definida pelo 3º dedo com uma linha que liga a base do 5º com o 1º dedo e, o de referência na base medial do 5º dedo. O estímulo se deu na tuberosidade da tíbia e na raiz da coxa. Para todos os estudos o eletrodo terra foi colocado no ponto médio entre o eletrodo de estímulo e o de registro. Resultados:  O estudo mostrou que as velocidades de condução dos nervos sural e caudal tendem a se estabilizar por volta da 11ª semana de idade, com M e DP de 46,7± 3,46 para o sural e 44,42±3,13 para o caudal. Já o estudo da velocidade de condução motora evidenciou que a estabilidade se dá em torno da 18ª semana, com M e DP de 46,07±5,23, respectivamente. A M e DP da velocidade de condução do nervo sural nas 1ª e 2ª semanas é de 14,01±2,68 e de 23,25±2,61, respectivamente e do nervo caudal na 2ª semana é de 17,91±3,67. Conclusão:  Neste estudo traçamos o perfil neurofisiológicos da mielinização normal de ratos Wistar, cuja maturação é alcançada em torno da 11ª semana.

 

12:00 – 14:00

PALESTRA:  Como a investigação da miastenia gravis contribuiu para o avanço do conhecimento da imunologia

Prof. Dr. Paulo E Marchiori


Lanche

T19 (14:00 – 14:20 h)

Considerações sobre focos tangenciais no EEG de crianças com epilepsias benignas da infância (EBI)

Regina Maria França Fernandes, João Américo Domingos

 INTRODUÇÃO: Os dipolos tangenciais à superfície são considerados um parâmetro importante na caracterização do EEG de crianças com Epilepsia Focal Idiopática (EBI), estando o polo positivo classicamente localizado em eletrodos anteriores (frontais) e o polo negativo em localização posterior (rolândico-parieto-temporal). OBJETIVO: Avaliar a freqüência e características do dipolo tangencial no EEG de uma amostra de crianças com EBI, seguidas no HCFMRP-USP. METODOLOGIA: Foram selecionados os EEG registrados na Seção de Neurofisiologia Clínica do HCFMRP-USP, nos anos de 1993 e 1994, que apresentassem características sugestivas de EBI, realizados sob boas condições técnicas, em crianças seguidas neste hospital. Após confronto com os dados clínicos, foram selecionadas entre as crianças com diagnóstico definido de EBI, os traçados que apresentassem focos tangenciais à superfície, sendo avaliada sua freqüência na amostra e as características do campo elétrico (localização dos polos positivo e negativo). RESULTADOS: Foram selecionados 173 traçados de 143 crianças, das quais 80 (100 traçados) tiveram diagnóstico confirmado de EBI (61 na forma rolândica, 9 com EBI occipital tipo Panayotopoulos, 4 com EBI occipital do tipo Gastaut, 1 com EBI do lactente e 1 com EBI com sintomas afetivos). Foco tangencial pôde ser definido com certeza em 13 EEG (13%) de 12 crianças (15%),10 com a forma rolândica, 1 com a forma Occipital-Gastaut e 1 com EBI Afetiva. Em 4 crianças (33,3%), foram encontrados campos tangenciais atípicos: -eletronegatividade máxima em C3 e eletropositividade em T3-T5-Pz-O1; -eletronegatividade máxima em Pz e eletropositividade em C3; -eletronegatividade máxima em O1-O2 e eletropositividade em F3-F4-Fz-C4-C3-Cz-T3-P3-Pz; -eletronegatividade máxima em Fp1 e eletropositividade em T3-T5-T6-C3- Cz-P3- O1-O2. Foco tangencial foi também observado em 6 traçados de crianças sem Epilepsia, porém, com EEG sugestivo (traço genético) e em 1 criança com Epilepsia Focal Sintomática (EFS), dentre as 145 envolvidas na seleção inicial. CONCLUSÕES: O campo tangencial é achado mais característico de focos funcionais, no contexto de EBI ou traço genético para esta entidade, podendo também ocorrer em EFS. A distribuição do dipolo tangencial à superfície nos casos de EBI não obedece necessariamente à forma clássica descrita na literatura, sendo possível o encontro de campos tangenciais atípicos.

 

T20 (14:20 – 14:40)

Freqüência de sub-síndromes das epilepsias benignas da infância (EBI) numa amostra de pacientes do HCFMRP-USP

João Américo Domingos,  Regina Maria França Fernandes

 
INTRODUÇÃO: As Epilepsias Focais Idiopáticas, ou Benignas da Infância (EBI), são hoje consideradas um grupo com diversas sub-síndromes, definidas por semiologias distintas, diferentes faixas etárias de instalação e variações na localização dos focos epilépticos que as caracterizam. Apesar disto, seu reconhecimento na prática clínica ainda não é feito rotineiramente, sendo limitado às formas rolândica e occipital, enquanto as sub-síndromes hoje consideradas correspondem às seguintes entidades: -EBI do Lactente (síndrome de Watanabe); -EBI Occipital (EBI-O) do tipo Panayiotopoulos; -EBI Occpital do tipo Gastaut; -EBI Centro-Temporal ou Rolândica (EBI-CT); -EBI com Sintomas Afetivos, ou Psicomotora; -EBI Parietal, ou com Potenciais Somestésicos Gigantes; -EBI Frontal. O objetivo deste trabalho foi descrever as sub-síndromes da EBI diagnosticadas em nosso serviço, com base nos dados clínicos, eletrencefalográficos, de neuroimagem e na evolução clínica. METODOLOGIA: Foram inicialmente selecionados os eletrencefalogramas (EEG) realizados nos anos de 1993 e 1994 no HCFMRP-USP, que tivessem características sugestivas de EBI. Posteriormente, foram revisados os prontuários das crianças pré-selecionadas pelo EEG e que estivessem em seguimento na instituição, para a caracterização do diagnóstico. RESULTADOS: Das 145 crianças pré-selecionadas (173 EEG), 80 tiveram diagnóstico confirmado de EBI (100 EEG), com a seguinte distribuição: -EBI-lactente: 1 (1,2%); -EBI-O tipo Panayiotopoulos: 9 (11,3%); -EBI-O tipo Gastaut: 4 (5%); -EBI-CT: 65 (81,3%); -EBI-Psicomotora: 1 (1,2%); EBI-Parietal e EBI-Frontal: 0. COMENTÁRIOS: A forma rolândica predomina entre as sub-síndromes da EBI, seguida pelas formas Occipitais, especialmente do tipo Panayiotopoulos. O exercício desta sub-classificação é essencial para a melhor condução dos casos e discriminação entre formas benignas e sintomáticas de epilepsias focais na infância.

 

T21 (14:40 – 15:00)

Determinantes de mortalidade a curto prazo em estado de mal epiléptico (EME)  

Fernando Gustavo Stelzer, Guilherme de Oliveira Bustamante, Heidi Haueisen Sander e Regina Maria França Fernandes.

INTRODUÇÃO: O EME é uma emergência médica e neurológica associada com morbidade e mortalidade significativas, havendo ainda controvérsias na literatura sobre os determinantes de prognóstico nesta entidade. OBJETIVO: Avaliar a mortalidade relacionada ao EME, bem como fatores determinantes da mesma, em pacientes atendidos no HCFMRP-USP, no período de 1 ano. MÉTODOS: Foram incluídos todos os pacientes (mais de 1 mês de vida) com diagnóstico de EME que se submeteram a eletrencefalograma durante a internação para tratamento do quadro, entre fevereiro e dezembro de 2000, no HCFMRP-USP. As variáveis mais relevantes analisadas foram: idade, gênero, período de internação, antecedente de epilepsia, antecedente de doença neurológica e de retardo do desenvolvimento neuro-psicomotor, classificação do EME, etiologia ou fator desencadeante, intercorrências clínicas, tratamento e resposta terapêutica, ocorrência de recidivas do EME no período de estudo e taxa de óbitos.  Variáveis contínuas (idade, tempo de internação, duração do EME, número de EEG e de drogas antiepilépticas (DAE) usadas) foram comparadas através do teste de Mann-Whitney para variáveis de distribuição normal. Variáveis quantitativas categóricas foram comparadas pelo teste do X2 de Pearson, sendo valores de odds ratio determinados por regressão logística e as variáveis controladas para a idade, que seria fator de potencial confusão para a análise do impacto das demais variáveis sobre a mortalidade. Para a identifificação de fatores de risco independentes de mortalidade, considerando-se o óbito como variável dependente, as mesmas foram estudadas por modelo de regressão logística backward stepwise. RESULTADOS: Foram incluídos 105 pacientes, sendo 52,4% previamente epilépticos. Houve predomínio do EME focal, com EME convulsivo ocorrendo em mais de 2/3 da amostra e sem relação com a mortalidade. O índice de mortalidade foi de 32,2%, superior ao verificado em estudos prévios, tendo predominado nos pacientes com crises parciais complexas e nos idosos (64,7%). Observou-se aumento de 3 vezes no risco de mortalidade em EME focal. O índice de mortalidade foi maior nos pacientes tratados com 4 ou mais DAE. Mudanças no esquema de DAE foi causa freqüente de EME nos pacientes previamente epilépticos, podendo se fatal. Etiologias agudas associaram-se com maior mortalidade, assim como alterações em exames de neuroimagem. A recidiva do EME numa mesma internação aumenta o risco de óbito em 4 vezes. A mortalidade no contexto de EME refratário a DAE de segunda linha foi de 57,9%. Houve elevado índice de complicações clínicas (67.6%), que foi o fator de mortalidade mais importante em análise multivariada.

 

T22 (14:40 – 15:00)

Papel dos receptores colinérgicos muscarínicos e nicotínicos em um modelo experimental de analgesia induzida por epilepsia


Renato Leonardo de Freitas, Rithiele Cristina de Oliveira, Andressa Daiane de Carvalho,
Tatiana Tocchini Felippotti, Gabriel Shimizu Bassi , Daoud Hibrahim Elias-Filho, Norberto Cysne Coimbra

 
 O bloqueio do influxo de íons Cl- mediado pelo GABA, através do pentilenotetrazol (PTZ), foi utilizado no presente estudo para provocar crises convulsivas em animais. A neurotransmissão no período pós-ictal tem sido o foco de muitos estudos, e há evidências sugerindo a ativação de mecanismos antinociceptivos após crises tônico-clônicas, tanto em animais quanto no homem. O alvo deste trabalho foi estudar o envolvimento da acetilcolina na antinocicepção induzida por convulsões eliciadas pela administração periférica de PTZ (64 mg/kg). A analgesia foi mensurada pelo teste de latência de retirada de cauda em oito ratos, Wistar albinos, por grupo. As crises, após cessadas (período pós-ictal), foram seguidas por aumentos significantes nas latências de retirada de cauda (LRCs) em não mais que 120 minutos para o grupo controle. A administração periférica de atropina (0,25; 1 e 4 mg/kg) causou um decréscimo dose-dependente na LRC em animais que sofreram crises epilépticas, quando comparados com os controles. Esses dados foram corroborados pela administração periférica de mecamelamina, um bloqueador de receptores colinérgicos nicotínicos, utilizada nas mesmas doses (0,25; 1 e 4 mg/kg) para o antagonista de receptores colinérgicos muscarínicos. O recrutamento de receptores muscarínicos foi efetuado nos 10 primeiros minutos após a convulsão e em períodos subseqüentes de analgesia pós-ictal, visto que o envolvimento de receptores colinérgicos nicotínicos foi implicado somente depois de 30 minutos após as crises. Os antagonistas colinérgicos causaram uma redução mínima na temperatura corporal, mas não alteraram a linha-de-base do TRC, a exploração espontânea ou a coordenação motora no teste de "rota-hod", na dose máxima de 4 mg/kg. Tais resultados indicam que a acetilcolina pode estar envolvida como um neurotransmissor na analgesia pós-ictal.

 

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

T23 (15:00 – 15:20 h)

 Uso do Doppler transcraniano como exame de triagem no AVCi criptogênico: resultados preliminares.

 Marcos Christiano Lange, Juliano André Muzzio, Viviane Flumignan Zétola, Admar Moraes de Souza, Edison Matos Nóvak  

Introdução: O risco de evento isquêmico cerebral (AVCi) em pacientes com persistência de forame oval (PFO) na literatura é de 2,4% ao ano e seu achado é considerado fator de risco independente para sua recorrência. A prevalência de PFO em pacientes jovens com doença cerebrovascular isquêmica de etiologia indeterminada é até seis vezes maior, tornando-se uma chave importante na investigação. O método padrão ouro para a identificação de PFO é o ecocardiograma transesofágico com estudo de microbolhas (ETEm), porém além de limitado em nosso meio, é um exame de alto custo e invasivo. O uso de Doppler transcraniano com infusão de microbolhas (DTC) é um método não invasivo que vem sendo descrito como muito útil para a triagem de embolia paraoxal (EP). Neste estudo, apresentamos os resultados preliminares do uso de DTC na avaliação de EP em nossa população. Material e métodos: Entre outubro de 2004 e junho de 2005 foram investigados 31 pacientes em acompanhamento ambulatorial no Serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas da UFPR por AVCi de etiologia indeterminada conforme os critérios de TOAST. Após a realização do DTC, os pacientes foram divididos em dois grupos: grupo embolia paradoxal positiva (EP+) e grupo embolia paradoxal negativa (EP-). Resultados: o grupo EP+ foi composto de 16 pacientes e o EP- foi composto de 15 pacientes. Não houve diferença quando comparados sexo e idade entre os grupos. Ao analisarmos os fatores de risco para AVCi em ambos os grupos encontramos: HAS (EP+: 1; EP-: 7), DM (EP+: 0; EP-: 1), dislipidemia (EP+: 2; EP-: 1), tabagismo (EP+: 2; EP-: 2). Estudos de imagem (TAC ou RNM) de crânio demonstraram-se alterados em 30 pacientes. A presença de infarto territorial não foi diferente entre os grupos. ETEm foi realizado em 15 pacientes do grupo EP+ (presença de PFO em 13) e em 7 pacientes do EP- (presença de PFO em 1). Comentários: o uso do DTC demonstrou-se útil devido alta sensibilidade para a triagem de EP. Estudos futuros deverão também utilizá-lo como exame evolutivo na detecção de microembolia espontânea, além de monitoramento não-invasivo após o fechamento endovascular.

 

T24 (15:20 – 15:40)

 Doença periodontal: fator de risco para o AVC isquêmico?

 Hamilton Coser, Eduardo Saba-Chujfi, Marcos Christiano Lange,  
Juliano André Muzzio, Edison Matos Nóvak, Viviane Flumignan Zétola

Introdução: A doença periodontal está entre as infecções mais prevalentes na população geral. Dados de literatura descrevem que, quando grave, é associado ao dobro da mortalidade por infarto agudo do miocárdio e triplica o risco de ocorrência de AVC isquêmico (AVCi). O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência da doença periodontal em pacientes com AVCi em nosso meio. Material e Métodos: entre agosto de 2003 e maio de 2004 foram analisados 50 pacientes com história de AVCi recente (até 6 meses) em acompanhamento no Ambulatório de Doenças Cerebrovasculares do Serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas da UFPR. Cinquenta pacientes, sem história de AVCi e com exame de tomografia de crânio normal, formaram o grupo controle. Todos os pacientes foram submetidos a avaliação das condições periodontais por cirurgião dentista especializado. Resultados: não houve diferença estatística entre os dois grupos quando analisados sexo, idade, tabagismo, pressão arterial e diabete mellitus. Em comparação ao grupo controle, o grupo com AVCi demonstrou freqüência maior de periodontite (n = 44 x 32; p < 0,01), alteração de cor gengival (n = 33 x 10 ; p < 0,01), mobilidade dental (n = 12 x 2; p = 0,01), e presença de supuração (n = 11 x 5; p = 0,17). Comentários: a observação de significante maior prevalência de doença periodontal em portadores de AVCI pode traduzir um tratável fator de risco nessa população. Embora estudos maiores e prospectivos devam ser realizados para melhor correlação entre aterosclerose, doença inflamatória e AVCi, um alerta preventivo pode ser antecipado.

 

INTERVALO  (15:40 – 16:10)

 

HISTÓRIA DA NEUROLOGIA

T25 (16:10 – 16:30 h)                                  

Contribuições científicas pouco conhecidas de J-M Charcot

Lineu César Werneck, Hélio A . G. Teive

Objetivo: Descrever algumas contribuições científicas pouco conhecidas do Professor J-M Charcot nas áreas de Medicina Interna e Neurologia. Fundamentos:As contribuições magistrais do Professor J-M Charcot na área de neurologia são sobejamente conhecidas, particularmente as relacionadas com a Esclerose Lateral Amiotrófica, a Esclerose Múltipla, Neuropatia Hereditária Sensitivo-Motora (Doença de Charcot-Marie-Tooth),a ataxia locomotora, a doença de Parkinson e a síndrome de Tourette entre outras enfermidades. Outras contribuições de J-M Charcot, também importantes, tem sido pouco valorizadas na atualidade e desta forma os autores fazem uma revisão sobre essas contribuições em diferentes áreas da Medicina Interna, Neurologia e Psiquiatria. Material e Métodos: Foram avaliados algumas biografias, bem como diversas publicações referentes as contribuições científicas do Professor J-M Charcot em diferentes áreas da Medicina Interna. Resultados: Foram encontrados contribuições significativas nas áreas de Reumatologia (gôta, junta de Charcot), Endocrinologia (pé diabético de Charcot, bócio exoftálmico), Pneumologia (cristais de Charcot-Leidyn na asma),Gastroenterologia (tríade de Charcot da colangite secundária à litíase biliar),Angiologia (claudicação intermitente de origem arterial),Geriatria e Gerontologia (Charcot como pioneiro do estudo das doenças dos idosos), Neurologia (a enxaqueca oftalmoplégica de Charcot, síncope vaso-vagal e síncope por tosse, paquimeningite cervical idiopática,estudos sobre agnosia visual, afasia e úlceras de decúbito), Psiquiatria (distúrbios somatoformes). Conclusões: Professor J-M Charcot em sua prodigiosa carreira científica, contribui significativamente em diferentes áreas da Medicina Interna,além da Neurologia, e algumas dessas contribuições são ainda pouco conhecidas na atualidade.

 

NEUROFISIOLOGIA

T26 (16:30 – 16:50 h)

 Depressão Alastrante e Ondas Reentrantes; Analogias e Similaridades

 André Augusto Spadotto,  José Carlos Pereira, Luiz Antônio Resende, Arthur Oscar Schelp, Ruy Barboza

 
Na década de 40, Aristides Leão descreveu o fenômeno da depressão alastrante (DA), no qual ocorre uma queda acentuada na amplitude da atividade elétrica espontânea, no córtex cerebral de coelho. A depressão se propaga a áreas vizinhas e, após certo período de tempo, retorna ao estado normal. O estímulo pode ser provocado por estímulos físicos e químicos. No entanto, até hoje não está elucidado o mecanismo que inicia o fenômeno e quais são suas variações. Desde sua descrição inicial, houve acréscimo de grande volume de informações que permitem associar DA com epilepsia, enxaqueca e isquemia cerebral. De forma semelhante, Mines, em 1913, a partir de observações em tecido do miocárdio de coelhos, descreveu as ondas reentrantes (OR) para explicar a fibrilação atrial e ventricular. Tanto para a DA como para as OR, existem modelos matemáticos, básicos para simulações e compreensão dos fenômenos referidos. Os modelos computacionais de regiões do cérebro como o de DA na migrânea, apresentam uma substancial abstração e simplificação de detalhes dos mecanismos biofísicos que ocorrem na célula nervosa e sinapses. As equações para migrânea propostas por Reggia e Montgomery ,em 1996 têm configurações análogas àquela proposta por Spadotto e Barboza, em 2005, para fibrilação atrial, ambos são conhecidos como modelo de reação-difusão. A representação gráfica animada dos dois modelos é similar, tanto no que se refere à velocidade de propagação, formato de onda, como outros parâmetros. Não obstante às limitações de qualquer representação numérica de quaisquer eventos biológicos, com toda sua complexidade, podemos utilizar as variáveis essenciais do fenômeno para formular equações matemáticas. A simulação do fenômeno poderá levar a soluções bastante próximas daquelas observadas na realidade, contribuindo para um melhor entendimento que pode apontar para formas de interferir no processo. Vale lembrar que na fibrilação são descritas duas formas distintas de iniciação, uma dependente de mudanças no meio (obstáculos), e outra que depende de propriedades físico-químicas, como ocorre na DA. Permanece a questão da existência de formas ainda não descritas para iniciação e manutenção da DA em diferentes patologias do sistema nervoso.

 

TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOIÉTICAS

T27 (16:50 – 17:10 h)

Transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas (TACH) na esclerose múltipla: o condicionamento com ciclosfofamida está associado a menos efeitos colaterais e a ausência de óbitos  

Amilton Antunes Barreira, Doralina Guimarães Brum de Souza, Júlio César Voltarelli

Objetivo – Com a finalidade de reduzir o risco de óbitos e minimizar os efeitos colaterais do condicionamento no TACH, substituiu-se BEAM (BCNU, Etoposide, ARA – C e Melphalan) por altas doses de ciclofosfamida (200mg/Kg), mantendo-se as outras medicações relativas procedimento. Fundamentos - As limitações para a realização de TACH estão relacionadas à intensidade dos efeitos colaterais e das complicações e ao risco de óbito, em decorrência da intensidade da imunossupressão. Nos primeiros 11 TACH realizados no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto houve 3 óbitos, além de complicações variadas, incluindo infecções graves.  Tais possibilidades constituíam-se em limitação para a indicação do procedimento. Material e métodos – Três pacientes foram submetidos ao TACH, tendo sido utilizado o condicionamento com ciclofosfamida – associada a hidratação e uso de medicamentos que reduzem a intensidade dos seus efeitos colaterais Os mesmos passos posteriores (globulina anti-linfócitos T, metilprednisolona) do protocolo relativa ao procedimento e a terapia de suporte foram mantidos. Resultados – Dois dos pacientes apresentaram náuseas e vômitos de intensidade moderada até o dia anterior à injeção de células tronco. Tais sinais e sintomas cederam através do uso de sintomáticos. Uma paciente, além de náuseas e vômitos apresentou diarréia moderados até o dia da injeção de células tronco e febre do quarto dia anterior até o décimo posterior à referida injeção. Embora não tenha sido localizado foco infeccioso, a paciente foi tratada com antibióticos e houve reversão do estado febril. Conclusão - Os 3 primeiros transplantados, submetidos ao regime de condicionamento com BEAM apresentaram púrpura, farmacodermia, alopecia, infecção de cateter, mucosite, hemorragia gástrica refratária, distúrbio psiquiátrico, retenção hídrica, pneumonia, tendo havido um óbito. Houve menos efeitos colaterais através do condicionamento com ciclofosfamida, tanto em diversidade quanto em gravidade. Não houve óbitos. O TACH está associado a menores e menos intensos efeitos colaterais e, até o momento, à ausência de óbitos, quando o condicionamento é realizado através da ciclofosfamida.

* AAB apresenta o trabalho em nome dos participantes do estudo multicêntrico sobre TACH, discriminados no resumo sobre o tema, publicado em “O dendrito” que contém os resumos do quarto encontra da SBIN.